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06/11/2026

Além dos 6 milhões de domínios .br: o desafio de manter os serviços digitais funcionando

O Brasil alcançou a marca de 6 milhões de domínios .br registrados, ocupando a sexta posição mundial entre os mais de 300 domínios de código de país existentes. Segundo o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o crescimento de 2026 é o mais expressivo da história, com saldo positivo superior a 500 mil registros até o início de outubro. O marco chama atenção não apenas para a expansão dos registros, mas também para a importância de manter uma infraestrutura digital confiável.

O registro e a manutenção desses domínios são realizados pelo Registro.br, departamento do NIC.br, entidade privada sem fins lucrativos que administra os recursos provenientes dessas atividades. Parte desses valores também financia iniciativas de conectividade, segurança, pesquisas e capacitação, seguindo diretrizes do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A estrutura do Registro.br inclui servidores distribuídos por diferentes regiões do mundo, o que reduz a dependência de uma única localização e favorece a disponibilidade do serviço.

Essa arquitetura ilustra a importância do planejamento para a continuidade de serviços digitais. No ambiente empresarial, porém, a resiliência também exige acompanhar o comportamento dos sistemas e identificar problemas que possam comprometer a operação. É nesse contexto que monitoramento e observabilidade de TI ganham relevância.

O monitoramento acompanha indicadores como disponibilidade, tempo de resposta e ocorrência de erros. Já a observabilidade utiliza informações como métricas, registros de eventos e rastreamentos de operações para ajudar a investigar problemas cuja origem não é imediatamente evidente. São práticas complementares: uma permite acompanhar condições conhecidas, enquanto a outra amplia a capacidade de compreender o comportamento dos sistemas.

Uma plataforma de pagamentos, por exemplo, pode apresentar lentidão sem ficar completamente indisponível. O monitoramento pode identificar o aumento no tempo de resposta, mas compreender sua origem pode exigir investigar o caminho percorrido pelas transações e possíveis problemas em bancos de dados, aplicações ou serviços externos. Essa diferença é importante porque identificar uma falha não significa necessariamente saber como resolvê-la.

A demora na identificação e na investigação de incidentes pode comprometer processos, receitas e a experiência dos clientes. Por isso, a observabilidade não deve ser avaliada pela quantidade de dados coletados ou alertas emitidos, mas pela capacidade de oferecer informações relevantes para que as equipes compreendam os problemas e definam como agir.

Isso exige conhecer os sistemas críticos, estabelecer indicadores compatíveis com seu funcionamento e identificar quais sinais merecem prioridade. Também é necessário definir responsáveis e procedimentos de resposta, além de relacionar as informações obtidas aos planos de contingência e recuperação. Afinal, compreender a origem de um incidente não garante, por si só, que o serviço será restabelecido.

O crescimento do .br evidencia a importância de uma infraestrutura capaz de sustentar serviços digitais em larga escala. Essa mesma preocupação deve orientar a gestão tecnológica: não basta identificar que algo saiu do esperado, é preciso compreender o problema e ter condições de agir antes que seus impactos se ampliem. A resiliência digital também depende da qualidade das informações disponíveis para orientar essas decisões.

• Por: Rodrigo Cabot, gerente de Desenvolvimento de Negócios, Alianças e Estratégia Tecnológica da Ecosistemas Global. Engenheiro em Informática pela Unlam, possui pós-graduações em Administração de Organizações Financeiras (UBA) e em Gestão Estratégica de Inteligência Artificial (Ucema). Atualmente lidera iniciativas de inovação tecnológica da empresa em diversos países, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Espanha, México e Estados Unidos. Com mais de 25 anos de experiência em TI, coordenou projetos de transformação digital, automação e melhoria contínua em setores como bancos, seguros, energia e saúde.