Atualmente, em uma fração de segundos, conseguimos acessar todo tipo de informação possível; o ser humano tem o mundo nas mãos. Mas, ao mesmo tempo que vivemos uma frenética enxurrada de estímulos, também tocamos no profundo vazio existencial que assola a tantos, principalmente os jovens.
São João Paulo II afirma que “a interpretação niilista leva à afirmação de que a existência é apenas uma oportunidade para sensações e experiências, na qual o efêmero ocupa o primeiro lugar” (Fides et Ratio, n. 46). Quanto mais o nosso olhar se volta para o efêmero, para o que se passa em segundos como, por exemplo, os “reels”, as modinhas de tik tok, mais rápido o tempo passa, o vazio aumenta e a ansiedade toma conta. O dia se vai e não fazemos o que nos propusemos a fazer.
E assim se instaura o vazio, o cansaço, a falta de sentido. O estudo é deixado de lado, a dieta, a academia, o esporte, a visita àquele familiar ou amigo que precisa, a busca por um trabalho melhor. Os sonhos vão se tornando cada vez mais distantes. É preciso urgente tomar decisões e adotar posturas que nos apontem para o que é eterno, assumir uma missão louvável, fazer algo que realmente deixe um legado, firmando-se em valores, com um verdadeiro sentido para a vida.
Viktor Frankl afirma que “o presente é a fronteira entre a não-realidade do futuro e a realidade eterna do passado. […] “linha demarcatória da eternidade’’. Em outras palavras, a eternidade é finita: estende-se só até o presente, o momento presente em que escolhemos o que desejamos admitir na eternidade. A fronteira da eternidade é onde, a cada momento de nossas vidas, é tomada a decisão sobre o que queremos eternizar ou não”. (Um sentido para a Vida, pg. 115)
A partir disso, valorizar o presente exige as renúncias necessárias de tudo aquilo que nos afasta desse sentido maior; sejam pessoas, vícios, maus hábitos, amizades ou a falta de disciplina e rotina, por aquilo que vale a pena. Ao fim, constrói-se um legado, encontra-se uma vocação.
Elisabeth Lukas explica em seus escritos: – “Saber fazer uma renúncia cheia de sentido é, talvez, a chave da felicidade […] e no caso de muitas doenças, a chave da saúde”. “Por outro lado, todavia, tudo é eterno. Mais que isso: faz-se eterno. Não podemos evitá-lo. Se tivermos iniciado qualquer coisa, a eternidade se apossa dela. Mas temos de assumir a responsabilidade por aquilo que tivermos preferido realizar. Aquilo que tivermos escolhido para começar a ser parte do passado, que tivermos selecionado para ser eterno! Tudo é escrito no arquivo eterno – nossa vida toda, todas as nossas criações e ações, encontros e experiências, todos os nossos amores e sofrimentos. Tudo isso está contido e permanece no arquivo eterno” (Um sentido para a vida, pg. 114).
O que você tem escolhido eternizar em sua vida? Que a sua resposta o leve a encontrar um sentido maior. Não tenha receio de recalcular a rota e acertar o alvo da sua existência para viver com mais coerência as convocações da sua vida.
• Por: Rafaela Rodrigues Marchiori Mendonça, missionária da Comunidade Canção Nova. Psicóloga, pós graduada em Análise Existencial e Logoterapia Frankiliana, atua no setor do Núcleo de Psicologia interno da comunidade.