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06/08/2026

Copom reduz a taxa básica de juros para 14% ao ano, de forma resiliente

A previsão de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,0% e 4,2%, respectivamente. E comenta que o cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária, e não dá pistas dos próximos passos.

O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. —Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities — ressalva o Comitê de Pllítica Monetária do Banco Central ao reduzir a Taxa Selic para 14% ao ano, no dia 05 de agosto (quarta-feira).

De acordo com o comunicado do Comitê, em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta.

— As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,0% e 4,2%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2% no cenário de referência— avalia.

— Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários— continua o Comitê.

O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. —O Comitê monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação— diz.

Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.

O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14% ao ano e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. — O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta— adianta.

Os membros do Comitê que votaram foram: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.

O mercado comenta.: . Banco Daycoval: — O Copom mantém portas abertas para novos cortes, mas adota tom mais duro e reduz probabilidade de queda em setembro: — A decisão do Copom de reduzir, mais uma vez, a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, desta vez para 14%, sinaliza que o Banco Central mantém as portas abertas para os próximos passos da política monetária.

As justificativas são várias para deixar essa opcionalidade na mesa. No entanto, ao olhar para a próxima reunião — e isso já estava presente na comunicação anterior —, o que se pode dizer atualmente é que a probabilidade de queda em setembro existe, mas é substancialmente menor do que aquela observada em agosto.

Portanto, as portas permanecem abertas e existe uma probabilidade relevante de continuidade do corte em setembro, dada a comunicação atual do Banco Central. Essa probabilidade, porém, é menor do que a de um corte em agosto, que acabou sendo efetivado.

O diagnóstico é muito parecido com o apresentado anteriormente pelo Banco Central, com poucas alterações: um cenário internacional ainda incerto; uma atividade que modera, mas com o mercado de trabalho aquecido; e uma inflação que desacelerou, mas permanece acima da meta.

O balanço de riscos continua assimétrico, mas há um parágrafo relevante em que o Banco Central trata da desancoragem e demonstra uma preocupação adicional com esse processo.

Nesse trecho, o tom é um pouco mais duro do que o da comunicação anterior. Essa é uma das razões pelas quais a probabilidade de queda em setembro parece menor do que a observada para agosto, a partir da leitura do comunicado anterior.

A parte que apresentava um ruído maior, ao tratar do horizonte relevante e das simulações, foi retirada. No entanto, em outro parágrafo, o Banco Central ainda menciona o significativo aumento da incerteza, a desancoragem e os riscos, também adotando um tom um pouco mais duro do que no comunicado anterior.

Assim, tanto a explicitação da desancoragem no meio do comunicado quanto o trecho final, que aborda a incerteza, a desancoragem e os riscos, indicam que setembro ainda tem chance de corte, mas em uma probabilidade menor do que a captada implicitamente no comunicado anterior do Banco Central— comenta Rafael Cardoso, economista-chefe do banco Daycoval.

. Especialista da Eleva Invest sobre corte da Selic: — O Banco Central está tentando acertar o passo da política monetária. Enquanto Ormuz dá uma trégua, o Copom definiu hoje os próximos passos da política monetária. Com o forte desaquecimento da indústria brasileira no segundo trimestre, abre-se espaço para a discussão de novos cortes de juros. De forma unânime, o Copom reduziu a Selic em 25 pontos-base, para 14% ao ano.

Os riscos para a inflação seguem acima do usual, com assimetria altista, segundo o comunicado. O Banco Central considera a decisão compatível com a convergência da inflação para o redor da meta no horizonte relevante. A inflação desacelerou, mas continua acima do teto da meta— avaliou a decisão Gabriel Cintra, sócio e CIO da Eleva Invest, responsável pela área private na Eleva Invest. É economista pelo Ibmec SP e especialista em Relações Internacionais pela Columbia University, em Nova York. Possui ampla experiência em investimentos, crédito e M&A, com passagens pelo Banco Votorantim e Banco Indusval. Também atua como investidor-anjo em startups de diversos segmentos.

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. Selic cai para 14%, mas mercado vê espaço limitado para novos cortes diante de Ormuz, fiscal e eleições, dizem especialistas — O capital continuará caro, a concessão seguirá seletiva e companhias dependentes de refinanciamento ainda enfrentarão pressão sobre caixa e cobertura de juros. O benefício aparece aos poucos, primeiro nas expectativas e depois nas novas operações —afirma Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.

— O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14%, porque a combinação de inflação mais fraca e perda de atividade mostrou que manter o mesmo nível de aperto já começava a ser excessivo. O IPCA-15 avançou apenas 0,06% em julho e a indústria caiu 1,8% em junho. A leitura é que o Brasil entrou na fase de desaceleração mais evidente do ciclo. O Banco Central não está cortando porque a inflação chegou à meta, mas porque os juros anteriores já retiraram demanda suficiente para permitir uma flexibilização gradual. Daqui para frente, crédito, consumo e atividade devem reagir em velocidades diferentes. O crédito tende a melhorar primeiro nas taxas de prazo mais longo e nas condições de financiamento, enquanto o consumidor demora mais para sentir o efeito porque ainda enfrenta juros finais elevados. Por isso, não espero uma retomada forte do consumo imediatamente. O cenário mais provável é de desaceleração da atividade durante o terceiro trimestre e algum alívio no quarto trimestre, caso o Copom consiga manter a sequência de cortes. O risco para essa trajetória mudou de natureza. Hoje, o principal perigo não é uma explosão da demanda doméstica, mas a importação de inflação. Uma nova escalada no Oriente Médio pode levar o petróleo novamente para cima, aumentando combustíveis, fretes e custos industriais. Já o tarifaço americano tem efeito duplo sobre o Brasil. Menos exportações para os Estados Unidos reduzem produção e atividade em setores atingidos, mas uma deterioração do fluxo comercial e da percepção de risco pode pressionar o dólar. Nesse caso, o país teria atividade mais fraca e inflação importada maior ao mesmo tempo. Se petróleo e câmbio permanecerem relativamente comportados, vejo espaço para o Copom continuar com cortes de 0,25 ponto nas próximas reuniões e levar a Selic para algo próximo de 13,25% no fim do ano. Se o conflito escalar, o petróleo voltar às máximas recentes e o dólar incorporar um prêmio maior pelo tarifaço, esse caminho muda. O BC provavelmente desaceleraria ou interromperia os cortes, porque deixar o câmbio contaminar combustíveis, alimentos e expectativas de inflação seria mais perigoso do que tolerar alguns meses adicionais de atividade fraca— prevê Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco.

— A redução de 0,25 ponto percentual levou a Selic de 14,25% para 14% e confirma que o ciclo econômico brasileiro entrou em uma nova fase. O Banco Central já encontra inflação corrente mais moderada, com IPCA 15 de apenas 0,06% em julho, ao mesmo tempo em que a indústria recuou 1,8% em junho. A combinação mostra que a demanda perdeu força e permite retirar gradualmente parte da restrição sem transformar o corte em estímulo. Com juros a 14%, a política monetária continua apertada. Daqui para frente, a questão será a velocidade dessa flexibilização. Uma sequência de cortes tende a melhorar as condições de crédito e reduzir gradualmente o custo financeiro de famílias e empresas. Isso libera renda antes comprometida com juros, melhora a capacidade de investimento e pode impedir que a desaceleração atual evolua para uma fraqueza mais disseminada do consumo e da atividade. Mas o Copom agora precisa separar inflação de demanda de inflação provocada por choques externos. Petróleo mais caro eleva custos mesmo quando o consumo está fraco. O tarifaço acrescenta uma segunda ambiguidade, porque pode reduzir atividade em setores exportadores e, ao mesmo tempo, pressionar o câmbio e os preços de insumos importados. Se o Brasil tiver atividade mais fraca acompanhada de inflação de custos, cortar juros deixa de ser uma decisão linear. Esse é o principal risco para a continuidade do ciclo nos próximos meses analisa Letícia Moschioni, sócia da Finscale.

— Com o corte de 0,25 ponto percentual, o Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano, mas manteve a política monetária claramente restritiva. A decisão reconhece dois movimentos que agora acontecem simultaneamente. A inflação corrente perdeu força e a atividade começou a sentir com maior intensidade os juros elevados. O IPCA 15 em 0,06% e a queda de 1,8% da produção industrial ajudam a explicar por que o BC conseguiu cortar sem abandonar a cautela. O efeito sobre crédito e consumo tende a ocorrer com defasagem. Se os próximos dados permitirem novas reduções, as condições financeiras melhoram primeiro e a economia real responde depois, com crédito, investimento e consumo recuperando força gradualmente. O problema é que o choque externo pode produzir uma combinação particularmente difícil para o Copom. O tarifaço pode reduzir exportações e enfraquecer a atividade, mas também pressionar o câmbio e encarecer produtos importados. O petróleo adiciona outro vetor de inflação por combustíveis, fretes e custos industriais. Nesse cenário, o Brasil poderia ter crescimento menor e inflação maior ao mesmo tempo. É justamente essa combinação que ameaça a continuidade linear dos cortes e pode obrigar o BC a fazer pausas mesmo diante de uma economia mais fraca — aposta Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

— O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, em linha com a expectativa do mercado. Parece ser uma sinalização do reconhecimento, ainda que tímido, da melhora da inflação e da perda gradual de força da atividade. A decisão, porém, parece representar apenas uma calibragem da política monetária, e não o início de uma sequência consistente de cortes. Por isso, o crédito continuará restrito e o efeito imediato sobre os investimentos produtivos deverá ser limitado. As incertezas fiscais, o tarifaço, o cenário eleitoral e o conflito no Oriente Médio, com seus efeitos sobre o petróleo, continuam influenciando as expectativas para os próximos passos do Banco Central. Esses fatores reduzem o espaço para reação do Banco Central, mesmo diante da desaceleração econômica. O Copom deverá manter uma comunicação cautelosa, permitindo preservar sua flexibilidade de atuação e avaliar os próximos dados antes de avançar no ciclo. A expectativa é de mais um corte de 0,25 ponto até dezembro, embora as projeções para o horizonte relevante ainda não indiquem convergência consistente da inflação para o centro da meta. O Banco Central enfrenta um trade-off: reconhecer que os juros permaneceram elevados por um período prolongado, sem ignorar os novos vetores de pressão inflacionária, alguns pouco elásticos ao patamar da Selic— aponta Cassio Viana de Jesus, CEO da Pilar Capital.

— O corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14%, confirma a continuidade do processo de flexibilização monetária, mas não representa uma mudança para um ciclo acelerado de queda dos juros. A inflação apresentou melhora na margem e alguns custos industriais perderam força. Ainda assim, o mercado de trabalho permanece resistente, as expectativas continuam acima da meta e o quadro fiscal mantém elevado o prêmio de risco. A decisão indica que a economia entrou em uma fase de desaceleração gradual, e não de retração. O Banco Central começa a aliviar o grau de restrição, mas preserva juros reais elevados para assegurar que a desinflação seja sustentável. O ponto mais importante agora será o tom do comunicado e a liberdade que o Copom manterá para interromper o ciclo nas próximas reuniões. Para crédito, consumo e atividade, o efeito será positivo, porém limitado no curto prazo. Uma redução de 0,25 ponto não altera de forma relevante a prestação das famílias nem o custo financeiro das empresas mais alavancadas. O capital continuará caro, a concessão seguirá seletiva e companhias dependentes de refinanciamento ainda enfrentarão pressão sobre caixa e cobertura de juros. O benefício aparece aos poucos, primeiro nas expectativas e depois nas novas operações. O cenário externo adiciona riscos em direções opostas. A volatilidade do petróleo e a escalada no Oriente Médio podem pressionar combustíveis, fretes, câmbio e expectativas de inflação. Já uma acomodação duradoura do barril ajudaria a reduzir esse risco. O tarifaço americano também exige atenção: pode pressionar o real e o custo de insumos importados, mas o redirecionamento de parte das exportações ao mercado interno pode ampliar a oferta e reduzir preços em alguns setores. Para as empresas afetadas, porém, esse movimento tende a ocorrer com margens menores, estoques mais altos e maior necessidade de capital de giro. A Selic deve encerrar 2026 entre 13,75% e 14%. Um novo corte de 0,25 ponto ainda é possível, mas não deveria ser tratado como automático. Para avançar além disso, o Copom precisará observar melhora mais consistente das expectativas, inflação de serviços mais comportada, estabilidade cambial e redução do prêmio fiscal. O corte ajuda, mas a trajetória dos juros continuará condicionada à confiança na inflação e nas contas públicas — sustenta Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra.

— Como amplamente esperado, a SELIC foi reduzida para 14% ao ano, representando uma calibragem prudente da política monetária, e não uma mudança agressiva de postura do Banco Central. O corte encontra respaldo na melhora recente dos indicadores de inflação e nos sinais mais claros de desaceleração da atividade, com resultados mais fracos no comércio e nos serviços, além da retração de 1,8% da produção industrial em junho. Mas vale lembrar, que o Copom ainda enfrenta expectativas de inflação acima da meta, mercado de trabalho aquecido e riscos fiscais e externos relevantes. Por isso, mesmo com a redução, a taxa de juros permanece bastante restritiva, indicando que o combate à inflação continua sendo a principal prioridade da autoridade monetária. Para a economia real, o efeito imediato de um corte de apenas 0,25 ponto será limitado, mas a continuidade gradual desse movimento pode começar a aliviar o custo de captação dos bancos, melhorar as condições de crédito e favorecer, com alguma defasagem, o consumo de bens duráveis e os investimentos das empresas. O cenário mais provável é de uma economia em desaceleração controlada, permitindo algum alívio monetário sem comprometer a convergência da inflação. Uma nova redução em setembro, levando a Selic para 13,75% ao final de 2026, dependerá principalmente do comportamento do câmbio, das expectativas de inflação, do petróleo e do risco fiscal. Caso esses fatores piorem, o Copom poderá interromper os cortes e manter os juros em 14% por um período prolongado — indica Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

—A decisão de reduzir o juro básico em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano, se sustenta em 3 fatores principais: o efeito acumulado de um longo período de juros em patamar restritivo, a convergência gradual da inflação corrente para o intervalo da meta e um quadro de atividade econômica mais moderado do que o observado na reunião anterior. O comportamento mais estável do câmbio nas últimas semanas também abriu espaço para o ajuste. Em contrapartida, o Comitê segue atento a riscos relevantes: a piora nas expectativas de inflação para os próximos 12 meses, a resistência nos núcleos de serviços, a incerteza fiscal em ano eleitoral e as pressões externas ligadas ao conflito no Oriente Médio e ao preço do petróleo. Nesse contexto, a leitura predominante é de que o Banco Central mantém a condução “reunião a reunião”, dependente dos dados, sem compromisso explícito com a extensão do ciclo. Para o mercado, o foco imediato se desloca ao comunicado e à ata, que devem indicar se há espaço para novo corte em setembro ou se o ciclo se aproxima do fim— calcula Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike.

— A decisão do Copom de cortar a Selic em 0,25 ponto, de 14,25% para 14% ao ano, confirma o que o mercado majoritariamente esperava e sinaliza que o Banco Central enxerga a inflação, ainda que acima do teto da meta de 4,5%, no caminho de convergência. É um corte de calibragem, não o início de um afrouxamento agressivo. O recado sobre o momento do ciclo é que estamos saindo da fase de juro extremamente restritivo: a atividade perde fôlego, o mercado de trabalho começa a se acomodar e os núcleos e os preços de serviços melhoraram. Para crédito, consumo e atividade, o efeito é positivo, porém gradual e defasado, porque um corte de 0,25 ponto não barateia o crédito da noite para o dia, mas melhora a confiança e aponta direção. O ponto de atenção, que o comunicado deve reforçar, são os riscos externos: a escalada no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo pressionam a inflação pela via do câmbio, e o tarifaço de 25% dos Estados Unidos, em vigor desde 22 de julho, adiciona incerteza. Esses fatores podem, sim, encurtar o ciclo de cortes, porque um real mais fraco ou um choque de combustível reancoram a inflação para cima. Minha projeção é de uma Selic terminando 2026 na casa de 13,75% a 14%, com o Banco Central mantendo o pé perto do freio e condicionando os próximos passos à evolução do câmbio, do fiscal e do petróleo — prevê André Matos, CEO da MA7 Capital.

— O corte para 14% mostra que o Brasil entrou em uma fase de transição: a inflação começa a permitir flexibilização justamente quando a atividade mostra sinais mais claros de perda de força. A queda de 1,8% da produção industrial em junho reforça que o custo de manter os juros elevados por muito tempo começa a aparecer na economia real. Isso não significa estímulo monetário. Com a Selic a 14%, o crédito continua restritivo, mas uma sequência de cortes pode reduzir o custo de capital, favorecer investimento e devolver gradualmente capacidade de consumo às famílias. O risco é esse ciclo ser mais curto do que a economia doméstica permitiria. Petróleo mais caro pressiona combustíveis, transporte e expectativas, enquanto o tarifaço pode atingir exportações, atividade e câmbio. Se houver desvalorização do real ao mesmo tempo em que o petróleo sobe, o Copom pode ser obrigado a desacelerar os cortes, mesmo diante de uma economia mais fraca. Esse é o principal dilema daqui para frente: atividade pedindo juros menores e choques externos recomendando cautela — enfatiza Gustavo Assis, CEO da Asset.

— O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14%, em uma economia que finalmente começa a apresentar uma combinação mais clara de desinflação e perda de ritmo da atividade. O IPCA-15 avançou apenas 0,06% em julho e a indústria recuou 1,8% em junho. O corte mostra que o Banco Central reconhece que o aperto monetário já cumpriu parte de seu papel, embora 14% ainda seja uma taxa fortemente restritiva. Para venture capital, o efeito mais relevante não é o corte de 0,25 ponto isoladamente, mas uma eventual mudança no ciclo de juros. Quando a expectativa para as taxas futuras cai, diminui a taxa utilizada para descontar o crescimento esperado das empresas, o capital volta a aceitar horizontes mais longos e valuations passam a encontrar referências menos comprimidas. Isso pode favorecer uma retomada gradual de rodadas, investimentos e, posteriormente, operações de saída. Não é dinheiro fácil voltando ao mercado. É o custo de oportunidade começando a mudar. Esse processo, porém, dependerá muito mais dos próximos meses do que desta reunião. Oriente Médio e petróleo podem reacender a inflação global, enquanto o tarifaço amplia incertezas comerciais e cambiais. Se esses choques pressionarem o real e os preços, o Copom terá menos liberdade para acelerar. Para o venture capital, portanto, o cenário melhora não apenas se a Selic cair, mas se o mercado acreditar que ela poderá continuar caindo de maneira sustentável — estima Antônio Patrus, diretor da Bossa Invest.

— O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual e levou a taxa básica de 14,25% para 14%, justamente quando o cenário externo voltou a ganhar peso sobre as decisões domésticas. A inflação brasileira deu sinais melhores e a atividade perdeu força, condições que justificam a redução. Mas o espaço para continuar cortando dependerá cada vez mais do que acontece com petróleo, câmbio e percepção global de risco. O Brent mostra o tamanho dessa incerteza. Depois de superar US$ 95 em julho, o barril voltou para perto de US$ 80 com a perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio. Uma nova escalada pode inverter rapidamente esse movimento e devolver pressão a combustíveis, transporte e inflação mundial. O tarifaço americano adiciona um segundo canal. Barreiras maiores aos produtos brasileiros podem afetar fluxos comerciais e elevar a volatilidade do real. Ao mesmo tempo, cada corte da Selic reduz parte do diferencial de juros que torna os ativos brasileiros mais remunerados em relação ao exterior. Se o real sofrer uma desvalorização persistente, o Brasil passa a importar inflação justamente enquanto tenta reduzir juros. Portanto, os próximos passos do Copom não serão determinados apenas pela atividade doméstica. O espaço para novos cortes dependerá também de quanto do choque externo chegará ao câmbio e aos preços brasileiros — considera Fábio Murad, sócio e Fundador da Ipê Avaliações.

. Copom corta Selic em 25 pontos-base, sem surpresas, e mantém cautela com inflação e cenário externo — Não houve grandes surpresas. A decisão ficou dentro do esperado, com corte de 25 pontos-base, como antecipávamos. O comunicado também foi bastante semelhante ao da reunião anterior, mas com a retirada dos parágrafos que justificavam a visão de que o horizonte relevante seria alcançado apenas nesta reunião. Portanto, esse movimento também era bastante esperado.

Em relação às projeções, observamos poucas mudanças. Para o horizonte relevante — 2028 —, a projeção para o primeiro trimestre permaneceu em 3,2%. Houve alguma revisão nas projeções de inflação para períodos mais curtos, mas com pouca influência sobre a condução da política monetária.

No restante, as mudanças foram sutis. O Banco Central manteve a assimetria altista no balanço de riscos e destacou que atividade e inflação desaceleraram, o que é coerente com o que temos observado nos dados. Esse ponto foi mencionado, mas sem grande ênfase ou demonstração de preocupação, e sem alteração do cenário-base de desaceleração gradual.

O comunicado também manteve o mesmo balanço de riscos, com assimetria altista. Talvez tenha havido um aumento na percepção de preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação, um dos fatores que pioraram entre as reuniões. Além disso, o Banco Central seguiu destacando o cenário externo como bastante incerto, em função da política monetária e do conflito no Oriente Médio.

No geral, a decisão veio bastante em linha com o que esperávamos e com a visão da maior parte do mercado. Para amanhã, não esperamos uma reação muito significativa nos mercados— diz Marcos Freitas, analista macroeconômico da AF Invests.

. Banco BMG: — O Copom decidiu cortar a taxa básica de juros em 0,25 pontos percentuais para 14% ao ano, conforme amplamente esperado pelo mercado. A maior dúvida dos agentes estava na comunicação do BC: os membros sinalizariam uma possível interrupção no próximo encontro ou deixariam a porta aberta para um novo movimento em Set26? A opção escolhida foi a última. Com efeito, a autoridade monetária retirou os parágrafos que acabaram gerando críticas à instituição na reunião de junho e não trouxeram nenhuma pista sobre o próximo movimento. Acreditamos, inclusive, que essa mudança com uma comunicação mais curta e direta foi correta. Com base no nosso cenário de hoje até a próxima reunião, enxergamos um novo corte de 0,25p.p. como a decisão mais provável em setembro. Olhando mais adiante, novos cortes dependerão essencialmente da evolução do mercado de trabalho e das expectativas de inflação nos próximos meses, com destaque para as projeções de 2028. Nosso cenário contempla a Selic encerrando o ano em 13,75% a.a. (Set26 marcaria, portanto, o último movimento do ciclo de calibração) e novos cortes apenas no primeiro trimestre de 2027— analisa Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg .

. ZIIN Investimentos: — A decisão do Copom de cortar a Selic em 0,25 ponto percentual era amplamente esperada e também correspondia ao nosso cenário-base. O último IPCA-15, que ficou bem abaixo das projeções, foi o dado que deu mais margem e convicção para o início da flexibilização monetária. Apesar do resultado favorável, parte relevante da desaceleração veio de componentes mais voláteis, enquanto as medidas subjacentes de inflação ainda apresentam alguma pressão.

Diante desse quadro, o comunicado do Copom será determinante para orientar as expectativas do mercado. Esperamos uma sinalização aberta, sem antecipar necessariamente novos cortes nem indicar uma interrupção do ciclo. Os dados mais recentes de atividade já mostram uma perda de fôlego de maneira mais clara, mas o comportamento da inflação ainda exige cautela.

A tendência, portanto, é que o Comitê mantenha flexibilidade para as próximas reuniões, deixando espaço tanto para a continuidade dos cortes quanto para a manutenção da taxa, conforme a evolução dos indicadores, sem se comprometer previamente com um movimento específico — indica Marcos Vinícius Oliveira, economista da ZIIN Investimentos.

. Faz Capital: — O Copom reduziu a Selic de 14,25% para 14%, concluindo o quarto corte consecutivo. A decisão veio totalmente em linha com as expectativas do mercado e não trouxe surpresa em relação à magnitude. O que abriu espaço para esse movimento foi o conjunto de dados divulgado desde a última reunião, principalmente o IPCA-15 abaixo das projeções e os sinais de uma desinflação mais disseminada entre os diferentes setores.

O cenário também foi favorecido pelo comportamento do câmbio, pelo saldo positivo da balança comercial e pela entrada de investimentos diretos no Brasil. Esses fatores permitiram que o Banco Central desse continuidade ao ciclo de flexibilização. O principal ponto de atenção, agora, está no comunicado. Embora o corte tenha sido consensual, o Copom deixou os próximos passos em aberto e condicionados à evolução dos indicadores, sem antecipar novas reduções.

Nosso cenário-base contempla uma pausa em setembro para que o Comitê avalie se inflação e atividade continuarão surpreendendo para baixo. A expectativa é que uma flexibilização mais intensa fique para 2027. Ainda existem riscos relevantes no radar, especialmente as expectativas de inflação acima da meta, a incerteza no ambiente internacional e os próximos movimentos do Federal Reserve, que podem dificultar a condução da política monetária brasileira.

Para o investidor, a renda fixa continua oferecendo taxas historicamente elevadas e atrativas. À medida que o ciclo de cortes avançar, títulos prefixados e indexados à inflação, além de outros ativos de risco, poderão ganhar maior apelo. Em resumo, a decisão veio conforme o esperado, mas permanece uma incerteza significativa sobre os próximos movimentos do Copom, principalmente na reunião de setembro e no início de 2027 — avalia Eduardo Marocke, head de renda fixa da Faz Capital.

. Magno Investimentos: — O Comitê de Política Monetária reduziu, por decisão unânime, a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos da economia para 14,00% ao ano. O movimento era amplamente esperado pelo mercado, mas o verdadeiro foco esteve na comunicação. O Banco Central manteve um discurso de cautela e reforçou que seguirá calibrando o nível de restrição monetária conforme a evolução dos dados. Cortar juros é uma decisão. Convencer o mercado de que ela continuará é outra completamente diferente.

As novas projeções mostram um cenário que melhora apenas parcialmente. A expectativa para o IPCA de 2026 caiu de 5,2% para 5,1%, enquanto a inflação projetada para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária, permaneceu em 3,2%, ainda acima da meta contínua de 3%. Ao mesmo tempo, a projeção para 2027 avançou de 3,7% para 3,8%, lembrando que a batalha contra a inflação ainda está longe do fim. Inflação não precisa explodir para impedir cortes. Basta se recusar a morrer.

Os detalhes da ata mostram um Banco Central que continua desconfortável com o ambiente fiscal e externo. Nos preços livres houve melhora para 2026, passando de 5,3% para 5,1%, mas deterioração em 2027. Já os preços administrados seguem pressionados por energia, combustíveis e demais componentes sensíveis ao cenário internacional. O Comitê foi explícito ao afirmar que continuará acompanhando os riscos para manter uma política monetária suficientemente restritiva. Quem lê apenas a taxa perdeu metade da reunião. Quem lê o comunicado entende a outra metade.

Para os mercados, a consequência é imediata. A redução da Selic tende a aliviar o custo de capital, favorecendo setores mais sensíveis aos juros, como varejo, construção civil, consumo e parte do mercado imobiliário. Em contrapartida, o comunicado menos otimista reduz a convicção de que haverá um ciclo acelerado de flexibilização monetária. O mercado raramente discute o presente. Ele sempre negocia a próxima frase do Banco Central.

Na Magno Investimentos, esse episódio reforça uma convicção que carregamos há anos: patrimônio consistente não pode depender de acertar a próxima decisão do Copom. Estruturas patrimoniais sólidas são construídas para prosperar em diferentes cenários de juros, inflação e política econômica. A Selic muda oito vezes por ano. Uma arquitetura patrimonial bem construída atravessa décadas— aponta Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.

. Grupo Fatorial: — O Copom optou por uma postura mais conservadora, o que indica preocupação com a convergência da inflação para a meta. A manutenção da Selic não surpreende, mas reforça a mensagem de que o Banco Central ainda não vê espaço para novos cortes no curto prazo — afirma Paulo Cunha, sócio do Grupo Fatorial.

Comunicação do BC ganha peso no mercado — Mais do que a decisão sobre os juros, o mercado volta suas atenções para o comunicado divulgado após a reunião. O texto deve servir como principal guia para as expectativas de investidores, empresas e consumidores em relação aos próximos passos da política monetária.

Segundo Cunha, o Banco Central tende a manter um discurso firme enquanto não houver sinais mais consistentes de desaceleração da inflação.

—O comunicado indica que a autoridade monetária continuará dependente dos dados. A leitura é de que qualquer movimento futuro dependerá da evolução das expectativas inflacionárias, do comportamento da atividade econômica e das condições externas —avalia.

A manutenção da Selic em patamar elevado mantém o ambiente favorável para aplicações de renda fixa, ao mesmo tempo em que impõe um custo financeiro mais alto para empresas e famílias. O efeito dos juros elevados continua sendo um dos principais fatores de desaceleração do crédito e do consumo.

Para o segundo semestre, a expectativa do mercado é de que o Banco Central adote uma postura de observação, acompanhando de perto os indicadores de inflação, emprego e atividade econômica antes de discutir uma eventual retomada do ciclo de cortes.

—O recado do Copom é de prudência. O mercado deve interpretar a decisão como uma pausa prolongada, e não como uma etapa preparatória para reduções imediatas da taxa básica — conclui Paulo Cunha.

Grupo Fatorial — O Grupo Fatorial é uma empresa especializada em assessoria de investimentos credenciada pela XP Investimentos. Com atuação em Wealth Management, planejamento patrimonial, gestão de recursos e seguros, oferece soluções financeiras personalizadas para clientes de diferentes perfis e momentos patrimoniais.