Criações que merecem um dia na passarela da Semana da Moda Carioca e, Fluminense.
A “Alta Costura do Carnaval” ocupou o Rio Fashion Week, uma imersão no trabalho de Henrique Filho, responsável por alguns dos trajes mais emblemáticos das rainhas de bateria do Carnaval na Cidade do Rio de Janeiro. A curadoria foi de Gringo Cardia, cujo projeto foi idealizado pelo carnavalesco, comentarista, acadêmico, Milton Cunha, reforçando a conexão entre Moda e Carnaval. Mais do que espetáculo, o Carnaval do Rio de Janeiro é um dos maiores polos de criação de moda do país, ainda pouco reconhecido como tal. É a partir dessa perspectiva que o Rio Fashion Week apresentou a exposição “A Alta Costura do Carnaval”, de 14 a 18 de abril (terça a sábado), no Píer Mauá, Boulevard Olímpico, uma imersão no trabalho de Henrique Filho, responsável por alguns dos trajes mais emblemáticos das rainhas de bateria do Carnaval na Cidade do Rio de Janeiro.

— Esta é a primeira grande exposição do meu trabalho. É uma trajetória que começou há 50 anos, criando trajes para amigos que iam curtir o Carnaval em São Paulo e no Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro, meu primeiro desfile foi com a Portela, e minha primeira madrinha foi Luma de Oliveira. A partir daí, acumulei experiências criando para rainhas de bateria, mestre-sala e porta-bandeira, além de uma década dedicada à comissão de frente da Beija-Flor — revela o estilista Henrique Filho.
Com curadoria de Gringo Cardia, a mostra reúne 50 looks, entre figurinos e adereços de cabeça, usados por nomes como Sabrina Sato, Xuxa Meneghel, Anitta, Giovanna Lancellotti e Adriane Galisteu, entre outras, além de 17 criações apresentadas em fotografias de grande formato —cinco por seis metros—, assinadas por Priscila Prade. A exposição ocupou uma área de 750 metros quadrados no Píer Mauá, Boulevard Olímpico, entre os dias 15 e 18 de abril (quarta-feira a sábado).

A exposição propõe um reposicionamento: olhar para os barracões como verdadeiros ateliês de alta costura. —Henrique faz alta costura, de fato. Ele veste há anos as grandes musas do carnaval, é querido por todas, mas segue invisibilizado. Ainda existe a ideia de que o carnaval é apenas um evento quando, na verdade, é cultura — afirma Gringo Cardia.
Nesse contexto, os barracões surgem como as grandes escolas de belas artes do Brasil, onde se cruzam moda, escultura, pintura, música e performance. Uma produção coletiva e sofisticada que ganha as ruas por alguns dias, mas que poderia ocupar museus e passarelas ao redor do mundo.

— Minhas referências vêm do próprio Carnaval, da moda internacional, da natureza e do cinema. O processo de criação para madrinhas de bateria geralmente começa pelo material e se desenvolve em diálogo com o estilo de cada uma. A confecção é inteiramente artesanal, sempre com atenção à leveza e ao impacto visual. Já transitei pela alta-costura, moda noiva e festas, mas encontrei no Carnaval a minha grande paixão —diz Henrique Filho.
Ao aproximar o público desse universo, a mostra também revela o que raramente se vê: o processo. Durante os dias de exposição, cerca de 15 bordadeiras do ateliê de Henrique Filho realizaram bordados ao vivo, também mostra dos designers do carnaval, evidenciando o nível de técnica, precisão e tempo envolvidos em cada peça.

O espaço ficou lotado o tempo todo, e teve presença de Sabrina Sato em um dos dias. Os olhares, e elas, as fotos, filmes o tempo inteiro, podia ver o deslumbramento nos visitantes, em um breve resumo: — inacreditável beleza.
As opiniões eram sempre: a Semana da Moda no Rio de Janeiro deveria ter uma dia de desfile na passarela para as criações luxuosas do carnaval carioca, — parece que o primeiro passo foi dado para este parêntese de muita criativiade e beleza que se constrói por aqui.