A economista chefe do escritório, Mônica Araújo, repercutiu as falas dos presidentes do Federal Reserv (FED) e do Banco Central, Jerome Powell e Gabriel Galípolo, respectivamente. A executiva avaliou as análises dos presidentes sobre o cenário macroeconômico nacional e internacional.
— Hoje tivemos falas de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (FED), e de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, que trouxeram um pouco da leitura sobre o atual do cenário macroeconômico e a política monetária adotada.
A incerteza sobre o desdobramento do conflito prejudica uma visão prospectiva sobre a atividade econômica, sobre o mercado de trabalho e principalmente sobre a trajetória inflacionária. Portanto, as falas hoje indicam que, por enquanto, não há necessidade de mudança na condução da política monetária, que foi consenso na última reunião do comitê.
O presidente do Federal Reserv (FED), que participou no dia 30 de março (segunda-feira) de um debate na Universidade de Harvard, defendeu novamente que a inflação trazida pelas tarifas impostas por Donald Trump são transitórias, e que, portanto, a inflação americana tende a caminhar para a meta no médio prazo. Além disso, comentou que não identifica que há uma crise generalizada no mercado de crédito privado e indicou a necessidade de observar a evolução do choque de oferta do petróleo, advindo do conflito no Oriente Médio, não no curto prazo, mas nas expectativas de inflação num horizonte mais a frente. Além disso, destacou que o atual nível da taxa de juros, entre 3,5% e 3,75% é um bom ponto de partida considerando todos os eventos que estão se desenrolando no curto prazo. Ou seja, não vê ainda necessidade de mudança na taxa de juros, nem de alta e nem de baixa, apesar da alta de quase 50% no preço do petróleo nos últimos 30 dias.
O presidente do Banco Central(Bacen), Gabriel Galípolo, participou hoje de um evento em um banco brasileiro e reafirmou o que já tinha destacado na semana passada na apresentação do Relatório de Política Monetária do primeiro trimestre de 2026, que o nível de taxa de juros do Brasil comporta a posição cautelosa adotada pelo comitê para calibragem da Selic., Essa análise leva em consideração que, por ser exportador líquido de petróleo e estar com taxa de juros muito acima da neutra, ao contrário de alguns países desenvolvidos, coloca o Brasil numa posição que pode aguardar os desdobramentos do conflito e da trajetória do petróleo para mudar a trajetória de política monetária.
A partir dessas falas, e condicionado ao desdobramento do conflito no Oriente Médio, fica claro que o FED deve manter a taxa de juros no mercado americano estável e o Bacen deve manter trajetória de queda de 0,25% na próxima reunião. Essa percepção é diferente das falas de membros do Banco Central Europeu (BCE) e o Banco Central da Inglaterra(BoE) na semana passada que deram sinal claro de que havendo mudança na expectativa de inflação futura que estariam prontos para aumentar as respectivas taxas de juros, o que acabou pressionando ainda mais os preços dos ativos de risco.
A falta de visibilidade sobre a duração e a extensão do conflito no Oriente Médio e principalmente seus impactos no nível de atividade econômica geram desconfortos entre os bancos centrais, intensificam a volatilidade nos mercados e prejudicam a alocação de recursos dos investidores. Corrigindo a forte abertura nas curvas de juros das últimas semanas, mesmo sem nenhuma novidade de acordo de paz, as falas dos BC´s dos EUA e do Brasil podem contribuir para alguma reprecificação no mercado de renda fixa— conclui a análise, Mônica Araújo, economista chefe da InvestSmart XP.