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31/03/2026

Desemprego sobe para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, analisa InvestSmart XP

— O desemprego subiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, surpreendendo negativamente o mercado, que esperava alta menor, para 5,7%. A piora foi influenciada principalmente pelos setores de saúde, educação e construção.

No caso de saúde e educação, há um componente sazonal relevante, relacionado ao encerramento de contratos temporários no setor público no início do ano. Já a construção civil, além de também apresentar alguma sazonalidade, reflete um componente mais cíclico, por ser um setor sensível ao nível elevado de juros, dado o peso do financiamento nas atividades do setor.

Apesar da elevação da taxa de desemprego, a renda média da população segue renovando máximas, o que contribui para sustentar a demanda agregada, um dos principais canais de transmissão do mercado de trabalho para a inflação.

Assim, no consolidado, o mercado de trabalho ainda apresenta sinais de aquecimento, com a taxa de desemprego em patamar baixo, quando comparado a sua média histórica e a renda real em trajetória de alta.

Para o Copom, uma eventual desaceleração adicional do mercado de trabalho, especialmente via aumento do desemprego ou perda de dinamismo da renda, poderia reforçar o cenário de continuidade do ciclo de cortes da Selic. Isso ocorre porque um mercado de trabalho mais aquecido tende a amplificar efeitos secundários de choques inflacionários, como o recente movimento nos preços do petróleo, que segue como ponto de atenção para o Banco Central.

Atualmente, a curva de juros precifica um corte de 16 pontos para abril, indicando expectativas ainda divididas entre o corte de 25 pontos ou a manutenção nos juros— conclui a analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão.