Entretanto, o Irã está exigindo listas de tripulantes, listas de cargas e detalhes de navegação dos navios que pretendem transitar pela rota.
As potências ocidentais que buscam salvaguardar o trânsito de energia pelo Estreito de Ormuz enfrentam um cenário complexo, marcado pelo precedente do Mar Vermelho, onde uma operação internacional iniciada em 2023 envolveu o gasto de mais de US$ 1 bilhão em armamentos, o afundamento de quatro navios e, por fim, o inevitável e massivo redirecionamento das rotas marítimas. Essa experiência lança dúvidas sobre a viabilidade de proteger uma passagem ainda mais estratégica, por onde flui aproximadamente um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito, atualmente bloqueada pelo Irã.
O impacto já se faz sentir nos mercados de energia, com aumentos significativos nos preços do petróleo bruto na sequência de ataques à infraestrutura no Golfo e ameaças diretas ao Estreito. Neste contexto, o CEO da Kuwait Petroleum, Sheikh Nawaf Saud Al-Sabah, afirmou que —não há substituto para o Estreito de Ormuz. É o estreito mais importante do mundo, tanto em termos de direito internacional como em termos práticos— alertando que um bloqueio prolongado poderá intensificar a escassez e aumentar o preço não só da energia, mas também dos alimentos e de outros bens a nível global.
Em nível diplomático, o Conselho de Segurança da ONU está avaliando medidas para garantir a segurança da passagem, incluindo propostas que contemplam o uso da força. No entanto, especialistas alertam que o desafio operacional supera em muito a situação no Mar Vermelho, devido às capacidades militares do Irã, que incluem mísseis, drones, minas navais e uma geografia costeira que favorece ataques rápidos. —Defender as operações de comboios no Estreito de Ormuz é significativamente mais difícil do que no Mar Vermelho— observou o contra-almirante reformado Mark Montgomery.
O eventual destacamento de escoltas navais exigiria uma grande frota de navios de guerra, apoio aéreo constante e operações prolongadas de desminagem em um ambiente onde mesmo um incidente grave poderia ter consequências críticas. Analistas concordam que, mesmo com essas medidas, poderia levar meses para reduzir efetivamente a ameaça, mantendo a incerteza sobre uma das artérias mais importantes do comércio global de energia.
Restrições em Ormuz —Entretanto, os navios que pretendem transitar pelo Estreito de Ormuz sob proteção iraniana devem apresentar listas de tripulação e carga, detalhes de navegação e documentos comerciais para obter autorização da Guarda Revolucionária Islâmica. Esse processo, ainda irregular, demonstra o crescente controle de Teerã sobre essa rota estratégica, incluindo a cobrança seletiva de taxas — principalmente de petroleiros e embarcações que transportam cargas de alto valor — canalizadas por meio de intermediários.
Desde o início dos ataques dos EUA e de Israel, o trânsito marítimo foi drasticamente reduzido, com a maioria das embarcações sendo iranianas ou ligadas à China e navegando perto da costa iraniana. Embora o Irã afirme que a passagem permanece aberta para países “amigos”, a interrupção causou escassez de energia na Ásia — especialmente na Índia — e tensões sobre a liberdade de navegação, em um cenário em que a normalização dependerá do fim das ameaças militares na região.
Queda no preço do petróleo — Em outra frente, os preços do petróleo caíram quase 4% após relatos de que os Estados Unidos apresentaram ao Irã um plano de 15 pontos para encerrar o conflito, alimentando as expectativas de um possível cessar-fogo. O petróleo Brent caiu para US$ 100,53 por barril e o WTI para US$ 88,78 em um mercado altamente volátil que permanece vulnerável a novos aumentos de preços caso não haja progresso. O Irã negou a existência de negociações diretas, enquanto analistas alertam que a incerteza continuará a dominar os movimentos de preços.
O conflito praticamente paralisou o transporte de petróleo bruto e gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz, causando uma perda diária de quase 20 milhões de barris e constituindo, segundo a Agência Internacional de Energia, a maior interrupção de fornecimento já registrada. A situação impactou particularmente a Ásia, à medida que os países buscam medidas de mitigação e aumentam as rotas alternativas, em um cenário no qual a normalização dependerá de uma redução efetiva das tensões na região.