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19/12/2023

Agricultor familiar de Santo Antônio da Alegria produz o melhor café fermentado de São Paulo

E já levou dois prêmios. Tiago Rodrigues, de Santo Antônio da Alegria, venceu pela segunda vez o Concurso Estadual “Qualidade do Café de São Paulo, promovido pela Secretaria de Agricultura.

Tiago Rodrigues é um agricultor familiar, que ao lado do pai Sebastião e da irmã Valéria, produz café no município de Santo Antônio da Alegria, região da Alta Mogiana de São Paulo. —Nossa história no campo começou com o meu avô, Antônio Lúcio, que plantou a primeira lavoura de café em sua propriedade e passou pra gente todo o ensinamento. Eu cresci vendo meus pais trabalhando nos cafezais. A cafeicultura sempre fez parte da minha vida — relembra o produtor.

E a experiência do jovem agricultor está rendendo frutos. Em novembro, os grãos produzidos no sítio da família, o SR Santa Rita, venceu pela segunda vez o Concurso Estadual “Qualidade do Café de São Paulo”, na modalidade fermentado. De acordo com os organizadores, nesta edição 180 produtores de café disputaram em diversas categorias. Ao todo, foram analisadas 320 amostras de cafés, quase o dobro que a edição anterior.

Tiago Rodrigues conseguiu uma marca importante na avaliação dos jurados, 85 pontos, uma diferença pequena para o segundo colocado que obteve 83.40. “No meio de tantas amostras de todo o estado de São Paulo e ficar na primeira colocação, pelo segundo ano seguido, é uma emoção muito grande. Uma satisfação ainda maior foi receber o prêmio pelas mãos do governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas e do secretário de Agricultura e Abastecimento, Guilherme Piai,” ressalta Rodrigues.

Para o produtor de Santo Antônio da Alegria, o concurso, além de trazer visibilidade no mercado cafeeiro, também proporciona um direcionamento para a produção. —É muito importante participar e ver se o nosso trabalho está dando resultado. Isto só comprova que estamos no caminho certo e realizando um trabalho essencial— afirma Tiago Rodrigues, que produz as variedades Catuaí Amarelo, Arara e Catucaí 2SL em uma área de aproximadamente dez hectares.

A categoria vencida por Rodrigues, consiste em passar por um processo controlado de fermentação, trazendo mais complexidade ao seu sabor do café. Os grãos são colocados dentro de tambores e isolados, sem iluminação e oxigênio por quase cinco dias.

Um dos avaliadores do Concurso, o pesquisador científico e engenheiro agrônomo do Instituto Agronômico (IAC – APTA), Gerson Giomo ressalta que classificar os cafés fermentados não é uma tarefa fácil para os degustadores. —A percepção sensorial desses atributos pode ser positiva ou negativa, dependendo do tipo e grau de fermentação, da combinação entre eles e da intensidade com que se encontram. Boas fermentações preservam o corpo e a doçura natural e agregam sabores frutados, acidez cítrica e aromas florais ou de especiarias, melhorando a qualidade global da bebida —esclarece Giomo.

A região Alta Mogiana, onde fica o sítio da família, tem características que beneficiam o cultivo de café. O local possui uma área de planalto com montanhas com altitudes que variam de 900 a 1000 metros e temperaturas médias em torno dos 21ºC. A região é a maior produtora paulista de café e a terceira no âmbito nacional. Produz cerca de 3 milhões de sacas ao ano e envolve mais de 5 mil produtores.

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, através da Coordenadoria de Assistência Técnica Integrada (CATI), contribui diretamente para o desenvolvimento da produção local. Para o chefe da Casa da Agricultura de Santo Antônio da Alegria, Idelberto Miranda, as ações recentes da unidade em conjunto com o agricultor foram essenciais para a melhoria no cultivo da propriedade. —A CATI tem fornecido informações para que o produtor possa garantir a qualidade em sua produção. Como o Tiago é um produtor de cafés especiais e participa de inúmeras capacitações voltadas à produção, as informações que são repassadas para ele são incorporadas ao seu manejo. Exemplo prático foi a adoção de pó de rocha em substituição a adubação com cloreto de potássio, pois o potássio degrada a enzima polifenol oxidase que é responsável pela qualidade do café— detalha Idelberto Miranda.

—Café que vem da nossa família para a sua família! Carinho e cuidado do plantio à entrega”, esse é o slogan da empresa familiar. Vale destacar que o empreendimento está trabalhando com a marca própria, o Café Bartier, em homenagem à mãe de Tiago Rodrigues, Margarida de Fátima Rodrigues, que faleceu em 2011.

E o pequeno produtor de café já se prepara para a próxima edição do Concurso Estadual “Qualidade do Café de São Paulo”, nas categorias fermentação e via seca natural. Vamos esperar até novembro do próximo ano, quando está prevista a divulgação dos melhores cafés paulistas de 2024.