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15/10/2026

A coragem de ser quem se é começa na infância

Falar de desenvolvimento humano é imprescindível quando se trata de questões de acolhimento e orientação das crianças. As fases de amadurecimento de um indivíduo são bastante distintas e precisam ser observadas com um olhar atento e uma escuta ativa, respeitando as individualidades de cada um e a realidade do meio em que esse ser humano está inserido. Afinal, são fases desafiadoras e importantes na formação do caráter e da personalidade.

Sempre irão surgir inseguranças do tipo: qual é a melhor maneira de ajudar nossos filhos a construírem uma autoconfiança infantil e uma autoestima fortalecidas? Se eu disser que é fácil, estarei minimizando a questão, pois tudo o que envolve sentimentos e comportamento humano vem carregado de particularidades, uma vez que somos seres únicos e estamos em um constante processo de desenvolvimento físico e mental. Mas também não é um bicho de sete cabeças. O mais importante é entender as etapas do desenvolvimento infantil e o que cada uma delas representa. Nesse processo, vale destacar quatro dimensões importantes: física, cognitiva, social e afetiva, sendo as mudanças afetivas e cognitivas especialmente relevantes para o amadurecimento emocional.

Devemos ser facilitadores do desenvolvimento dessa criança, lembrando que o mais importante é respeitar seus limites. Cada uma vai se desenvolver em seu tempo. Somos seres únicos. Além disso, é preciso abrir o diálogo e permitir que ela tenha voz e possa se expressar, reconhecendo seus medos e angústias e encontrando caminhos para elaborar suas questões conscientes e inconscientes. O bom gerenciamento das emoções não significa reprimi-las.

A criança precisa encontrar abertura suficiente para expressar e compreender o que sente. Em vez de dizer “não chore” ou “controle-se”, acolha, procurando compreender as razões desse comportamento e auxiliando na busca de respostas adequadas para cada situação. Sempre tomando o cuidado para não ser invasivo ou limitar o desenvolvimento de sua autonomia. Seja um estimulador do autoconhecimento por meio da sua sensibilidade. Enfim, lembre-se: quando a criança enfrenta dificuldades, toda a família pode ser afetada. E, por trás de um comportamento, pode existir uma necessidade que precisa ser compreendida.

Um dos aspectos mais importantes no processo educacional de uma criança é o diálogo. Ele ajuda a compreender questões emocionais e sociais que devem ser levadas em conta quando a intenção é orientar e aproximar esse indivíduo de uma realidade que considere os valores da convivência em sociedade, além de ser um grande facilitador para a construção do senso crítico e da identidade pessoal.

Portanto, devemos sempre levar em consideração que estamos em um processo constante de desenvolvimento. Cada um com sua bagagem de vida, crenças e experiências particulares. Porém, não podemos deixar de considerar os valores éticos e morais que orientam a convivência e o respeito ao outro. Podemos e temos o dever de acolher e auxiliar essa criança, com nosso olhar atento e nossa escuta ativa, a gerenciar melhor seus sentimentos e aprender a identificar o que está sentindo, para que assim possa desenvolver autonomia e segurança em suas tomadas de decisão. Ou seja, a autoconfiança pode ser construída e fortalecida desde cedo, contribuindo para a formação de um adulto mais consciente de suas responsabilidades, de seus direitos e de suas próprias emoções.

• Por: Dra. Andrea Ladislau, psicanalista, neuropsicóloga e especialista em Saúde Mental.