lin-chia-iung

12/08/2026

Conexões em risco

Democracias reforçam proteção estratégica.

Você já parou para pensar em como a sua conexão de internet atravessa os oceanos? Longe dos olhos de todos, uma teia invisível de cabos submarinos e tubulações de energia repousa no fundo do mar, conectando continentes. Essas infraestruturas transportam quase a totalidade dos dados do planeta e garantem o funcionamento diário de bancos, redes elétricas e comunicações globais.

Nos últimos anos, uma onda de incidentes na Europa, no Atlântico Norte, na Ásia e no Pacífico acendeu o sinal de alerta entre os governos. Danos provocados por ação humana revelaram uma realidade clara: na era digital, quem controla esses fluxos invisíveis influencia o próprio funcionamento do mundo e o destino das nações. Assim, os cabos submarinos deixaram de ser meros equipamentos técnicos para se tornarem ativos estratégicos vitais da geopolítica mundial.

Nenhum lugar sente essa vulnerabilidade tão de perto quanto Taiwan. Por ser uma ilha, sua sociedade e sua economia dependem visceralmente dessas conexões para se integrar ao planeta. No início de 2025, o rompimento de cabos em nossa costa, envolvendo navios com vínculos chineses, evidenciou a gravidade desse perigo. O episódio expôs o uso de danos à infraestrutura submarina como uma “tática de zona cinzenta”: ações hostis que causam prejuízos intencionais sem acionar abertamente um confronto militar.

Uma pressão física que caminha ao lado de uma antiga pressão diplomática em que a China tenta alterar o status quo no Estreito de Taiwan e deturpa a Resolução 2758 da ONU para isolar a ilha. O risco, porém, afeta a todos: por ser um nó crucial das cadeias globais de suprimentos, qualquer interrupção nas conexões de Taiwan gera impactos sistêmicos na economia do planeta.

Para enfrentar esses riscos, Taiwan agiu com rapidez e aprovou reformas legais para reforçar a fiscalização e a proteção dessas redes. Além disso, assumiu o protagonismo internacional: em outubro de 2025, no Fórum de Segurança de Cabos Submarinos Taiwan-Europa, apresentei a Iniciativa RISK (Iniciativa de Gestão de Riscos para Cabos Submarinos Internacionais), proposta que conquistou o apoio imediato de 42 parlamentares europeus.

A Iniciativa RISK fundamenta-se em quatro pilares interconectados. O primeiro é a redução de riscos, focada no aprimoramento da capacidade de emergência e do suporte transnacional. O segundo é o intercâmbio de informações, voltado à troca contínua de inteligência sobre ameaças e alertas precoces. O terceiro promove a reforma sistêmica, revisando as regulamentações nacionais e internacionais frente a ameaças híbridas. Por fim, a construção de conhecimento foca na capacitação profissional e nos intercâmbios práticos entre equipes técnicas.

Para operacionalizar essa visão, Taiwan fomenta a cooperação em múltiplos níveis: político, administrativo e de inteligência. Em parceria sólida com os EUA, Japão, Austrália e países europeus, busca integrar a segurança dos cabos à agenda democrática global, compartilhar informações sobre embarcações suspeitas, aplicar novas tecnologias de proteção e utilizar a Estrutura Global de Cooperação e Treinamento (GCTF).

Os cabos submarinos são bens públicos globais e linhas vitais para as sociedades democráticas. Taiwan está pronta para atuar como nó central da rede internacional de segurança, salvaguardando as artérias estratégicas que mantêm o mundo conectado.

Por: Lin Chia-lung , ministro das Relações Exteriores de Taiwan.