sede-banco-daycoval

28/05/2026

IPCA-15 sobe 0,62%, alimentos frustram expectativa de alívio, aponta análise do Daycoval

—O IPCA-15 de maio foi divulgado no dia 27 de maio (quarta-feira), e registrou alta de 0,62%, com resultado acima da nossa projeção (0,53%) e refletindo nova surpresa altista nos preços dos alimentos— diz economista do Daycoval.

A seguir, os destaques do relatório: • O IPCA-15 de abril registrou alta de 0,62%, com resultado acima da nossa projeção (0,53%), e teve nova surpresa altista nos preços dos alimentos, com destaques para carnes vermelhas, leite e derivados, arroz e diversos itens da cesta in natura como batata-inglesa e tomate. No acumulado em 12 meses, a inflação atingiu 4,6%, situando-se acima do teto da meta de inflação.

• Este resultado, somado à persistência do conflito no Oriente Médio e à possibilidade de um clima mais adverso no 2° semestre com a ocorrência do El Niño, reforça o viés de alta para nossa projeção de inflação, atualmente em 4,7% ao final deste ano.

• Os preços administrados também apresentaram surpresa altista em função de arrefecimento menor em produtos farmacêuticos e elevação maior do que a esperada em energia elétrica. Do lado baixista, deflação observada maior em gasolina atuou para atenuar a pressão neste grupo.

• Já os bens industriais, vieram ligeiramente abaixo do esperado. Deflação em etanol, automóveis novos e usados, e eletrodomésticos foram os destaques baixistas.

• Sem apresentar supressas, o grupo de serviços registrou aceleração com retorno da passagem aérea para o terreno positivo. Além disso, os intensivos em trabalho continuaram exercendo pressão altista importante para os serviços.

• O núcleo de inflação, ainda que em linha com a expectativa, segue em patamar elevado e permanece constituindo desafio para o Banco Central.

O IPCA 15 de maio, divulgado também nesta ocasião pelo Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,62 acima da nossa projeção de 0,53 e reflete nova surpresa altista nos preços dos alimentos. A expectativa é que tivesse um arrefecimento maior dos preços dos alimentos em relação ao mês anterior, houve um arrefecimento, mas muito menor do que o esperado. Itens como as carnes vermelhas, leite derivado, arroz e diversos itens in natura como batata inglesa e tomate foram os destaques altistas do grupo.

No acumulado de 12 meses a inflação do IPCA 15 atingiu 4,6, resultado acima da meta de inflação e segue constituindo evidentemente um desafio para o Banco Central. Ainda em relação ao resultado em si, tanto grupo de serviço como o grupo de bens industriais tiveram resultado em linha com o que a gente esperava. Na parte de bens industriais, itens importantes como etanol, automóveis novos e usados e elétricos foram destaques com deflação, contribuindo para o grupo mais acomodado nesta leitura. Já os itens em serviços, acelera em relação, acelera em relação ao mês anterior, em especial pela volta das passagens aéreas por terreno positivo, mas o número em si veio em linha com o que a gente esperava. Entretanto, o grupo de serviços tem ainda os intensivos em trabalho, que é um subgrupo importante ligado à atividade econômica, e apesar de não apresentar alta deterioração adicional, segue em patamar elevado e continua constituindo também um desafio para o banco central.

E por fim, os administrados tiveram uma surpresa no altista, em especial, por conta de energia elétrica mais forte. Sabíamos que teria reflexo da bandeira amarela nesse mês, mas o número foi um pouquinho mais forte do que o esperado, o que inclusive contrabalanceou os efeitos da redução da queda do preço da gasolina no mês. Então, em linhas gerais, uma inflação que a despeito de, na parte de serviço, não apresentar deterioração adicional, segue em patamar elevado, constitui um desafio para o Banco Central.

—Nossa projeção atual para o final de ano da inflação é de 4,7% com viés de alta, tanto em função da persistência do conflito no Oriente Médio, quanto pela crescente possibilidade de um cenário climático, mas adverso no segundo semestre, com a ocorrência do El Niño — aponta Julio Cesar, economista do Daycoval.