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27/03/2026

Expansão acelerada das fontes eólica e fotovoltaica continua a impor desafios ao escoamento da energia produzida por usinas renováveis, diz Moody’s

—A expansão acelerada das fontes de energia eólica e fotovoltaica na matriz elétrica brasileira continua a impor desafios ao escoamento integral da energia produzida por usinas renováveis, de acordo com relatório da Moody’s Local Brasil. As elevadas restrições de operações por curtailment e maior volatilidade associada diminuem a previsibilidade da geração de caixa futura e tendem a pressionar as métricas de crédito das empresas não financeiras geradoras de energia e seus projetos, apesar dos avanços regulatórios recentes.

Restrições de operação por curtailment atingiram níveis recordes em 2025. Entre janeiro e dezembro de 2025, o Operador Nacional do Sistema (“ONS”) registrou uma Geração Não Realizada Apurada (“GNRa”) de 4,2 Gigawatts médios (“GWm”) e uma Geração Verificada de 16,0 GWm. Além do aumento progressivo dos níveis de corte ao longo do ano, o impacto deixou de se concentrar exclusivamente em usinas localizadas no Nordeste do país e passou a afetar também projetos situados no estado de Minas Gerais.

Embora haja avanços regulatórios positivos, persistem as incertezas que afetam a previsibilidade. Em novembro de 2025, foi promulgada a Lei nº 15.269, resultante da conversão da MP nº 1.304/2025, que estabelece o direito à compensação — mediante termo de compromisso firmado com o poder concedente — ao titular de usina eólica ou solar conectada ao Sistema Interligado Nacional (“SIN”), destinada à cobertura de custos associados à indisponibilidade externa e ao atendimento de requisitos de confiabilidade elétrica da operação desde 1º de setembro de 2023 até a entrada em vigor da Lei 15.269/2025. Embora a iniciativa represente um avanço relevante e componha parte da solução, ainda permanecem as discussões sobre critérios detalhados.

Melhora da previsibilidade requer o desenvolvimento de um conjunto de estratégias. Dentre as iniciativas em discussão, algumas são ações mais imediatas, como a maior flexibilização de térmicas, flexibilização do intercâmbio entre subsistemas e realização de leilão de baterias. Outras soluções possuem horizonte de médio e longo prazo, incluindo a expansão da infraestrutura de transmissão e o desenvolvimento de novos mercados consumidores, como data centers. Ainda assim, na avaliação da Moody’s Local Brasil, o curtailment tende a permanecer como uma condição à qual as companhias precisarão se adaptar nos próximos anos e a melhora da previsibilidade requer uma combinação de estratégias, além da necessidade de uma regulação clara e robusta.

Mitigadores de riscos de crédito em projetos e geradoras. Os principais mitigadores de risco de crédito nos projetos de geração incluem instrumentos como fianças bancárias, além de suporte de patrocinadores com elevada capacidade financeira. No entanto, em alguns casos, a frustração significativa de geração de caixa tem levado à necessidade de revisão de covenants financeiros e à implementação de novos mecanismos de proteção aos credores. As companhias geradoras, por sua vez, tendem a apresentar um perfil de liquidez mais robusto e melhor acesso ao mercado de capitais, o que lhes confere maior capacidade de absorver um período operacional mais desafiador, com o suporte de seus controladores. No entanto, essas companhias também vêm enfrentando uma desaceleração no ritmo de desalavancagem originalmente esperado, apesar de iniciativas internas voltadas à eficiência operacional— conclui análise da Moody’s.