Dos 12 membros do Fomc, 10 votaram pela manutenção.
O Federal Reserve (Fed), decidiu pela manutenção da taxa de juros no dia 28 de janeiro (quarta-feira), que segue na faixa de 3,50% a 3,75%.
A decisão não foi unânime. Dos 12 membros do FOMC (equivalente ao Comitê de Política Monetária no Brasil), dez votaram pela manutenção, incluindo o presidente Jerome Powell. Outros dois membros votaram pela redução de 0,25 ponto percentual na taxa.
A decisão vem em linha com a expectativa do mercado. Apesar da pressão do presidente Donald Trump pela queda da taxa de juros, 97% do mercado acreditava na manutenção.
Em apoio aos seus objetivos, o Comitê decidiu manter a meta para a taxa de juros básica (federal funds rate) entre 3,50% e 3,75%. Ao considerar a extensão e o momento de ajustes adicionais na meta para a taxa de juros, o Comitê avaliará cuidadosamente os dados recebidos, a evolução das perspectivas e o balanço de riscos. O Comitê está firmemente comprometido em apoiar o pleno emprego e em fazer a inflação retornar ao seu objetivo de 2%.
Ao avaliar a postura adequada da política monetária, o Comitê continuará monitorando as implicações das informações recebidas para as perspectivas econômicas. O Comitê estaria preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance das metas do Comitê. As avaliações do Comitê levarão em conta uma ampla gama de informações, incluindo leituras sobre as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, além de desenvolvimentos financeiros e internacionais.
Como votaram — Votaram a favor da ação de política monetária: Jerome H. Powell, presidente; John C. Williams, vice-presidente; Michael S. Barr; Michelle W. Bowman; Lisa D. Cook; Beth M. Hammack; Philip N. Jefferson; Neel Kashkari; Lorie K. Logan; e Anna Paulson. Contra, votaram: Stephen I. Miran e Christopher J. Waller, que preferiam reduzir a meta da taxa de juros básica em 0,25 ponto percentual nesta reunião.
Paula Zogbi estrategista-chefe da Nomad, analisa a reunião do FOMC (após a coletiva do Powell): — O FOMC cumpriu o script amplamente precificado ao manter os juros no intervalo de 3,5-3,75%, mas os dois dissidentes expõem uma dificuldade de tomada de decisão entre a visão majoritária de “soft landing perpétuo” e uma minoria preocupada com riscos inflacionários persistentes, em meio a dados mistos como desemprego em 4,1% e núcleo PCE acima de 2,6%, além das tensões políticas com Trump.
As projeções do dot plot mostram um Fed mais hawkish do que o consenso de mercado esperava, com mediana apontando para 3,25% ao fim de 2026, implicando apenas um ou dois cortes de 25 pontos-base ao longo do ano, contra os cerca de 75 bps já precificados pelo mercado, e uma dispersão maior no dot plot, com três ou quatro hawks sem qualquer corte previsto. Isso gerou reação imediata nos Treasuries, com o yield do 2 anos subindo 4 pontos-base para 4,1% e o do 10 anos avançando 6 pontos-base para 4,28%, achatando a curva de juros e sinalizando um “higher for longer” com controle implícito da curva de yields.
No mercado, o dólar ganhou força globalmente, enquanto o S&P 500 recuou 0,4% no intradiário com rotação de tech para value. Isso é reflexo da visão que o Fed pode ser mais duro daqui para frente, o que também levou a uma queda na cotação do ouro após a divulgação da decisão.
Na coletiva de imprensa, o presidente Powell reforçou a saúde do mercado de trabalho e da economia, que provavelmente foi um dos fatores mais relevantes para a opção pela estabilidade da taxa de juros, junto com riscos considerados assimétricos para cima sobre os preços de serviços. A postura de “data dependent” foi mantida, com ênfase no compromisso com o duplo mandato da instituição. Novamente, ele descreveu ações do governo como “tentativa de intimidação” para baixar juros, defendendo decisões baseadas em dados econômicos, não preferências presidenciais— conclui a análise.
Resolução do Fed, analista da Blue3 Investimentos comenta: — O Banco Central americano faz a manutenção de juros após três cortes realizados no ano passado. Lembrando que essa decisão vem em linha com o que o mercado esperava. Isso reflete além das condições macroeconômicas dos Estados Unidos a própria questão recente do embate de Trump com o Jerome Powell.
Então o que é importante lembrar que o mercado ele já começou a trabalhar com essa possibilidade em dezembro de 2025 após a última decisão de juros quando Jerome Powell e o colegiado sinaliza ali no livro Beige que eles não tinham dados atualizados por conta do Shutdown para fazer qualquer modificação em relação aos próximos direcionamentos da taxa de juros. Então eles fizeram um ajuste de 0,25 mas colocava ali esse stand by para as próximas decisões. Então eles até sinalizavam que o que eles tinham de dados mais atualizados mostrava uma inflação para cima com o mercado de trabalho para baixo.
Então que a manutenção seria um horizonte mais esperado. E na reunião agora do dia 28 ali na decisão ele segue esse direcionamento e faz a manutenção no nível de taxa atual estabelecido em dezembro e todo esse movimento de cortes que foi iniciado em setembro ele é pausado. E isso acontece em meia pressões políticas.
Então o Trump tentou fazer esse aceleramento para afrouxar o ambiente monetário porque ele vinha sinalizando que seria extremamente importante para a economia norte-americana. A taxa de juros hoje lá fora mostra e vai ser importante para definir o rumo do capital dos investidores. Então a gente viu uma fuga muito grande em relação aos Estados Unidos também por conta de taxa de juros.
E agora fazendo essa manutenção isso pode fazer com que mais recursos que antes estavam saindo principalmente para as economias emergentes voltem a apostar no ambiente de renda fixa. Então títulos do Tesouro Americano por exemplo como as trágicas podem ser mais atraentes nesse cenário de maior risco. Parte de Bolsa já vem ali com um bom patamar.
A Bolsa lá fora também está com um bom movimento mas países emergentes acaba ficando mais atrativo. Mas o fato é que esse nível de juros volta ali para o investidor ele começar a repensar nesse ambiente de renda fixa. Então o comunicado mostra que a decisão foi uma avaliação da atividade econômica que segue na expansão em um ritmo bastante consolidado enquanto o mercado de trabalho sinalizou com uma estabilização.
Então tanto ali a parte de ganho de emprego ficou mais baixo e taxa de desemprego relativamente estável. E ele destacou também a questão da inflação. No comunicado ele coloca que ela está um pouco elevada e que isso traria um grau de incerteza sobre o cenário econômico ainda bastante elevado.
Então eles optaram por essa cautela para fazer uma manutenção da política monetária. Importante reforçar que em relação a essa decisão ela não foi unânime. E aí é importante também observar que Christopher Waller que foi um dos diretores que está mais alinhado com a política de Trump foi um dos que seguiu na votação para fazer corte.
Então ele votou na reunião de hoje por um corte de 0 25. Só que o fato de não ter sido unânime não foi exclusiva dessa reunião. Então desde setembro do ano passado também não vem tendo essa unanimidade entre os membros.
Então ali na primeira reunião desse ano além de Christopher Waller nós vimos também o Stef Miro também votar por um corte de 0 25. E o mais importante também em relação a isso é que o comunicado não trouxe nenhuma sinalização explícita ou seja clara sobre o novo direcionamento para a próxima reunião. Se a gente vai seguir ali com mais algum cortes na próxima reunião mas ele sinalizou que vai acompanhar ali todo esse movimento e o efeito dessa decisão em relação a uma necessidade de ajustes adicionais.
Então acaba de sinalizando que pode ser que venha mais uma manutenção a depender dos dados econômicos do balanço de risco — conclui Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos.