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29/01/2026

Copom mantém a taxa Selic em 15% ao ano, diz BC

O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica, diz o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, no dia 28 de janeiro (quarta-feira).

De acordo com o Comitê, em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.

Expectativas — As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência.

Riscos — Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

Cautela, mas pode ter corte na Selic na próxima reunião em março — O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

. Selic a 15% testa limites do Banco Central, observam analistas: — Previsibilidade e manutenção dos juros funcionam como âncora em períodos de indefinição. Para o investidor, o momento pede foco em estruturas capazes de atravessar o ciclo sem depender de timing, com gestão ativa de risco e liquidez — diz Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

—Ao manter a Selic, em linha com a decisão do Fed, o Copom transfere o centro da análise do nível da taxa para a expectativa sobre o próximo movimento. O risco de descompasso monetário permanece contido, mas passa a ser monitorado pela comunicação e pela leitura de dados prospectivos. O câmbio tende a apresentar comportamento mais técnico, oscilando conforme o humor externo e a percepção de risco global. O fluxo de capital se torna mais seletivo, favorecendo mercados que oferecem previsibilidade e clareza de política econômica. Na curva de juros, o foco é nos ajustes, refletindo apostas sobre o início do ciclo de flexibilização. Para o investidor, o momento pede cautela ativa, manter portfólios equilibrados, diversificar exposições e aguardar sinais mais claros antes de fazer movimentos estruturais — observa Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

—Em fases em que a política monetária entra em modo de observação, o mercado deixa de reagir à taxa e passa a precificar coerência. Com Selic e Fed mantidos, o risco de descompasso monetário não se manifesta de forma imediata, mas fica condicionado à leitura sobre quem ajustará primeiro e sob quais condições. O câmbio tende a se comportar de maneira mais sensível a mudanças de narrativa e dados externos do que a fatores domésticos pontuais. O fluxo de capital assume perfil mais técnico, buscando previsibilidade de retorno e menor assimetria negativa. Previsibilidade e manutenção dos juros funcionam como âncora em períodos de indefinição. Para o investidor, o momento pede foco em estruturas capazes de atravessar o ciclo sem depender de timing, com gestão ativa de risco e liquidez — adianta Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

—Com Copom e Fed mantendo as taxas, o risco de o Brasil enfrentar um descompasso monetário nos próximos meses permanece controlado e passa a depender muito mais da comunicação e do ritmo esperado dos próximos movimentos do que do nível atual da Selic. A manutenção simultânea tende a preservar o diferencial de juros e reduz a probabilidade de pressão abrupta no câmbio, que passa a reagir mais a dados externos e à percepção de risco do que a um desalinhamento entre políticas monetárias. O fluxo de capital segue ancorado na previsibilidade, com espaço para entradas seletivas em renda fixa e ativos domésticos quando o ambiente global favorece risco. Na curva de juros, o impacto costuma ser segmentado, os vértices curtos refletem o debate sobre quando começa o ciclo de cortes, enquanto os prazos mais longos respondem à confiança do mercado na condução da política monetária e na trajetória da inflação. Nesse cenário, o ambiente macro oferece estabilidade suficiente para decisões de investimento mais racionais, com foco em eficiência, execução e qualidade dos fundamentos — acredita João Kepler, CEO da Equity Group.

—A manutenção da Selic reflete a leitura do Banco Central de que, embora a inflação corrente venha mostrando desaceleração, as expectativas seguem acima da meta central, especialmente no horizonte relevante da política monetária. Os dados mais recentes indicam inflação projetada ainda próxima do limite superior do intervalo de tolerância, além de núcleos e inflação de serviços com comportamento resiliente. Ao mesmo tempo, a atividade econômica desacelera de forma gradual, sem sinais de contração abrupta, o que permite ao Copom adotar uma postura de espera. No cenário externo, a decisão também dialoga com um FED que mantém juros elevados por mais tempo, reforçando a cautela e evitando um descompasso monetário prematuro— diz Peterson Rizzo, gerente de R.I da Multiplike.

—Após um longo período de decisões restritivas, a pausa simultânea dos bancos centrais muda a forma como o mercado precifica risco. Em um ambiente em que Copom e Fed optam por não se mover, o mercado passa a operar menos por decisões e mais por expectativas. O risco de descompasso monetário permanece contido, mas fica condicionado à leitura sobre quem iniciará a mudança de ciclo primeiro. O câmbio tende a responder mais a dados globais e ao humor externo do que a fatores domésticos imediatos. O fluxo de capital se torna mais técnico e seletivo, favorecendo mercados e empresas que oferecem clareza de fundamentos. Na curva de juros, o ajuste se concentra onde o mercado testa cenários de transição. Para o investidor em startups, esse é um cenário de consolidação, com foco em eficiência, governança e crescimento sustentável, mais do que em expansão acelerada— continua Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest.

—As decisões desta Superquarta reforçam um cenário de cautela coordenada entre as principais autoridades monetárias. Tanto o Federal Reserve quanto o Copom optaram por manter suas taxas de juros inalteradas, sinalizando que, apesar dos avanços recentes no controle inflacionário, ainda não há espaço para uma flexibilização prematura da política monetária. No caso do Federal Reserve, a manutenção dos juros reflete a necessidade de observar por mais tempo a convergência da inflação para a meta, especialmente diante de um mercado de trabalho ainda resiliente e de incertezas no cenário global. Já no Brasil, a decisão do Copom reforça o compromisso com a ancoragem das expectativas, em um contexto em que a inflação segue em níveis elevados em termos acumulados e a descompressão dos núcleos ocorre de forma gradual. Diante desse quadro, o risco de um descompasso monetário relevante entre Brasil e Estados Unidos nos próximos meses permanece limitado. Com ambas as autoridades adotando uma postura conservadora e dependente de dados, o diferencial de juros tende a se manter relativamente estável no curto prazo, reduzindo pressões adicionais sobre o câmbio e ajudando a preservar a atratividade relativa dos ativos brasileiros — prevê Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

—A manutenção da Selic pelo Copom, após a decisão do Fed, sinaliza uma postura de cautela e leitura mais fina do ciclo monetário. O Banco Central opta por observar os efeitos defasados da política já contracionista, enquanto monitora a dinâmica inflacionária e o ambiente externo. Aqui, o risco de descompasso monetário existe, mas é administrável. Caso o Fed permaneça restritivo por mais tempo, o diferencial de juros pode se estreitar marginalmente, exigindo atenção redobrada ao comportamento do câmbio e aos fluxos de capital. Ainda assim, o Brasil segue oferecendo juros reais elevados, o que funciona como colchão de proteção. A curva de juros tende a ganhar estabilidade, especialmente nos vértices intermediários, enquanto o câmbio pode apresentar volatilidade pontual, mais sensível ao noticiário externo do que a fatores domésticos. Trata-se de um cenário de espera ativa, em que a credibilidade da política monetária será testada pela comunicação e pela coerência das próximas decisões — prevê André Matos, CEO da MA7 Negócios.

—Após um período prolongado de aperto monetário, o mercado começa a prestar mais atenção nos sinais de pausa do que em novas decisões. Com Copom e Fed deixando as taxas inalteradas, o mercado entra em um período em que a atenção se desloca do presente para o futuro da política monetária. O risco de descompasso monetário não é imediato, mas se constrói lentamente a partir da dúvida sobre quem se moverá primeiro. Nesse ambiente, o câmbio tende a operar em bandas mais estreitas, porém sensível a mudanças sutis de discurso ou dados inesperados. O fluxo de capital deixa de ser direcional e passa a ser oportunístico, buscando eficiência e assimetria de retorno. Para o investidor, é um momento de menos convicção e mais estratégia, priorizar portfólios flexíveis, instrumentos líquidos e exposição equilibrada — ressalta Fábio Murad, economista e CEO da Super-ETF Educação.

. Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, faz uma análise sobre a decisão: — O Copom decidiu manter a taxa básica de juros inalterada em 15,00% a.a., conforme amplamente esperado. Esperava-se alguma alteração na comunicação do BC, indicando um possível início de flexibilização na próxima reunião. Havia diversas opções possíveis na mesa, mas os membros do comitê escolheram a mais clara possível, voltando a usar o “forward guidance”. Ou seja, o Copom escreveu que antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar o processo de corte de juros na próxima reunião, que acontecerá em março. O BC reforçou, entretanto, que manterá a serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução do cenário econômico nos próximos meses. Mantemos nossa visão de que o BC cortará a Selic em 0,50p.p. para 14,50% a.a. na reunião de março, mesmo indicando hoje uma maior cautela em relação ao possível ritmo de ajuste— conclui o analista.

. Felipe Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos também faz análise, sobre o Copom de manter a taxa Selic: — Copom manteve a taxa Selic em 15%, conforme esperado. Não houve alteração no balanço de riscos da autoridade monetária para o cenário de inflação. Contudo, o comunicado abriu espaço para corte de juros em março ao salientar que “em se confirmado o cenário esperado” o BC antevê espaço para iniciar a flexibilização monetária na próxima reunião, ainda que vá manter a taxa básica em patamar adequadamente restritivo para assegurar a convergência da inflação à meta— conclui o executivo.

. Bruna Centeno, economista, sócia e advisor na Blue3 Investimentos, também analisa a decisão do Copom: — O Banco Central americano faz mais uma decisão de juros em meio no mercado bastante agitado e a Selic fica em 15%. Então o positivo que vai vir em linha com o que o mercado esperava é de fato o Tom mostrando uma flexibilização o que pode indicar que para março venha um primeiro corte de juros na economia brasileira. Mas o que é importante entender sobre essa magnitude é que não vem algo tão expressivo como o mercado chegou a apurar de 0,5% porque na ata ele chegou a reforçar que o cenário doméstico ainda vem apresentando ali uma atividade econômica resiliente com o mercado de trabalho também resiliente e que a inflação cheia que é o principal ponto que ele observa apesar do arrefecimento ainda mantém acima da meta de inflação inclusive ele reforça que para 26 e 27 o boletim Focus traz ali 4 e 3 8 3.8 respectivamente e que isso não seria o horizonte saudável olhando a composição principalmente do núcleo da inflação.

Ele reforça que os riscos de inflação eles seguem mais elevados que o usual então está ali na primeira linha em relação à justificativa e que entre o balanço do cenário inflacionário expectativa de inflação ele vem observando cada vez mais essa desancoragem em período mais prolongado que o usual e que essa resiliência faria ali principalmente na ponta dos serviços um conjunto de política monetária somado ao ambiente externo ainda no ambiente restritivo. Então esse análise que vai acompanhar os impactos principalmente do contexto geopolítico que agora passa a gente sabe passa a fazer mais peso em cima dos dados mas que ele entende também que apesar da manutenção dessa decisão existe ali a possibilidade. Ele até coloca ali que o comitê antevê que se confirmando esse cenário esperado de uma inflação convergindo para a meta existe a possibilidade de iniciar a flexibilização na próxima reunião.

Só que ele reforça que essa restrição depende de assegurar a convergência da inflação a meta. Então por conta exatamente disso dessa desse tom mais moderado mas esse adentro porém desse reforço a gente entende que o que ali a magnitude do ciclo vem ali muito mais ali próximo a um 0 25 do que um 0 meio. Mas por si só já tende a trazer ali um ânimo e um fôlego maior para o mercado que esperava exatamente esse tom de flexibilização.

Então isso aí foi um tom positivo no mercado isso tende a mexer com curva de juros amanhã e impulsionar ainda mais esse ambiente de Bolsa. Apesar ainda de a gente trabalhar com uma selic elevada e reforço que esse comunicado essa decisão foi unânime então que mostra que o elogiado eles ainda seguem bastante juntos ali nas decisões diferente do que nós vimos ali no Banco Central americano— conclui a executiva da Blue3 Investimentos.

. Banco Central mantém Selic e explicita compromisso com corte de juros à frente, aponta Daycoval: — Em relação ao diagnóstico do Banco Central, não teve alteração, na verdade alterações muito marginais. O cenário internacional segue sendo visto como incerto, a atividade doméstica, na opinião do Banco Central, arrefece, mas tem algumas resiliências, como no mercado de trabalho, a inflação cedeu, mas segue acima da meta, as expectativas de inflação seguem desancoradas. Então, não teve uma alteração substancial do cenário, um cenário ainda que exigiria cautela por parte do Banco Central.

Entretanto, no último parágrafo, o Banco Central dá pistas do que é o plano de voo. Fala abertamente que antevê que o ciclo de redução da taxa Selic deve ser iniciado na próxima reunião, caso tudo aconteça como imaginado. Nosso cenário base já contemplava que a Selic seria reduzida em março, nossa expectativa de que o corte fosse de 0,25, mas a gente não imaginava que o Banco Central teria um compromisso tão explícito assim na comunicação da reunião agora de janeiro. Então, ainda que não tenha surpresa, a gente foi surpreendido marginalmente com essa comunicação mais clara, mais explícita, assumindo esse determinado compromisso, claro, caso as coisas se desenrolem como imaginado.

No nosso cenário não houve implicação relevante, a gente já tem um ciclo que tem ritmo com serenidade, assim como magnitude. Na nossa opinião, a queda de março será de 25, seguida de outra queda de 25 em abril, para aí sim ter espaço para acelerar para 50, chegando em 12% ao final do ano.

Então essas são as nossas primeiras impressões da comunicação do Banco Central. A decisão em linha com o esperado, manutenção de 15, porta aberta e a sinalização mais explícita de que os juros devem ser reduzidos em março, mas isso deve vir num ritmo como já era no nosso cenário base, iniciando com 25, muito possivelmente, pelo menos na reunião de março e de abril, que a gente mantém nossa expectativa de 12% ao final do ano— conclui a análise do banco.