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07/11/2026

Reforma tributária em 2027 pode aumentar demanda por crédito e pressionar caixa das empresas, dizem especialistas

— O problema será maior para pequenas e médias empresas, que têm menos acesso a financiamento barato. Vejo a reforma como positiva para a eficiência da economia no longo prazo, mas a transição exigirá cautela — indica Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

— A reforma tributária tende a beneficiar quem hoje acumula imposto ao longo da cadeia e não consegue recuperá-lo, e a indústria é a principal ganhadora: com o direito a crédito sobre praticamente tudo o que compra, o imposto deixa de se acumular a cada etapa, e investimentos e exportações ficam desonerados. Agronegócio, alimentos, saúde e educação também saem relativamente protegidos, com alíquotas reduzidas e a cesta básica com alíquota zero. Quem mais tende a pagar a conta é o setor de serviços, principalmente as empresas que usam muita mão de obra e poucos insumos, porque têm pouco crédito para abater, além dos produtos sujeitos ao novo Imposto Seletivo, como cigarros e bebidas alcoólicas. O risco mais subestimado, porém, está no caixa. Com o split payment, o imposto passa a ser separado no momento do pagamento, e a empresa perde o prazo que tinha para recolhê-lo, um dinheiro que hoje funciona como capital de giro sem custo. Entidades empresariais estimam uma redução de 9% a 12% no dinheiro disponível no início da transição, podendo chegar a 28% no final, e o efeito real vai depender da rapidez com que o governo devolver os créditos. Com a Selic em 13,75% e bancos mais seletivos, cobrir essa diferença com empréstimo fica caro, sobretudo para as empresas menores. A reforma é positiva no longo prazo, mas, no curto prazo, a combinação de juros altos e mudança no caixa pode levar mais empresas a buscar crédito ou até reestruturação — analisa André Matos, CEO da MA7 Capital.

— A indústria e os exportadores tendem a ser os maiores beneficiados pela reforma tributária, principalmente pela possibilidade de recuperar impostos pagos ao longo da cadeia produtiva. Já os setores de serviços, especialmente aqueles que dependem muito de mão de obra, poderão enfrentar uma carga tributária maior. Mas acredito que o principal risco está no fluxo de caixa das empresas. A reforma muda não apenas quanto se paga de imposto, mas também como e quando ele é recolhido. Isso pode exigir mais capital de giro e aumentar a necessidade de crédito, justamente em um momento de juros elevados. O problema será maior para pequenas e médias empresas, que têm menos acesso a financiamento barato. Vejo a reforma como positiva para a eficiência da economia no longo prazo, mas a transição exigirá cautela — aponta Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos

— A reforma tributária representa uma oportunidade de modernização do ambiente empresarial brasileiro em um momento de crescente competição internacional por investimentos. Com o FMI projetando crescimento mundial de 3,4% em 2027, a capacidade de reduzir burocracias e aumentar a produtividade será decisiva para a competitividade do país. A unificação gradual dos tributos sobre o consumo também abre espaço para soluções tecnológicas que simplifiquem pagamentos, processos fiscais e operações comerciais.—Uma reforma dessa dimensão precisa ser avaliada pela capacidade de facilitar a criação e a expansão de empresas. Quanto menor a complexidade operacional, maior a possibilidade de direcionar recursos para inovação, tecnologia e crescimento—afirma Antônio Patrus. O executivo também destaca as oportunidades para o venture capital. —Transformações estruturais criam demandas por novas soluções. Startups capazes de resolver problemas tributários, financeiros e operacionais terão espaço para desenvolver negócios escaláveis e atrair investidores conclui — Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest

A entrada em vigor da reforma tributária ocorre em um cenário de crédito ainda caro no Brasil. Com a Selic em 13,75% ao ano e expectativa de juros de 12,5% ao final de 2027, empresas precisarão conciliar a adaptação às novas regras com o planejamento de investimentos e capital de giro. Setores como construção civil, indústria e agronegócio exigem atenção especial porque trabalham com ciclos financeiros prolongados e necessidade constante de financiamento.—A reforma tributária precisa caminhar ao lado de condições que favoreçam o investimento produtivo. Empresas que trabalham com projetos de longo prazo dependem de previsibilidade tributária e acesso a recursos compatíveis com sua capacidade de pagamento —explica Alberto Friggi. Para o executivo, o planejamento financeiro será determinante. —O crédito estruturado e as operações com garantias reais oferecem alternativas para organizar investimentos e ampliar a liquidez. O fundamental é escolher estruturas adequadas ao prazo e à finalidade de cada projeto — indica Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco

A reforma tributária representa uma transformação na infraestrutura financeira brasileira. Com previsão de arrecadação de R$ 636 bilhões pela CBS em 2027, o novo sistema exigirá maior integração entre informações fiscais, registros financeiros e mecanismos de controle. Em um cenário de Selic a 13,75%, segurança jurídica e previsibilidade tornam-se fundamentais para atrair investimentos. No mercado de capitais, a transição exigirá atenção às regras específicas aplicáveis a fundos estruturados, especialmente FIDCs, FIIs e Fiagros.— A reforma não deve ser analisada apenas pela substituição de impostos, mas pela capacidade de tornar as operações financeiras mais transparentes e eficientes. Quanto maior a integração entre informações fiscais e financeiras, melhores serão as condições para avaliar riscos e estruturar investimentos —afirma Edgar Araújo. Para o executivo, a modernização tributária também reforça a importância da governança. —O mercado de capitais depende de confiança, rastreabilidade e segurança operacional. Uma transição bem executada contribuirá para fortalecer esses fundamentos — sugere Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos

O principal desafio da reforma tributária será compreender como as novas regras modificarão a circulação de recursos dentro das empresas. A implementação da CBS em janeiro de 2027, associada à futura adoção do split payment, amplia a necessidade de integrar pagamentos, informações fiscais e gestão de caixa. Com juros de 13,75% ao ano, administrar recebíveis, aproveitar créditos tributários e planejar o capital de giro será ainda mais relevante para a competitividade empresarial. — A reforma tributária coloca a gestão financeira no centro das decisões estratégicas. As empresas precisarão compreender não apenas quanto recolhem de impostos, mas como cada operação influencia sua liquidez e capacidade de investimento — analisa Letícia Moschioni. Segundo a executiva, a transformação também favorece a integração de serviços financeiros aos negócios. — Empresas que conectarem pagamentos, crédito e tecnologia à operação comercial terão mais instrumentos para melhorar a eficiência e desenvolver novas fontes de receita— ensina Leticia Moschioni, sócia da Finscale

A implementação da reforma tributária será acompanhada por investidores internacionais em um cenário de crescimento global moderado. O FMI projeta expansão de 3,4% da economia mundial em 2027, enquanto o Brasil enfrenta juros elevados e incertezas sobre a trajetória fiscal. A simplificação dos impostos sobre o consumo representa um avanço estrutural, mas seus efeitos sobre o câmbio, os investimentos e a produtividade dependerão da execução das novas regras e da confiança dos agentes econômicos.—O investidor estrangeiro observa a capacidade do país de oferecer estabilidade e previsibilidade. Uma reforma bem implementada contribui para melhorar a percepção sobre o ambiente de negócios, embora não elimine os riscos associados à política fiscal e ao cenário internacional— explica Fábio Murad. Para ele, a diversificação continua essencial. —Ter parte do patrimônio em ativos internacionais permite acessar diferentes economias e moedas, reduzindo a concentração de riscos em um único mercado — salienta Fábio Murad, consultor da Wiser Asse.

A reforma tributária chega em 2027 em um cenário de transformações na economia global, avanço da inteligência artificial e maior competitividade entre empresas. No Brasil, a substituição do PIS e da Cofins pela CBS exigirá dos empreendedores capacidade de adaptação, planejamento e compreensão das novas regras. Com a transição prevista até 2033, o desafio será construir negócios preparados para acompanhar mudanças regulatórias e identificar novas oportunidades de mercado.—Empreender em 2027 exigirá muito mais do que uma boa ideia. O empresário precisará compreender as transformações do mercado, antecipar tendências e tomar decisões estratégicas. A reforma tributária reforça a importância de formar líderes que saibam lidar com mudanças e transformar desafios em oportunidades — afirma Lucas Minucci, professor de administração financeira da PIB The New College . Para os CEOs, competências como liderança, pensamento crítico, inovação e domínio de novas tecnologias ganharão importância. A reforma também abre espaço para startups que desenvolvam soluções de gestão, automação e simplificação de processos. A expectativa de redução da complexidade tributária no longo prazo representa uma oportunidade para empresas que buscam ampliar suas operações e alcançar novos mercados.—O CEO do futuro não será apenas um administrador, mas um profissional capaz de liderar pessoas, interpretar cenários e executar estratégias. O Brasil precisa preparar empreendedores para resolver problemas reais, porque são justamente os períodos de transformação que abrem espaço para novos modelos de negócios — adianta Lucas Minucci, professor de administração financeira da PIB The New College.