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23/10/2026

EUA firma acordo com o Paraguai para uso de energia de Itaipu em projeto de inteligência artificial

Acordo entre empresas americana e paraguaia prevê infraestrutura de processamento de dados abastecida pela hidrelétrica; operação inicial está prevista para 2027.

Os Estados Unidos anunciaram no dia 21 de outubro (quarta-feira) uma parceria entre a empresa norte-americana Crusoe e a paraguaia Araico para desenvolver uma infraestrutura de processamento de dados de alto desempenho abastecida por energia da usina hidrelétrica de Itaipu. O empreendimento será instalado no Paraguai, na região de influência da usina binacional, compartilhada com o Brasil.

O acordo foi divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano durante a visita oficial do subsecretário de Estado Christopher Landau ao Paraguai, entre os dias 19 e 21 de outubro(segunda a quarta-feira), em reunião com o presidente Santiago Peña e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano. Segundo o governo dos Estados Unidos, a primeira etapa da operação está prevista para meados de 2027 e deverá atender clientes de computação em nuvem dos Estados Unidos e da América Latina.

A parceria foi apresentada como um dos novos compromissos econômicos entre os governos de Donald Trump e Santiago Peña. O comunicado norte-americano afirma que o empreendimento tem potencial para se tornar um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai, mas não informa o valor total previsto nem a quantidade de energia necessária para o funcionamento da estrutura.

Energia de Itaipu será utilizada em infraestrutura tecnológica — A Crusoe atua no desenvolvimento de infraestrutura de computação de alto desempenho, incluindo sistemas utilizados em inteligência artificial. A Araico é uma empresa paraguaia do setor de energia e infraestrutura.

A proposta é aproveitar a disponibilidade de energia hidrelétrica para alimentar equipamentos de processamento de dados, que exigem fornecimento contínuo de eletricidade e sistemas de refrigeração.

Embora o projeto esteja localizado no Paraguai, a iniciativa envolve diretamente Itaipu, empreendimento binacional situado na fronteira com Foz do Iguaçu. Pelo Tratado de Itaipu, Brasil e Paraguai têm direito, cada um, a 50% da energia produzida pela usina.

A empresa esclareceu que a recepção de autoridades estrangeiras pode ser realizada por qualquer um dos países-sócios, sem necessidade de autorização prévia da outra parte.

Itaipu também destacou que não interfere na demanda nacional de energia de cada país. A aquisição e a distribuição da eletricidade produzida pela hidrelétrica são realizadas pelas entidades responsáveis no Brasil e no Paraguai, conforme as regras estabelecidas pelo tratado binacional.

Dessa forma, o anúncio não representa um contrato firmado diretamente pela direção brasileira de Itaipu com as empresas envolvidas.

Representante dos EUA visitou a hidrelétrica — Ainda na ocasião. Christopher Landau visitou as instalações de Itaipu acompanhado do presidente paraguaio, Santiago Peña, e do diretor-geral paraguaio da usina, Justo Zacarías Irún. A comitiva percorreu estruturas da hidrelétrica, incluindo o vertedouro e a casa de máquinas. Durante a visita, Landau destacou a dimensão da obra e sua importância para a engenharia mundial.

A passagem do representante norte-americano pela região também incluiu uma agenda de segurança. No meso dia, Christopher Landau acompanhou o presidente paraguaio, Santiago Peña, em uma visita à nova Companhia Contraterrorista das Forças Armadas paraguaias, instalada em Ciudad del Este. A estrutura recebeu apoio dos Estados Unidos na capacitação dos militares e integra as ações de enfrentamento ao terrorismo e ao crime organizado na Tríplice Fronteira.

Projeto amplia interesse internacional pela energia da região — A confirmação da parceria entre Crusoe e Araico representa um novo desenvolvimento do projeto de infraestrutura tecnológica anunciado anteriormente no Paraguai. A iniciativa reforça o interesse de empresas internacionais na utilização da energia produzida por Itaipu para atividades de alto consumo elétrico, especialmente no setor de processamento de dados e inteligência artificial.

Ainda não foram detalhados publicamente o investimento total, a demanda energética da primeira etapa e os possíveis efeitos econômicos do empreendimento sobre a região de fronteira. A operação inicial está prevista para meados de 2027, conforme o anúncio do governo norte-americano.

Outro acordo firmado entre os países foi na área de mineração, o investimento de US$ 12 milhões pela Uranium Energy Corp para desenvolver uma de suas concessões de urânio no Paraguai.