economistas-debate

23/10/2026

Ajuste fiscal em 2027 é inevitável, dizem economistas em painel na Mercopar

Economistas-chefes da Fecomércio-RS, da FIERGS e da Farsul, mediados pela jornalista Giane Guerra, falaram do desequilíbrio das contas públicas, juros elevados e reflexos para indústria, comércio, agronegócio e famílias gaúchas.

Se existe um consenso entre os economistas que subiram ao palco da 35ª Mercopar nesta semana, é este: o Brasil chega a 2027 com uma conta que precisará ser paga, e o ajuste fiscal será inevitável, independentemente de quem vencer as eleições. O alerta dominou o painel “Projeções econômicas para 2027: perspectivas para o RS e o Brasil”, que reuniu Antônio da Luz (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul – Farsul), Patrícia Palermo (Fecomércio-RS) e Giovani Baggio (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul – Fiergs), com mediação da jornalista Giane Guerra, do Grupo RBS.

O tom foi definido na abertura. —Não tem nada mais importante para fazer em 2027 que não seja ajuste fiscal —afirmou Luz. Os números apresentados pelos três economistas ajudam a dimensionar o desafio. Segundo o economista da Farsul, levantamentos apontam para mais de R$ 300 bilhões em despesas adicionais previstas para 2027, sem fonte de custeio, resultado de pacotes anunciados em período eleitoral.

Patrícia, por sua vez, trouxe a perspectiva histórica. Entre 2010 e 2023, a receita líquida do país cresceu 31,6% (ajustada pela inflação), enquanto a despesa avançou 50%. O principal vilão, segundo a economista da Fecomércio-RS, é a previdência: mais de R$ 1,1 trilhão por ano, com alta de 76% no período. Enquanto isso, os investimentos em infraestrutura e as despesas discricionárias caíram 20%. —uando tudo vira despesa de natureza obrigatória, tem uma hora que a máquina para e, quando a máquina para, a gente sente —resume.

Para Baggio, da FIERGS, a solução passa por sinalizar antes de agir: a previsibilidade, disse, é pré-requisito para a retomada – e a indústria gaúcha paga o preço da instabilidade de forma dupla. —A indústria gaúcha sofre duplamente com o juro elevado, porque somos produtores de bens de capital —lembrou, citando o impacto nos custos financeiros do DRE das empresas e no avanço de recuperações judiciais e falências.

Se o cenário macro é adverso, o agronegócio gaúcho foi o ponto positivo do painel. —Com o agro, nós estamos otimistas. Não só vamos ter uma safra boa ano que vem, como vamos vender com preços bem melhores —afirmou o economista da Farsul, citando o fim do El Niño no Sul e a esperada recuperação dos preços internacionais, o que permitiria aos produtores iniciar um processo de desalavancagem.

A aposta em novos mercados também apareceu como caminho: as exportações gaúchas para a Índia cresceram 130% em 2026, mercado apontado como estratégico para os produtos do Estado.

No encerramento, Giane Guerra frisou que as soluções para o Estado passam necessariamente pelo governo federal: —O que vai acontecer em Brasília é extremamente importante, porque o Rio Grande do Sul não é uma ilha— Ela listou as pautas que dependem da União para destravar o Estado: a repactuação da dívida estadual, a prorrogação da suspensão de débitos pós-enchentes e a criação do Fundo Constitucional para as regiões Sul e Sudeste.

Mercopar 2026, de 20 a 23 de outubro (terça a sexta-feira), de 13 às 20 horas, no Centro de Feiras e Eventos Festa da Uva, Caxias do Sul-RS. Informações e inscrições: https://mercopar.com.br