Dívida externa bruta passou dos US$ 407 bilhões, confirma o Banco Central. Negativa de 2007 a 2025, a dívida externa líquida chegou a 5,1 bilhões de dólares em 2026.
Depois de 19 anos como credor internacional, o Brasil voltou a ser um devedor internacional em 2026, em mostra matéria publicada no Jornal Estadão, no dia 21 de outubro (quarta-feira). Dados do Banco Central indicam que as reservas, calculadas em US$402 bilhões, são menores do que a dívida externa brasileira, avaliada em US$ 407,1 bilhões.
O Brasil voltou a apresentar dívida externa líquida positiva em 2026, encerrando uma posição de credor internacional que manteve por 19 anos (de 2007 a 2025). Segundo dados do Banco Central, a dívida externa bruta — somando setor público, bancos e empresas — alcançou US$ 407,1 bilhões em junho, o maior nível em 40 anos de estatísticas. Já as reservas internacionais, incluindo créditos brasileiros no exterior, somaram US$402 bilhões (R$2,045 trilhões). Com isso, a dívida externa líquida ficou em US$5,1 bilhões.
No atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida externa cresceu 27,4%, acima do avanço de 15,8% das reservas. O aumento do endividamento foi impulsionado por investidores estrangeiros em busca de diversificação fora dos Estados Unidos. Já o crescimento das reservas foi mais contido, influenciado por intervenções do Banco Central no câmbio e pela valorização do real.
A maior parte da dívida externa é de bancos e empresas (historicamente cerca de 73%), que geralmente contam com receitas em dólar para honrar os compromissos. A exposição do setor público em moeda estrangeira é relativamente baixa. Por isso, pelo critério do Tesouro Nacional e de agências como a Fitch, o governo continua sendo credor externo líquido.
Economistas e agências de classificação de risco não consideram o quadro preocupante no momento. A dívida externa líquida representa menos de 0,3% do PIB, e as reservas cobrem mais de três vezes os vencimentos de curto prazo. Ainda assim, o cenário é acompanhado de perto: o déficit em transações correntes se elevou (chegando a cerca de US$ 67 bilhões em 2025), e uma redução no investimento direto estrangeiro ou saídas relevantes de dólares poderiam aumentar a vulnerabilidade.
Em resumo, o Brasil perdeu a “almofada” de credor líquido que tinha há quase duas décadas, mas as métricas externas ainda indicam proteção relativa contra choques de curto prazo.
Ao jornal, o vice-presidente sênior da Moody’s, William Foster, afirmou que os juros altos por período prolongado e credibilidade limitada da política fiscal reduziram a capacidade do governo de administrar o custo da dívida.
Para o diretor sênior da Fitch Ratings, Todd Martinez, o Brasil ainda se destaca como “um soberano com colchões externos muito robustos e também com dependência muito baixa dos mercados externos em moeda estrangeira”.
O verdadeiro risco para o Brasil — As agências de classificação de risco ainda veem o desequilíbrio das contas públicas como o principal foco de risco para o Brasil.
Atualmente, o Brasil está a um degrau do grau de investimento para a agência Moody’s e a dois para a Fitch e a S&P Global.