Existe uma pergunta que ronda praticamente todas as empresas de tecnologia hoje: até que ponto a inteligência artificial pode assumir tarefas que sempre dependeram do julgamento humano? Mas essa pergunta deixou de ser teórica há algum tempo, e a resposta que temos encontrado é mais interessante e mais surpreendente do que eu esperava quando começamos a experimentar.
Um dos gargalos mais conhecidos por qualquer time de desenvolvimento é o tempo consumido entre entender o que precisa ser feito e efetivamente começar a construir. A especificação de um sistema, o mapeamento de requisitos, a tradução de uma necessidade de negócio em linguagem técnica é processo que consome horas valiosas de profissionais que poderiam estar dedicados a resolver problemas mais complexos.
Temos usado inteligência artificial justamente para aliviar essa etapa, mas não se trata de substituir a análise humana, e sim de tirar do caminho o trabalho repetitivo de especificação, permitindo que a equipe concentre energia no que exige de fato criatividade e discernimento técnico.
Quando o legado deixa de ser um obstáculo — A parte que mais me chamou atenção nesse processo foi a capacidade de usar IA para entender sistemas legados. Toda empresa que já opera há alguns anos carrega consigo sistemas construídos em outras épocas, com outras equipes, sob outras premissas. Entender como esses sistemas foram pensados, como a lógica por trás de cada decisão e o motivo de cada estrutura, costuma ser um trabalho arqueológico, lento e dependente de quem “lembra” como tudo foi construído.
O que percebemos é que colocar a IA para atuar exatamente nesse ponto trouxe um resultado que não esperávamos, por exemplo, sistemas mais antigos, mesmo tendo sido desenvolvidos há mais tempo, já contavam com uma arquitetura bem estruturada e é justamente essa boa estruturação herdada do passado que está ajudando a orientar a arquitetura dos produtos e sistemas que estamos construindo agora.
Esse aprendizado muda um pouco a forma como enxergo a relação entre inovação e legado, porque existe uma tentação natural, especialmente entre lideranças mais jovens ou times muito entusiasmados com tecnologia nova, de tratar tudo que é antigo como um problema a ser descartado. Nossa experiência tem mostrado que o que foi bem construído no passado continua sendo uma base sólida e a IA, usada da forma certa, é uma ferramenta poderosa para revelar esse valor, em vez de simplesmente substituí-lo.
Seguimos experimentando com esse equilíbrio entre tecnologia de ponta trabalhando lado a lado com o que já demonstrou solidez ao longo do tempo. É um caminho que exige humildade, para usar as ferramentas mais avançadas disponíveis para ir além. Acredito que é exatamente nesse ponto de encontro que as empresas de tecnologia mais interessantes vão se diferenciar nos próximos anos.
• Por: Flávia Volpi, CFO na Soften Sistemas, onde atua desde 2010 na gestão financeira da empresa. À frente da área, é responsável pela administração dos recursos e pelo planejamento financeiro, contribuindo para a organização e sustentabilidade das operações. É bacharel em Administração pela Faculdade de José Bonifácio.| Soften — Fundada em José Bonifácio (SP), em 2002, a Soften é uma referência em soluções de gestão estratégica (ERP) para pequenas e médias empresas em todo o Brasil. Composta por um time de 139 colaboradores, a companhia une a agilidade de uma cultura jovem à solidez de quem entende os desafios reais do mercado B2B, atuando em verticais como varejo, indústria, logística e serviços.
O diferencial da Soften está na convergência entre a tecnologia de ponta — com investimentos robustos em Inteligência Artificial para eficiência e análise de dados — e o atendimento humanizado. Diferente do padrão de mercado, a empresa prioriza o suporte e treinamentos conduzidos por pessoas, garantindo que a inovação seja uma ferramenta de aproximação e não de distanciamento.