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02/10/2026

IA nas empresas: entre o desejo de inovação e a realidade

A inteligência artificial é a grande responsável pela reformulação do trabalho, e já faz algum tempo que deixou de ser uma discussão sobre futuro. Ela faz parte do presente, mas, mesmo assim, ainda existem no Brasil muitas empresas que não adotaram oficialmente a IA em seus processos.

Em junho desse ano, uma pesquisa da Skyone, empresa de soluções em nuvem, em parceria com a MIT Technology Review Brasil, ouviu 265 líderes em áreas de tecnologia, inovação, negócios e gestão de pessoas. O resultado foi que, embora 99% dos entrevistados considerem que agentes de IA terão papel central nos negócios nos próximos três anos, 74% avaliam que suas empresas ainda estão em estado inicial ou intermediário de adoção dessa tecnologia.

A perda de uma competitividade, por exemplo, começa quando um concorrente deixa de usar IA apenas como uma ferramenta pontual e passa a incorporá-la aos processos da empresa. O impacto é bastante transversal, mas aparece primeiro nas atividades que concentram tarefas repetitivas, operacionais e executadas no computador. Atendimento ao cliente, marketing, vendas, financeiro, administrativo, tecnologia e análise de dados são alguns dos exemplos mais evidentes.

Com o avanço da IA no cenário corporativo, algumas funções certamente deixarão de existir ou terão uma demanda muito menor. Seria ingênuo dizer que uma transformação tecnológica dessa dimensão não terá impacto sobre empregos. Mas isso não significa necessariamente uma redução estrutural do trabalho. Historicamente, grandes transformações tecnológicas eliminam determinadas funções, modificam muitas outras e criam profissões que antes sequer existiam.

Com a IA, acredito que veremos principalmente uma transformação das funções: tarefas serão automatizadas e as pessoas precisarão desenvolver novas competências para trabalhar ao lado dessas ferramentas.

Hoje, a principal barreira é uma combinação de falta de conhecimento e falta de estratégia. Ainda existe a percepção de que adotar inteligência artificial significa desenvolver um grande sistema, contratar uma equipe especializada e fazer um investimento elevado. Para a maioria das empresas, o primeiro passo não precisa ser nada disso. Uma pequena empresa pode começar utilizando ferramentas disponíveis, muitas delas gratuitas ou de baixo custo, para analisar gastos, organizar informações, elaborar propostas comerciais, produzir apresentações, revisar contratos, estruturar planilhas, apoiar o atendimento ou melhorar processos internos. A utilização da IA vai depender da realidade de cada negócio.

O principal risco é usar inteligência artificial apenas para fazer um pouco mais rápido aquilo que a empresa já fazia, enquanto o concorrente utiliza a mesma tecnologia para repensar a forma como o negócio funciona. A primeira camada da IA é produtividade. A seguinte é estratégia. É quando a empresa começa a perguntar como pode redesenhar processos, atender melhor seus clientes, reduzir custos, tomar decisões com mais informação e até criar novos produtos e modelos de negócio.

Os empresários que entenderem isso mais cedo terão uma vantagem importante. Não porque a inteligência artificial substitua uma boa estratégia, mas porque ela amplia a capacidade de executar essa estratégia. No fim, a empresa que ignora essa transformação corre um risco bastante tradicional: tornar-se mais cara, mais lenta e menos atrativa do que seus concorrentes.

• Por: Leonardo Ramalho, diretor de comunicação do Instituto de Formação de Líderes de Belo Horizonte (IFL BH).