Cesta Abrasmercado: café torrado e moído (-15,27%), açúcar refinado (-14,59%) e óleo de soja (-10,23%) lideram as quedas no ano. Emprego, renda e menor pressão recente dos preços dos alimentos têm contribuído para sustentar o crescimento do consumo nos lares brasileiros. Em agosto, o indicador registrou alta de 2,69% ante agosto de 2025.
Na comparação mensal, o consumo avançou 2,21% de julho para agosto, mantendo a trajetória positiva, embora em ritmo mais moderado do que na passagem de junho para julho, quando o indicador havia crescido 3,01%. No acumulado de janeiro a agosto, o consumo registra alta de 2,71%, segundo o monitoramento mensal da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Os dados são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , e contemplam o desempenho de todos os formatos de supermercados.
—A queda dos preços de alguns alimentos reduz a pressão sobre o orçamento destinado ao abastecimento dos lares. Esse movimento, combinado aos indicadores favoráveis do mercado de trabalho e ao avanço da renda em relação ao ano anterior, contribui para manter o consumo em trajetória positiva, ainda que o avanço de agosto sobre julho tenha sido mais moderado que o registrado na passagem de junho para julho —analisa o vice-presidente da Abras, Marcio Milan.
No mercado formal de trabalho, agosto registrou saldo positivo de 165.827 postos com carteira assinada, segundo o Novo Caged. De janeiro a agosto, foram criados 1.134.033 postos, com crescimento de 2,41% do emprego formal no ano.
A PNAD Contínua, do IBGE, também mostra indicadores favoráveis de emprego e renda. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto. A população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, maior contingente da série histórica.
O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos alcançou R$ 3.777, permanecendo estável na comparação trimestral e crescendo 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. Já a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 385,6 bilhões, maior valor da série histórica, com avanço de 1,4% no trimestre, o equivalente a R$ 5,2 bilhões, e de 4,8% na comparação anual, correspondendo a R$ 17,5 bilhões a mais.
Aos indicadores favoráveis de emprego e renda soma-se a menor pressão dos preços dos alimentos. O IPCA caiu 0,32% no mês, enquanto o grupo Alimentação e Bebidas apresentou queda de 0,34%. No recorte da alimentação no domicílio, a redução foi de 0,61%, menos intensa do que a registrada em julho, quando o grupo havia recuado 1,14%. No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 3,11% e, em 12 meses, de 4,22%, abaixo dos 4,44% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.
O calendário de pagamentos também colocou recursos em circulação em agosto. O último lote regular do Abono Salarial PIS/PASEP destinou R$ 5,2 bilhões a cerca de 4,1 milhões de trabalhadores, enquanto o Bolsa Família transferiu aproximadamente R$ 13,06 bilhões para cerca de 19,3 milhões de famílias. O Conselho da Justiça Federal também liberou R$ 3,31 bilhões aos Tribunais Regionais Federais para o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs), envolvendo mais de 280 mil pessoas.
Recursos creditados no fechamento de julho também ficaram disponíveis aos contribuintes no início de agosto. Em 31 de julho, a Receita Federal pagou R$ 4,61 bilhões no terceiro lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física, destinado a 2,74 milhões de contribuintes.
Preços da Cesta Abrasmercado caem 0,57% em agosto, na média nacional —Batata, cebola e tomate registram quedas de dois dígitos no mês; preços das carnes bovinas avançam em agosto
O Abrasmercado, indicador que acompanha a variação de preços da cesta de 35 produtos de largo consumo, recuou 0,57% em agosto e passou a acumular alta de 4,60% no ano. O resultado representa a terceira queda mensal consecutiva, após as retrações de 0,28% em junho e de 1,24% em julho.
Com a queda de agosto, o valor médio da cesta passou de R$ 841,95 para R$ 837,14. Em 12 meses, o Abrasmercado acumula alta de 4,01%.
Entre os produtos básicos, as variações foram distintas. Recuaram o feijão (-4,82%), o café torrado e moído (-1,86%), o açúcar refinado (-0,89%) e a massa sêmola de espaguete (-0,24%). Em sentido contrário, avançaram o leite longa vida (+1,78%), o arroz (+1,34%), o óleo de soja (+0,48%), o queijo muçarela (+0,48%), a farinha de trigo (+0,43%) e a farinha de mandioca (+0,33%).
No acumulado de janeiro a agosto, as principais altas entre os básicos permanecem no feijão (+42,30%) e no leite longa vida (+27,34%). Em sentido oposto, registram queda o café torrado e moído (-15,27%), o açúcar refinado (-14,59%), o óleo de soja (-10,23%), a farinha de trigo (-4,33%) e a massa sêmola de espaguete (-0,38%).
No grupo das proteínas, agosto foi marcado pela alta dos cortes bovinos e pela queda do frango, do pernil e dos ovos. O corte traseiro bovino avançou 1,42% e o dianteiro, 0,64%. Em sentido contrário, recuaram os ovos (-4,15%), o pernil (-1,30%) e o frango congelado (-1,02%).
No acumulado do ano, as carnes bovinas acumulam alta: o traseiro registra avanço de 9,78% e o dianteiro, de 7,77%. Já o pernil (-7,32%), o frango congelado (-2,44%) e os ovos (-0,77%) registram queda. Em 12 meses, as diferenças são ainda mais acentuadas entre as proteínas, com alta de 14,65% no traseiro e de 9,41% no dianteiro, frente às quedas do pernil (-7,94%), dos ovos (-7,79%) e do frango congelado (-3,37%).
Nos vegetais frescos, a batata (-19,89%), a cebola (-11,07%) e o tomate (-10,94%) registraram fortes retrações em agosto nas cinco regiões do país. Contudo, mesmo após as quedas mensais, os três vegetais permanecem em alta no acumulado do ano. A cebola registra avanço de 46,91% entre janeiro e agosto, a batata, de 17,32%, e o tomate, de 15,20%.
Nos itens de higiene pessoal, as variações de agosto ante julho foram: xampu (+0,68%), creme dental (+0,50%), papel higiênico (-0,19%) e sabonete (-0,28%). No acumulado do ano, todas as categorias permanecem em alta: creme dental (+5,88%), xampu (+5,77%), papel higiênico (+4,14%) e sabonete (+3,73%).
Na limpeza doméstica, todos os itens acompanhados registraram alta em agosto. A maior elevação ocorreu na água sanitária (+1,36%), seguida pelo desinfetante (+0,73%), pelo detergente líquido para louças (+0,68%) e pelo sabão em pó (+0,42%).
No acumulado de janeiro a agosto, avançaram o desinfetante (+5,44%), a água sanitária (+4,38%), o detergente líquido para louças (+3,92%) e o sabão em pó (+0,20%).
Análise regional — Em agosto, todas as regiões registraram queda no valor médio da cesta Abrasmercado na comparação com julho. A maior retração ocorreu no Nordeste, de 1,50%, com o valor médio passando de R$ 763,08 para R$ 751,61, mantendo a cesta de menor valor entre as macrorregiões.
Na sequência, aparece o Centro-Oeste, com queda de 0,54%, de R$ 790,83 para R$ 786,58. No Sudeste, a redução foi de 0,44%, com o valor médio passando de R$ 857,12 para R$ 853,35.
No Norte, a cesta recuou 0,13%, de R$ 926,88 para R$ 925,66. A menor retração ocorreu no Sul, de 0,12%, com o valor médio passando de R$ 917,52 para R$ 916,40.
Preços da cesta de 12 produtos básicos ficam praticamente estáveis em agosto — No recorte da cesta de 12 produtos básicos, o valor médio nacional apresentou leve alta de 0,09% em agosto na comparação com julho, passando de R$ 356,43 para R$ 356,76. No acumulado de janeiro a agosto, a cesta registra alta de 4,81%.
Entre os 12 produtos básicos, oito registraram variação positiva em agosto. O principal avanço foi registrado no leite longa vida (+1,78%), seguido pelo arroz (+1,34%), pela carne bovina – corte dianteiro (+0,64%) -, pelo óleo de soja (+0,48%), pelo queijo muçarela (+0,48%), pela farinha de trigo (+0,43%) e pela farinha de mandioca (+0,33%). A margarina cremosa, apesar da variação positiva, ficou praticamente estável (+0,02%).
Entre os produtos em queda no mês, as retrações ocorreram no feijão (-4,82%), no café torrado e moído (-1,86%), no açúcar refinado (-0,89%) e na massa sêmola de espaguete (-0,24%).
Análise regional da cesta de 12 produtos — Na análise regional, a cesta de 12 produtos básicos apresentou alta em quatro das cinco macrorregiões em agosto.
A maior elevação ocorreu no Sul, de 1,04%, com o valor médio passando de R$ 381,53 para R$ 385,50. No Norte, a alta foi de 1,03%, de R$ 440,00 para R$ 444,54.
O Sudeste registrou avanço de 0,23%, com o valor médio passando de R$ 370,00 para R$ 370,86. No Nordeste, a alta foi de 0,12%, de R$ 317,67 para R$ 318,04, mantendo a cesta de menor valor médio entre as macrorregiões.
O Centro-Oeste foi a única região a apresentar queda, de 0,11%, com o valor médio passando de R$ 350,94 para R$ 350,57.