Na 36ª edição do evento, em São Paulo, setor alerta para comércio desleal e Custo Brasil. —O Brasil precisa voltar a produzir mais. Defender condições justas de competição não é fechar o mercado. É preservar investimentos, emprego, tecnologia e capacidade industrial. Produzir aqui é fortalecer o Brasil—disse o O presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil e do Conselho de Administração da Gerdau, André B. Gerdau Johannpeter.
A 36ª edição do Congresso Aço Brasil foi aberta, no dia 29 de setembro (terça-feira), no Transamérica Expo Center, na capital paulista, reunindo autoridades e analistas para discutir os rumos do comércio internacional e seus reflexos sobre a indústria do aço. O evento teve a participação virtual do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e do secretário Uallace Moreira Lima, do Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, além da Conferência Magna do economista, cientista político e diplomata Marcos Troyjo, com o tema “Geopolítica em transformação”. O presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil e do Conselho de Administração da Gerdau, André B. Gerdau Johannpeter, apresentou ainda o painel “Situação Atual da Indústria do Aço no Brasil”.
Johannpeter destacou o excesso de produção global de aço, de mais de 600 milhões de toneladas, equivalente à metade da produção chinesa, e lembrou que Estados Unidos e Europa adotaram cotas e tarifas, em uma guerra comercial da qual o Brasil participa. —O Brasil tem um parque industrial fortíssimo, temos recursos naturais e pessoas. A grande questão é que não conseguimos avançar na competitividade— disse. Segundo ele, o Custo Brasil é um dos grandes desafios, e são necessárias reformas para destravar o setor.

Situação atual da indústria do aço no Brasil —Ao apresentar o panorama do setor, Johannpeter afirmou que a indústria do aço brasileira está diante de uma mudança estrutural do comércio mundial, marcada por uma guerra comercial com tarifas mais altas adotadas por países como Estados Unidos e Canadá, além de algumas nações europeias. A participação do aço importado no consumo brasileiro deve recuar de 22% em 2025 para 18,5% neste ano, mas permanecerá acima da média histórica de 9,7%. —O problema mudou de dimensão. A cadeia produtiva está sob ataque —afirmou.
As importações diretas devem atingir 4,9 milhões de toneladas neste ano e, considerando também as indiretas, chegar a 12,1 milhões de toneladas. Segundo o executivo, a resposta exige uma agenda estrutural voltada à competitividade, e a questão vai além do aço, envolvendo toda a cadeia industrial brasileira. —O Brasil precisa encontrar esse caminho de reformas. Precisamos de uma política de estado de longo prazo para investir e competir— disse.
Para ele, as medidas adotadas pelo Governo, resultado de cerca de três anos de diálogo e da construção de um arcabouço de defesa comercial, começam a funcionar, mas ainda não são suficientes: as importações diminuem, mas seguem em patamar elevado. —O Brasil precisa voltar a produzir mais. Defender condições justas de competição não é fechar o mercado. É preservar investimentos, emprego, tecnologia e capacidade industrial. Produzir aqui é fortalecer o Brasil—disse.

Johannpeter comparou ainda o consumo per capita de aço em diferentes países, entre eles China, Coreia, Japão, Estados Unidos, Índia e México. Lembrou que os países em desenvolvimento tiveram pico de consumo nos anos 1990 e que o cenário mudou em economias como a Índia. A China já está em 560 quilos por habitante, enquanto o Brasil chegou a 122 quilos. Segundo ele, o potencial existe, mas depende de muitas reformas, assim como em outros países. —Sigo otimista, o potencial está aí— afirmou, lembrando que o mercado andou de lado nos últimos 40 anos e que os próximos 40 podem ser diferentes.
Alckmin destacou a reforma tributária como avanço para a competitividade: ao reduzir de cinco tributos sobre o consumo para um IVA dual, ele simplifica o sistema, desonera exportações e incentiva investimentos. Com relação à defesa comercial, o vice-presidente afirmou que o Governo agiu rapidamente, com a aplicação de medidas de aumento de imposto de importação. Destacou ainda a necessidade de aprimorar a Lei da Liberdade Econômica, de 2019, para privilegiar a indústria local. —Nós podemos trabalhar nesse sentido para fortalecer uma indústria estratégica, uma indústria de base, como é a indústria do aço— afirmou.

‘Cavalo de Troia’ e sobrecapacidade da China — Na Conferência Magna, Marcos Troyjo observou que o debate mudou da globalização para a geopolítica e abordou o “Cavalo de Troia” chinês: diante da sobrecapacidade e do fechamento de mercados, como o de veículos elétricos nos Estados Unidos e na Europa, a China tende a seguir com vendas elevadas para o Brasil, um mercado que representa uma oportunidade de expansão para o país asiático. Troyjo classificou ainda o tarifaço americano como uma política comercial muito restritiva, que prejudica os próprios Estados Unidos ao encarecer insumos e preços.
Encerrando a programação da parte da manhã, o painel “Competitividade Sistêmica: Como alcançá-la?” reuniu Thiago de Aragão, CEO da Arko International e mestre pela Johns Hopkins School of Advanced International Studies; e Ricardo Geromel, cofundador da FCGI. O painel teve a condução de Gustavo Werneck, conselheiro do Aço Brasil e diretor-presidente e CEO da Gerdau.

Aragão lembrou que, em 1980, o brasileiro médio era mais rico que o sul-coreano, que hoje tem renda até três vezes maior, e citou Polônia, Canadá e México como exemplos de desenvolvimento. “Não existe uma única receita de bolo, mas as experiências internacionais mostram princípios que valem além das particularidades de cada país”, afirmou. Para ele, Coreia do Sul e México oferecem aprendizados úteis ao setor do aço e provam que é possível acertar em escolhas mesmo em contextos políticos complexos.
Geromel complementou o debate aprofundando a experiência chinesa. —A transformação da China não veio de uma única vantagem competitiva, mas da construção progressiva de um sistema de competitividade— disse. O executivo ponderou que o país asiático não deve ser visto como modelo a ser copiado, e sim como um caso para entender como determinados mecanismos funcionaram naquele contexto e o que podem ensinar ao Brasil.
. Mais informações, e acompanhar o evento, clique ao lado no Banner neste Canal Siderurgia & Mineração do Portal e TV Fator Brasil e, ou https://congressoacobrasil.org.br.