Fraqueza muscular, visão embaçada, cansaço constante ou até quedas repentinas e desmaios, entre outros sinais, podem acompanhar quadros de exaustão. O esgotamento físico e mental merece atenção, principalmente quando os sintomas se tornam frequentes e começam a interferir na rotina. Infelizmente, relatos desse tipo não são incomuns e servem de alerta para a necessidade de cuidados com a saúde mental e também de investigação adequada dos sintomas físicos, que podem afetar qualquer pessoa, independentemente da faixa etária, gênero ou classe social.
O esgotamento físico e mental pode estar relacionado a situações do cotidiano que desencadeiam efeitos negativos e recorrentes no bem-estar psicológico e emocional, tornando as pessoas mais fragilizadas, abatidas e instáveis. Quando intensos e prolongados, esses efeitos podem ultrapassar o aspecto psicoemocional e também se manifestar no corpo. Assim, tendem a provocar um desgaste crescente, reduzindo a energia e o engajamento para realizar as atividades do dia a dia.
As causas podem ser bastante diversas, mas muitas vezes envolvem fortes gatilhos estressores. É o caso de profissões com muita cobrança, pressão e acúmulo de tarefas, que levam a pessoa a estar sempre envolvida em várias atividades simultâneas. Privação do sono, alimentação inadequada, ansiedade, estresse em excesso, sedentarismo e depressão também podem contribuir para a sensação de esgotamento. Algumas condições clínicas, como a anemia, podem provocar sintomas semelhantes e precisam ser investigadas. Há também pessoas que se sobrecarregam ao assumir diversos compromissos na rotina, dos quais não conseguem dar conta, como trabalhar, estudar e conciliar várias outras atividades, além de assumir sozinhas situações nas quais se tornam responsáveis pelos cuidados e problemas de terceiros. As famosas esponjas emocionais.
Os sintomas da estafa ou do esgotamento mental podem ser inúmeros, como raciocínio lento, desânimo, insônia, irritabilidade, ansiedade, falhas na memória, queda sensível da produtividade, apetite desregulado, falta de foco e concentração, humor mais irritado ou agressivo e perda de interesse em programas e atividades de que gosta, como praticar esportes, ir à praia ou sair para dançar. A primeira pergunta a se fazer é: por que estou tão cansado? Quais gatilhos estão me levando a uma exaustão tão grande? O que está por trás de tanto desânimo e cansaço físico e mental?
Enfim, os estressores envolvidos no esgotamento podem ser perigosos justamente porque, muitas vezes, vão se instalando de forma silenciosa. Por isso, é importante criar uma rotina de desaceleração para recuperar o equilíbrio da conexão entre mente e corpo. Quando entendemos que o esgotamento emocional pode surgir diante de uma sobrecarga prolongada de demandas, fica mais fácil compreender que muitos sinais funcionam como um alerta de que é necessário olhar para a saúde mental e para o próprio corpo. Ignorá-los pode agravar o sofrimento e adiar a busca por ajuda. Não espere atingir o limite para reconhecer o que realmente importa para você. Permita-se viver uma rotina diária de autocuidado antes que as exigências da vida alcancem um ponto insustentável. Você merece ser a sua própria prioridade, não o resultado do colapso.
• Por: Dra. Andréa Ladislau, psicanalista.