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04/09/2026

Ex-sócios da gestora Giants desenvolvem 1º plataforma de IA para Consultores de Investimentos

Avanço do modelo independente cria espaço para infraestruturas que assumem o operacional e permitem ao consultor ampliar atendimento, relacionamento e prospecção.

A expansão da consultoria financeira independente está criando uma nova oportunidade dentro do mercado de investimentos brasileiro: a possibilidade de aumentar a escala de atendimento sem transformar crescimento em aumento proporcional da estrutura operacional. No primeiro semestre de 2026, o número de consultores de valores mobiliários registrados na CVM avançou 11,5% em relação ao fim de 2025. O movimento ocorre em uma indústria que atingiu quase 93 mil participantes regulados e administra uma dimensão financeira cada vez maior: o mercado sob regulação da autarquia foi estimado em R$ 52,33 trilhões, enquanto a indústria de fundos alcançou R$ 11,83 trilhões, alta de 14,3% sobre dezembro. A própria CVM já havia chamado atenção, no início do ano, para o crescimento progressivo da atividade de consultoria, cujo modelo pressupõe orientação, recomendação e aconselhamento individualizado ao investidor. À medida que esse mercado ganha profissionais e patrimônio, surge também uma nova frente de negócios: oferecer infraestrutura para que consultorias e profissionais independentes consigam administrar uma base maior de clientes mantendo o foco nas atividades que geram relacionamento e receita.

Esse movimento começa a estimular modelos em que tecnologia e estruturas compartilhadas assumem etapas que antes precisavam ser executadas dentro de cada consultoria. Consolidação de posições financeiras, conciliação de dados, acompanhamento de carteiras, organização de informações em diferentes moedas, CRM, suporte a aplicações e resgates e preparação de relatórios estão entre as atividades que podem ser centralizadas, liberando o profissional para atendimento e expansão da carteira. É nesse mercado que atua a Revert, infraestrutura de inteligência artificial criada inicialmente para resolver a operação de um family office e posteriormente aberta a consultorias financeiras. A origem do negócio está justamente na experiência de administrar patrimônios distribuídos entre diferentes bancos, corretoras, moedas, países e classes de ativos. A diferença de abordagem está no que é entregue: em vez de mais uma ferramenta para o consultor operar, a empresa entrega a operação em funcionamento, com consolidação, conciliação, relatórios e faturamento executados por agentes de inteligência artificial sob supervisão humana. —O consultor não deveria ter que escolher entre crescer e atender bem. A operação vai para as máquinas; o profissional fica com o que efetivamente diferencia seu trabalho: conhecer o cliente, entender suas necessidades e construir uma relação de longo prazo. Tecnologia e infraestrutura podem transformar tempo operacional em capacidade de crescimento— afirma Flavio Terni, cofundador da Revert.

A expansão da consultoria financeira também aumenta a complexidade operacional do setor. Como o investidor pode manter recursos distribuídos entre diferentes bancos, corretoras e plataformas, o consultor precisa acompanhar posições, movimentações e informações provenientes de diversas instituições, com formatos de dados que mudam com frequência. Esse cenário tem impulsionado o desenvolvimento de estruturas especializadas em consolidação patrimonial e automação de processos. Na Revert, essas atividades são executadas por agentes de inteligência artificial que operam sobre dados previamente tratados e conciliados, enquanto determinadas etapas críticas permanecem submetidas à validação humana. O avanço dessas ferramentas acompanha uma discussão mais ampla no mercado financeiro sobre até onde a tecnologia pode assumir funções de backoffice sem substituir o papel do profissional no aconselhamento. Para as consultorias, a redução do tempo gasto com tarefas administrativas libera os profissionais para o acompanhamento e o relacionamento com os investidores.

O cenário macroeconômico reforça essa transformação. Mesmo após o corte promovido pelo Banco Central em agosto, a Selic permanece em 14% ao ano, enquanto as expectativas de inflação para 2026 e 2027 estavam em 5% e 4,2%, respectivamente. Juros ainda elevados, maior diversidade de produtos e um mercado regulado superior a R$ 52 trilhões aumentam a quantidade de decisões que precisam ser acompanhadas pelo investidor e, consequentemente, valorizam o tempo dedicado ao aconselhamento. Para consultorias independentes, a oportunidade está em transformar essa demanda em crescimento sem perder proximidade com o cliente. —Quanto mais sofisticado fica o mercado, mais importante se torna a relação entre consultor e investidor. A inteligência artificial não precisa ocupar esse lugar: ela trabalha nos bastidores, assumindo o trabalho que antes exigia um exército invisível de backoffice, para que o profissional tenha mais tempo justamente na parte mais valiosa da consultoria. O ganho de escala vem de usar tecnologia para ampliar o humano, e não para retirá-lo da relação— diz Terni.

Revert — Fundada em 2025, a Revert é uma empresa de infraestrutura de inteligência artificial para consultores e consultorias de investimentos. Criada por Rodrigo e Flavio Terni, cofundadores da Giant Steps Capital (gestora quantitativa vendida à XP), a companhia nasceu como spin-off da operação de um family office e entrega a operação completa do consultor, consolidação global de carteiras, cobrindo diferentes instituições, moedas e países, conciliação, relatórios, faturamento e suporte, executada por agentes de inteligência artificial. | https://revertai.com.br