O Banco Popular da China (PBoC) começou a estudar a criação da versão digital de sua moeda corrente, o e-CNY (yuan digital ou renminbi digital) em 2014. Diferentemente das criptomoedas, que são um ativo privado e descentralizado, o yuan digital é um CBDC – Central Bank Digital Currency, pois possui a garantia do PBoC e integra o sistema monetário oficial.
Os primeiros protótipos foram desenvolvidos em 2016 e, em 2019, foram feitos os testes iniciais em ambientes controlados em algumas cidades. As primeiras etapas envolvendo usuários e estabelecimentos comerciais foram realizadas em 2020, impactando também outras cidades e regiões e incluindo diferentes usos, como transporte, alimentação, comércio eletrônico e serviços públicos e transfronteiriços.
As publicações sobre a emissão dessa moeda indicam que, entre os objetivos de sua adoção, estão a intenção de modernizar o sistema monetário e de pagamentos chinês, com vistas a aumentar a eficiência e segurança das operações financeiras, e o controle e supervisão do sistema financeiro, uma vez que permite ao Estado acompanhar as transações dentro das normas estabelecidas.
Mesmo que inicialmente tenha sido projetado para ser usado no ambiente doméstico, não se pode ignorar que a criação do e-CNY também teve como objetivo a internacionalização da moeda chinesa, não só para o comércio exterior, mas para diminuir a dependência de determinadas infraestruturas financeiras internacionais dominadas por outros países.
Aqui no Brasil, a proposta para a versão digital do real é o DREX, também uma CBDC, que apresenta algumas diferenças em relação ao projeto para o lançamento de sua moeda digital. Enquanto a China a utiliza para digitalizar a sua moeda corrente, modernizar os pagamentos, ampliar a utilização, inclusive nas operações internacionais, o Banco Central do Brasil (BC) desenvolveu a sua moeda digital enfatizando a modernização da infraestrutura financeira, a tokenização de ativos e a criação de operações financeiras programáveis, a fim de aumentar a segurança da transação.
O DREX não está disponível para uso pelo público em geral. As fases de testes de aspectos como privacidade, segurança, programabilidade e interoperabilidade e a de uso em determinadas situações, como crédito com garantia, recebíveis, comércio exterior, câmbio e outras, segundo do BC, já foram encerradas. Agora estão sendo avaliados os resultados para decidir quais serão as próximas etapas de sua adoção.
Em relação às moedas digitais emitidas pelos bancos centrais, fica uma questão para reflexão: em que medida elas poderão facilitar a vida financeira dos cidadãos e das empresas sem comprometer a sua privacidade e autonomia?
• Por: Zilda Mendes, professora de Comércio Exterior e Pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre a China (NECH) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM). | *O conteúdo dos artigos assinados não representa necessariamente a opinião do Mackenzie. |A Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) foi eleita como a melhor instituição de educação privada do Estado de São Paulo em 2025, de acordo com o Ranking Universitário Folha 2025 (RUF). Segundo o ranking QS Latin America & The Caribbean Ranking, o Guia da Faculdade Quero Educação e Estadão, é também reconhecida entre as melhores instituições de ensino da América do Sul. Com mais de 70 anos, a UPM possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pela UPM contemplam Graduação, Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.