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29/08/2026

O cenário exige mais educação empresarial

Se, por um lado, o Brasil segue registrando abertura de empresas em ritmo relevante, como mostram os dados divulgados pelo Sebrae, por outro, a Serasa Experian aponta para mais de 9,1 milhões de CNPJs inadimplentes. Um contraste que evidencia algo importante: abrir uma empresa demonstra iniciativa, mas permanecer exige preparo.

Afinal, empreender não é apenas vender. A venda, de fato, movimenta, mas não explica tudo. É preciso saber se o preço cobre o custo, se a margem sustenta o mês e se o prazo recebido conversa com o prazo pago. Sem essa leitura, crescer pode significar movimentar mais um desequilíbrio.

E por que digo isso? Porque, na prática, a educação empresarial começa, ou deveria começar, quando o empreendedor entende que faturamento não é lucro, movimento não é resultado e crédito não deve ser resposta para qualquer aperto. Ou seja, antes de buscar recursos, é preciso compreender o que a empresa realmente precisa.

E os dados comprovam isso. Em outra pesquisa, por exemplo, o Sebrae aponta que 61% dos empreendedores fazem pagamentos da empresa com a conta pessoal.

Esse cenário explica por que a educação empresarial não pode ser uma etapa secundária. Se a gestão financeira é imprecisa, a decisão também tende a perder precisão. Logo, o empresário pode vender mais e comprometer margem, ou buscar crédito sem atacar a origem do problema. Veja, a operação até se movimenta, mas continua vulnerável.

Falar em educação empresarial é falar de antecipação. É olhar para custos, prazos, dívidas, recebíveis e capacidade de pagamento antes que a urgência determine a decisão. Mais do que reagir ao problema, é criar condições para identificá-lo enquanto ainda há tempo de corrigir rota, ajustar escolhas e evitar que uma dificuldade de gestão se transforme em crise.

A permanência dos negócios depende dessa leitura. Sustentar uma empresa exige método, disciplina e, principalmente, gestão financeira. Pois vender abre portas, mas entender a operação é o que permite atravessar o mês, planejar o próximo passo e crescer com segurança.

Por: Marcio Aguilar, presidente do Sindicato das Sociedades de Fomento Comercial – Factoring do Estado do Rio Grande do Sul (Sinfac-RS).