Companhia tem 18 unidades em construção no país e outras 28 no exterior e avança em tecnologias nucleares de nova geração.
A Rosatom prevê a construção de 38 novos blocos nucleares na Rússia, dos quais 18 já estão em construção, e mantém outras 28 unidades em obras no exterior. Os números foram apresentados no dia 20 de agosto (quinta-feira) pelo diretor-geral da companhia, Alexey Likhachev, durante reunião sobre o desenvolvimento da energia nuclear com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Atualmente, a energia nuclear responde por cerca de 20% da eletricidade produzida na Rússia. O planejamento de longo prazo prevê a entrada em operação de aproximadamente 30 GW adicionais de capacidade nuclear e a elevação da participação da fonte para 25% da geração de eletricidade do país até 2045.
A Rússia possui atualmente 34 unidades em 11 usinas nucleares. Em 2025, a geração nuclear no país superou 218 bilhões de kWh. A expansão prevista para as próximas décadas também deverá ampliar a presença da fonte no território russo, com novas instalações nos Urais, na Sibéria e no Extremo Oriente.
Parte da nova capacidade será destinada à substituição de unidades que chegarão ao fim da vida operacional. Nos próximos dez anos, 13 blocos, que somam mais de 10 GW, deverão ser retirados de operação, o equivalente a cerca de um terço da capacidade atualmente instalada.
Durante a reunião, Putin relacionou a necessidade de ampliar a geração de eletricidade ao crescimento de setores com demanda energética elevada, entre eles inteligência artificial, centros de armazenamento e processamento de dados, transporte elétrico e automação industrial.
— A concorrência na energia nuclear mundial é elevada e precisamos fortalecer nossa liderança tecnológica nessa área, aumentar continuamente a segurança da geração nuclear e sua eficiência econômica— afirmou o presidente russo.
Pequenos reatores e novas tecnologias — Além das usinas de grande porte, a Rosatom avança no desenvolvimento de reatores de pequena potência, segmento que vem ganhando espaço no mercado nuclear internacional.
Entre as tecnologias está o RITM-200, desenvolvido a partir da experiência russa com reatores navais e projetado para instalações terrestres e flutuantes. A solução é destinada especialmente ao fornecimento de energia para regiões isoladas e de difícil acesso. Segundo Likhachev, 15 reatores desse modelo já foram fabricados e outros 13 estão em construção.
A companhia também trabalha no desenvolvimento de sistemas nucleares de quarta geração e do ciclo fechado do combustível nuclear. A tecnologia permite ampliar o aproveitamento dos recursos de urânio, reutilizar materiais nucleares e reduzir o volume de resíduos radioativos de longa duração.
Um dos principais projetos nessa área está em Seversk, onde é construído um complexo experimental e demonstrativo com o reator rápido BREST-300, de 300 MW e refrigerado a chumbo. O empreendimento reúne geração de energia, processamento do combustível nuclear utilizado e fabricação de novo combustível em uma mesma instalação.
A previsão é que o complexo entre em operação até 2030 e sirva de base para futuras instalações industriais de maior potência. A Rosatom também desenvolve o BN-1200, reator rápido refrigerado a sódio, além de pesquisas com reatores de sais fundidos e fusão termonuclear.
Expansão internacional — No mercado internacional, a Rosatom mantém 28 blocos nucleares de grande, média e pequena potência em construção em nove países. Entre os projetos citados durante a reunião estão empreendimentos na Índia, China, Turquia, Egito, Irã, Bangladesh e Hungria.
A companhia também avança em novos projetos no Uzbequistão e no Cazaquistão. No Uzbequistão, está prevista uma usina que reunirá, em um mesmo local, dois reatores de pequena potência e dois de grande porte. No Cazaquistão, estão em fase final os estudos para a implantação de duas unidades VVER-1200.
Além das unidades em construção, a Rosatom possui acordos para outros 17 blocos nucleares em seis países. Segundo Likhachev, a companhia mantém negociações com 15 países, com potencial para aproximadamente 50 novos reatores de diferentes capacidades.
A atuação internacional inclui ainda aplicações não energéticas da tecnologia nuclear. A Rosatom desenvolve Centros de Ciência e Tecnologia Nuclear baseados em reatores de pesquisa, com projetos em implementação na Bolívia e no Vietnã.
A reunião ocorreu no dia em que a indústria nuclear russa completa 81 anos. A estratégia apresentada pela Rosatom combina a ampliação da capacidade de geração com investimentos em pequenos reatores, tecnologias de quarta geração, ciclo fechado do combustível nuclear e novas soluções voltadas ao mercado internacional.