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20/08/2026

Novo mapa da logística brasileira amplia debate sobre infraestrutura na região de Campinas

Plano Nacional de Logística prevê investimentos de R$ 1,225 trilhão em infraestrutura e amplia debate sobre prioridades para regiões estratégicas.

O Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050) coloca em discussão os investimentos e as intervenções necessárias para preparar a infraestrutura brasileira para as próximas décadas. Com estimativa de R$ 1,225 trilhão em investimentos em infraestrutura logística até 2050, o planejamento amplia o debate sobre quais regiões e corredores devem ser priorizados para acompanhar o crescimento da movimentação de cargas e reduzir os gargalos que ainda comprometem a eficiência logística do país.

Para a presidente do Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas de Campinas e Região (Sindicamp), Rafaela Cozar, o novo planejamento representa uma oportunidade para direcionar investimentos de longo prazo a regiões que já desempenham papel relevante na circulação de mercadorias e na atividade econômica nacional. Nesse cenário, Campinas e seu entorno possuem características que precisam ser consideradas na definição das prioridades para as próximas décadas.

—Quando falamos em um planejamento que vai orientar a logística brasileira até 2050, precisamos olhar para as regiões que já possuem papel estratégico na movimentação de cargas. Campinas está entre elas. Temos uma localização privilegiada, forte atividade econômica e importantes corredores logísticos. Garantir que essa infraestrutura acompanhe o desenvolvimento da região é fundamental para manter sua competitividad —avalia Rafaela.

Elaborado no âmbito do Planejamento Integrado de Transportes (PIT), o PNL 2050 busca identificar as principais necessidades e oportunidades da rede nacional de transportes no presente, médio e longo prazos. A proposta considera os fluxos de cargas, os gargalos existentes e a integração entre diferentes modais. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) também apresentou contribuições ao plano, levando ao debate propostas relacionadas à infraestrutura e ao desenvolvimento do sistema de transportes.

Segunda a executiva, mais do que ampliar o volume de recursos destinados à infraestrutura, o desafio está em transformar os investimentos previstos em ganhos concretos de eficiência. Para as transportadoras, problemas de infraestrutura aparecem diariamente na operação por meio do aumento do tempo de viagem, consumo de combustível, desgaste dos veículos e redução da produtividade.

—Para quem está diariamente na operação, infraestrutura não é uma discussão distante. Cada gargalo representa tempo, combustível e produtividade. Por isso, os investimentos precisam ser direcionados não apenas para ampliar a infraestrutura existente, mas para resolver problemas que interferem efetivamente na eficiência das operações —destaca.

Rafaela também chama atenção para a necessidade de pensar a infraestrutura de maneira integrada. A posição de Campinas, associada aos importantes corredores rodoviários e estruturas logísticas existentes na região, permite que o município e seu entorno tenham participação relevante na conexão entre diferentes mercados consumidores e produtores.

Nesse sentido, a integração entre os diferentes modais deve fazer parte do planejamento para as próximas décadas. Para a executiva, ampliar a participação de ferrovias e de outras estruturas na matriz logística não reduz a importância das rodovias, mas aumenta a necessidade de conexões eficientes entre elas.

—Não podemos pensar cada investimento de maneira isolada. Precisamos de uma infraestrutura capaz de conectar os diferentes modais e permitir que a carga circule com mais eficiência. O transporte rodoviário continuará sendo fundamental nessa integração, especialmente na conexão entre as pontas das operações — afirma Rafaela.

Outro aspecto destacado pela presidente é a participação das empresas e das entidades representativas nas discussões sobre o planejamento da infraestrutura. Por vivenciarem diariamente os impactos dos gargalos logísticos, os transportadores podem contribuir para identificar problemas e apontar prioridades capazes de gerar resultados efetivos para a operação.

Para Rafaela, o horizonte de 2050 não deve ser interpretado como uma discussão distante da realidade atual das empresas. Projetos de infraestrutura exigem anos de planejamento, investimentos e execução, fazendo com que as decisões tomadas no presente sejam determinantes para a capacidade logística futura do país.

—2050 pode parecer distante, mas projetos de infraestrutura exigem planejamento de longo prazo. As decisões tomadas hoje vão determinar as condições em que nossas empresas estarão operando daqui a dez, vinte ou trinta anos. O setor produtivo precisa participar dessa construção para que os investimentos estejam conectados às necessidades reais da economia e das operações— conclui Rafaela Cozar.

A entidade — O Sindicato das Empresas de Transportes e Cargas de Campinas e Região(Sindicamp) foi fundado em 1983, com a finalidade de representar os empresários do ramo de transporte rodoviário de cargas e logística de Campinas e região, junto às autoridades em todos os níveis das administrações pública, privada, federal e estadual. Atualmente, representa 31 cidades da região. Com sua sede localizada na cidade de Campinas, a entidade é classificada como o segundo maior sindicato do Estado de São Paulo, dentre os 14 que fazem parte da Federação das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo.