— A inteligência artificial (IA) transformará os resultados de crédito na América Latina, mas os ganhos serão desiguais e mais lentos do que em outras regiões, de acordo com relatório da Moody’s. Brasil e Chile lideram, mas a região, de modo geral, fica atrás em inovação, investimento, competências, profundidade institucional e capacidade computacional, o que limitará os ganhos de produtividade. A IA intensificará a concorrência, particularmente em setores orientados por dados, como o bancário e o varejo, ao reduzir as barreiras de entrada. A adoção continuará sendo intensiva em capital e dependente de infraestrutura. As restrições de energia e de data centers, a adoção corporativa desigual e a mudança na concorrência bancária impulsionarão uma crescente diferenciação de crédito entre países e setores.
O investimento em IA dependerá mais da disponibilidade de energia, da capacidade de transmissão, da clareza regulatória e do acesso a financiamento do que da demanda, que permanece forte. A expansão dos data centers sustentará a adoção da IA, mas, embora a energia renovável seja abundante, as limitações da rede, os atrasos no licenciamento e os gargalos de conexão determinarão o ritmo de implantação. As concessionárias de energia enfrentarão crescentes necessidades de capital para expandir a geração e as redes, e os riscos de execução e as restrições tarifárias afetarão os retornos. Os operadores obterão ganhos incrementais de eficiência com a adoção da IA, mas os benefícios permanecerão desiguais e concentrados entre os provedores maiores e mais bem capitalizados.
A IA fortalecerá as maiores empresas não financeiras nos setores de consumo, telecomunicações e mídia. Para essas empresas, a IA ajudará a melhorar a execução comercial, a gestão de redes e de cadeias de suprimentos, a análise de clientes e a monetização de conteúdo. Mas a inovação também aumentará a concorrência nesses setores, comprimindo as margens em atividades padronizadas e baseadas em conhecimento. A adoção também elevará os riscos de desintermediação para as empresas de mídia expostas às mudanças na descoberta de conteúdo e na economia da publicidade digital. A má alocação do investimento em IA prejudicaria os ganhos de produtividade e pressionaria as margens das empresas, particularmente em setores de baixa margem, como o varejo. A adoção continuará concentrada entre as empresas maiores e mais diversificadas.
A divergência de desempenho aumentará para as instituições financeiras à medida que a IA reforça as vantagens competitivas. As instituições latino-americanas já mantêm métricas de eficiência sólidas após anos de investimento, mas a IA tem potencial para impulsionar as receitas por meio de um maior engajamento dos clientes, da personalização de produtos e da monetização de ecossistemas. Os grandes credores estabelecidos, gestores de ativos e seguradoras estão mais bem posicionados para capturar esses ganhos em razão de sua escala, seus dados proprietários e sua capacidade de investimento. Embora a IA possa reduzir as barreiras de dados em mercados com alta informalidade e baixa penetração financeira, as instituições estabelecidas investiram fortemente em ecossistemas de pagamentos e digitais que continuam a gerar valiosos insights proprietários.— conclui análise da Moody’s.