No palco do maior evento de investimentos da América Latina, o astro e empresário global analisa a transição da busca por escala fria para a empatia ativa, a presença no agora e o foco no fator humano.
Em uma das apresentações mais aguardadas da Expert XP, o ator, produtor e empresário Will Smith subiu ao palco principal para discutir gestão de carreira, liderança sob pressão e o peso das decisões em momentos de virada profissional. Longe dos discursos corporativos tradicionais, Smith refletiu sobre a transição entre a busca obstinada por métricas de sucesso e escala no início de sua trajetória e a adoção de um modelo focado no impacto humano, na gestão do medo e na relevância de longo prazo.
Resgatando suas origens no rap e na televisão nos anos 1990, o artista reforçou que a paixão pela performance ao vivo é o que mantém sua essência viva. —Eu sou um contador de histórias, seja na música, nos filmes, na TV ou nos negócios. A mente humana é naturalmente uma máquina de narrativas — ela quer contar e consumir histórias. Percebi muito jovem que isso era algo natural para mim e sempre soube o quanto as pessoas amam uma boa história —comenta.
Ao comparar o auge de sua carreira nos anos 2000 com sua mentalidade atual, Will Smith detalhou uma virada profunda nas métricas pelas quais avalia seus projetos e empreendimentos. “Há 20 anos, a pergunta que guiava as minhas decisões de negócios era: ‘Isso vai ser o melhor do mundo?’. Hoje, a pergunta é completamente diferente: —Isso vai transformar o coração das pessoas? —acrescentou.
Smith admitiu abertamente que, no início da carreira, a luta por aprovação e validação externa gerava eficiência, mas não sustentabilidade no longo prazo. Para o artista, no mercado de hoje, a grande chave de sustentação das marcas e das relações comerciais é nunca perder a orientação e o cuidado humano.
O perigo da obsessão com o legado —Desconstruindo um dos temas mais recorrentes no mundo corporativo — a busca pela posteridade e a construção de um “monumento público” —, Smith surpreendeu o público ao revelar que prefere direcionar toda a sua energia para a qualidade da presença no tempo presente.
Relembrando a disciplina e o rigor físico exigidos para manter a excelência em indústrias de alta concorrência, Smith citou o processo exaustivo de preparação para o longa-metragem sobre a vida de Muhammad Ali como exemplo do compromisso desproporcional que projetos transformadores demandam: —Foi extremamente difícil fazer o filme sobre Ali—declarou.
Ao abordar a maturidade e a tomada de risco inovadora, Smith fez um chamado à audácia executiva e ao desapego da aprovação do mercado. O ator diz que o medo paralisa o crescimento e destrói o potencial das organizações.
Sintetizando a transição definitiva que marca seu momento de vida e negócios, Smith ressaltou a mudança do modelo extrativo de valor para o modelo generativo. —A primeira metade da minha vida foi dedicada a acumular e construir escala; a segunda metade será inteiramente dedicada a retribuir—explicou Smith.
Ao encerrar o painel, Smith deixou claro que o verdadeiro motor da longevidade nos negócios não reside apenas em metas ambiciosas, mas na paixão cotidiana pela jornada de construção. Para o ecossistema de investimentos e liderança reunido na Expert XP, a mensagem final do astro foi um lembrete provocativo: em um mercado cada vez mais pautado por algoritmos e escala, os projetos mais valiosos do futuro serão aqueles capazes de unir execução impecável, coragem para inovar e uma conexão profundamente humana.