Mas, apesar do recorde do período, já preocupa a quota chinesa e União Europeia podem comprometer o resultado da segunda metade do ano. Crescimento das vendas para Ásia, Oriente Médio e África ajuda a compensar incertezas provocadas pelas cotas chinesas e pelas restrições europeias.
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do MDIC, divulgou levantamento das exportações no primeiro semestre de 2026, no dia 20 de julho (segunda-feira). Dados mostram que as exportações brasileiras de carnes e subprodutos do abate de bovinos atingiram US$ 9,929 bilhões entre janeiro e junho, crescimento de 33,4% sobre igual período de 2025.
De acordo com a entidader, em volume, os embarques chegaram a 1,811 milhão de toneladas, alta de 7,3%. O resultado é recorde para um período de primeiro semestre, tanto em valor como em volume, mas as perspectivas são de queda nos resultados da segunda metade do ano, em função do fim da quota brasileira para exportações de carne bovina para a China —volumes extraquota serão sobretaxados em 55%—, além da possibilidade de embargo à carne brasileira na União Europeia, a partir de setembro, devido a divergências no modelo de certificação de rebanhos livres do uso de antimicrobianos (requisito estabelecido pela legislação do bloco europeu). Estima-se que a quota chinesa de importações de carne bovina do Brasil, fixada em 1,106 milhão de toneladas para 2026, tenha se esgotado com os embarques realizados no mês de junho. Com isso, a partir de julho cessaram-se os embarques destinados à China, o que deve comprometer significativamente o desempenho das exportações no segundo semestre do ano, até que a quota seja restabelecida para o início do próximo ano. As vendas de carne bovina para a China cresceram 50,3% no primeiro semestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 4,818 bilhões. Em volume, o crescimento foi de 22,6%, para 774,7 mil toneladas.
Ainda segundo a Abrafrigo, a participação do país asiático foi de 48,5% das receitas com as vendas externas de carnes e subprodutos bovinos. Considerando apenas a carne bovina in natura, a participação chinesa foi de 53% no primeiro semestre de 2026. Como o governo chinês contabilizou, para efeito de controle da quota, as cargas que chegaram aos portos chineses a partir do dia 1 de janeiro de 2026, mesmo que tivessem sido embarcadas nos meses finais de 2025, estima-se que o somatório dessas cargas com o volume efetivamente embarcado nos portos brasileiros de janeiro a junho de 2026 tenha preenchido o total ou muito próximo da quota de 1,106 milhão de toneladas destinadas ao Brasil para o ano de 2026.
— Dessa forma, considerando o resultado das exportações de carne bovina para a China no primeiro semestre e o fato de que, pelos cálculos chineses, a quota brasileira para este ano já se encontra preenchida, o Brasil deverá reduzir em cerca de US$ 4 bilhões suas vendas para o país asiático em 2026, em relação ao ano anterior, cujas vendas alcançaram US$ 8,845 bilhões. A queda nas vendas para a China em 2026, contudo, poderá ser atenuada em razão da possível retomada dos embarques nos 2 últimos meses do ano, com as cargas chegando aos portos chineses em janeiro de 2027, dentro, portanto, da quota do próximo ano. Outro fator que deve mitigar os efeitos da redução das exportações causadas pela quota da China é o crescimento das vendas para outros mercados, entre eles os Estados Unidos. O segundo maior importador da carne bovina brasileira aumentou suas compras em 14,76% no primeiro semestre de 2026, para US$ 1,465 bilhão. Considerando apenas a carne bovina in natura, os Estados Unidos foram responsáveis por aquisições de US$ 1,116 bilhão (aumento de 41%), com embarques de 183,6 mil toneladas (+17,3%)— informa.
— O país norte-americano segue com expectativas de crescimento favoráveis para o segundo semestre do ano, especialmente pelo fato de que a carne bovina permaneceu fora das novas tarifas aplicadas pelo governo dos EUA a produtos brasileiros. Vale lembrar que as vendas de carne bovina para os EUA foram prejudicadas pelo tarifaço que vigorou de agosto a novembro do ano passado e que o país ainda enfrenta problemas no abastecimento interno, com baixa produção e preços elevados para seus consumidores, o que favorece o crescimento nas exportações para aquele mercado ao longo do ano. O Chile, terceiro maior importador de carne bovina in natura do Brasil, ampliou suas compras em 33,12%, para US$ 419,6 milhões, enquanto o volume embarcado subiu 20%, para 70,3 mil toneladas no primeiro semestre do ano, frente ao mesmo período do ano anterior. A União Europeia aumentou suas compras de carne e subprodutos bovinos do Brasil em 35,26%, de janeiro a junho de 2026, para US$ 482,65 milhões. O bloco europeu, contudo, poderá suspender suas compras de carne bovina do Brasil a partir do mês de setembro próximo, quando entram em vigor normas europeias que exigem comprovação de produção livre do uso de antimicrobianos no rebanho bovino— continua.
— O Brasil ainda negocia com as autoridades sanitárias europeias um modelo de certificação que possa evitar a suspensão das vendas, mas, até o momento, pelas informações disponíveis, ainda não houve resultados concretos. Outros mercados também vêm apresentando taxas de crescimento que podem atenuar os efeitos China e União Europeia nas exportações do segundo semestre do ano. A Rússia aumentou suas compras para 62 mil toneladas (+34,5%), com receita de US$ 283,8 milhões (+48,6%). Hong Kong ampliou suas compras em 33,8%, para US$ 227,15 milhões, enquanto Arábia Saudita aumentou suas compras em 31,7%, para US$ 192 milhões, e as vendas para o Egito cresceram 32,2%, para US$ 179,8 milhões. Já o México reduziu suas compras em 8,13% no primeiro semestre do ano, para US$ 253,8 milhões—complementa.
— Essa diversificação ganha importância em um momento de incertezas no mercado internacional. No Total, 118 países aumentaram as aquisições da carne bovina brasileira, enquanto outros 55 reduziram—conclui o comunicado da Abrafrigo.
22/07/2026