Mas gera dúvida sobre a sua implementação, aponta especialista da InvestSmart XP.
— O projeto de lei 2.979/2023, aprovado recentemente no Senado Federal, altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e prevê que será obrigatório nas escolas o ensino da Educação Financeira como tema transversal e integrador dos currículos do ensino fundamental e médio. O objetivo do projeto, que agora volta para a Câmara dos Deputados para uma nova votação, é formar cidadãos mais conscientes sobre o uso do dinheiro e a importância do planejamento financeiro.
Importante destacar que o projeto não prevê uma nova disciplina, mas a introdução da educação financeira em diferentes disciplinas, enfatizando a abordagem prática e mais próxima da realidade de cada comunidade escolar. O que começou com um projeto apenas para dar visibilidade escolar ao tema, criando campanhas de conscientização, evoluiu para inclusão no currículo oficial escolar do país e no Senado Federal foi ampliado para considerar no escopo do projeto: educação fiscal, previdenciária e securitária.
O projeto é, sem dúvida, um marco importante para o avanço de uma sociedade que precisa de educação completa e transformacional. Saber lidar com o dinheiro, realizar planejamento financeiro e principalmente separar investimento na construção de patrimônio da diversão no jogo de apostas online certamente terá a concordância de toda a sociedade.
A questão que gera dúvida sobre a efetividade do projeto é se, pelo fato de de o tema ser transversal e não uma disciplina, se haverá a sua implementação. Além disso, os próprios educadores e gestores escolares também deverão receber treinamento específico, assim como o material de apoio precisa ser adaptado de forma a incluir todos os conceitos necessários para que consigamos evoluir satisfatoriamente na educação financeira.
O projeto representa um passo importantíssimo para a inclusão da educação financeira desde os Anos iniciais até o Ensino Médio, mas ele precisa ser claro sobre o acompanhamento da sua implementação em todo o território brasileiro, independente das condições financeiras de cada estado. Quando uma sociedade aprende a lidar bem com o dinheiro e conhece os mecanismos do sistema financeiro, consegue fazer escolhas mais adequadas e equilibradas nos gastos, entende o impacto do investimento no setor produtivo, o uso de impostos e consegue evitar endividamento excessivo— comenta Mônica Araújo, economista chefe da InvestSmart XP.