No trabalho presencial, as empresas devem oferecer um vale-transporte que ajude os funcionários com os custos de deslocamento. Porém, quando o regime é híbrido (alguns dias em home office), a dinâmica de pagamento do benefício muda um pouco, e é aqui que surge a gestão de mobilidade corporativa.
Essa estratégia visa adaptar o auxílio-transporte oferecido à realidade da equipe, a fim de aumentar a satisfação dos colaboradores.
Vale ressaltar que dados compartilhados pela CBN indicam que 20% da força de trabalho usa transporte público e mais de 1 milhão de trabalhadores passam mais de duas horas no trânsito diariamente. Além disso, uma pesquisa da Ticket mostra que quase metade dos colaboradores acredita que passar menos tempo no deslocamento os torna mais produtivos.
Neste cenário, a gestão da mobilidade urbana corporativa se torna indispensável, e você pode conferir dicas práticas para criar uma política interna mais eficiente no artigo a seguir.
O vale-transporte é obrigatório para todas as empresas? — Sim, toda empresa que tem funcionários no regime CLT é obrigada a fornecer vale-transporte com desconto máximo de 6% do salário, conforme as leis trabalhistas. No geral, é ofertado um valor fixo mensal (geralmente em um cartão-benefício), utilizado exclusivamente no custeio do deslocamento de casa até o trabalho.
Porém, existem algumas exceções à regra. Ou seja, situações em que não é obrigatório arcar com os custos de deslocamento, como em:
1 – Trabalho home office;
2 – Uso de transporte próprio;
3 – Empresa oferece transporte fretado;
4 – Colaborador não precisa usar transporte público (pois mora próximo à empresa).
Um detalhe importante é que as relações trabalhistas mudaram e, atualmente, é comum encontrar organizações que usam o regime híbrido. Isto é, os colaboradores trabalham alguns dias de casa.
Nesse cenário, o modelo tradicional se torna obsoleto, já que não comporta os diferentes regimes de trabalho.
Aqui, a gestão da mobilidade corporativa chega para garantir que as políticas de benefício de transporte para as empresas continuem atendendo às novas necessidades da equipe e ainda sigam a legislação. Entenda melhor nos próximos tópicos.
O que mudou no benefício de transporte para as empresas? — A principal mudança é que empresas com regime de trabalho híbrido não precisam pagar o valor integral do vale-transporte. Nesta situação, considera-se o valor proporcional aos dias trabalhados presencialmente (em que o colaborador vai até a empresa). Algumas organizações, no entanto, aderiram a um benefício de mobilidade flexível.
Neste cenário, se popularizou o MaaS ou Mobility as a Service (mobilidade como serviço), que consiste na integração dos diversos meios de transporte (como ônibus, táxi, carro próprio e transporte por aplicativo) que uma pessoa pode usar para chegar ao trabalho.
A solução também pode incluir o oferecimento de crédito aberto (um saldo que o colaborador pode usar da forma que for mais conveniente), o reembolso do traslado ou soluções multimodais (que são aceitas em diversos locais).
Aqui, em vez de ter à sua disposição um saldo que só pode ser usado em transporte público, o trabalhador recebe um cartão que permite o uso em transporte por aplicativo e até para cobrir os gastos com combustível. O desconto em folha continua o mesmo, de 6% do salário.
Dessa maneira, é possível atender às demandas do trabalho híbrido e do deslocamento de cada colaborador, sem sobrecarregar o RH com uma gestão descentralizada de benefícios, que costuma gerar desafios como:
• ajuste dos valores conforme a carga horária presencial;
• adequação à legislação trabalhista para evitar que o benefício perca sua natureza indenizatória e passe a ser parte do salário.
Nos próximos tópicos, você entende o que significa mobilidade corporativa urbana e como fazer a gestão desse tipo de benefício com dicas práticas.
O que é mobilidade corporativa urbana e por que é tão importante? — Trata-se da gestão do deslocamento dos colaboradores de uma empresa. O processo é importante porque vai além do pagamento do vale-transporte obrigatório e engloba todas as estratégias e políticas internas adotadas para garantir a máxima eficiência do transporte corporativo, tanto para os trabalhadores quanto para a empresa.
Vale ressaltar que gerenciar os meios que as pessoas usam para chegar ao trabalho assegura que a empresa continue cumprindo suas obrigações (apoiar o deslocamento) e evita que o benefício deixe de ser indenizatório e passe a integrar o cálculo dos encargos trabalhistas (gerando mais custos e trabalho para o RH).
Além disso, uma boa política de mobilidade dá mais controle aos trabalhadores, que ficam livres para escolher como usar seu saldo.
Em todo caso, é essencial fazer a gestão da mobilidade corporativa urbana, com a definição de políticas de uso transparentes para evitar problemas com a legislação trabalhista. Confira mais detalhes abaixo.
Como fazer a gestão de mobilidade corporativa na empresa? — O passo a passo inclui as seguintes tarefas: identificar as necessidades da equipe, definir as políticas de mobilidade, centralizar o controle de uso e de custos e usar parceiros estratégicos. Assim, é possível garantir a conformidade com a legislação trabalhista e a satisfação da sua equipe.
Confira mais detalhes a seguir.
1. Identificar as necessidades da equipe — O objetivo desse primeiro passo é entender como os colaboradores usam o benefício de transporte.
Para tanto, é necessário identificar a frequência de ida à empresa de cada membro, os custos que o traslado gera, se o transporte público é suficiente ou se é mais interessante oferecer um saldo flexível.
2. Definir as políticas de mobilidade — Para definir as políticas de mobilidade, é preciso estabelecer os valores a serem depositados no cartão-benefício, os usos permitidos (como vale-combustível e aplicativos de transporte) e o desconto (se for repassado, mas sempre respeitando o limite de 6% da remuneração previsto na CLT).
A ideia é não deixar nenhuma brecha que possa fazer com que o benefício seja considerado como parte do salário e, assim, aumente a carga tributária da organização.
3. Centralizar o controle — O controle do uso e dos valores deve ser centralizado em uma única plataforma para facilitar o trabalho do RH. Além disso, é essencial que esse processo seja integrado com outros setores, como o de ponto, para sincronizar a frequência presencial com o uso do benefício.
4. Usar parceiros estratégicos — Por último, é importante escolher uma plataforma de gestão que centralize os benefícios e permita ajustes ágeis conforme o perfil de cada colaborador, que facilita, e muito, a rotina do RH, já que entrega tudo o que sua empresa precisa (benefícios flexíveis e em conformidade com a legislação) com menos burocracia.
Além disso, um bom fornecedor ajuda a oferecer uma experiência de mobilidade mais completa, já que os trabalhadores ganham mais liberdade para usar seu saldo da forma que for mais conveniente à sua realidade.
Assim, a empresa consegue oferecer benefícios mais alinhados às necessidades da sua equipe, tornando-se mais competitiva e retendo mais talentos em longo prazo.