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27/06/2026

O Canal do Panamá prevê receitas acima de US$ 5,2 bilhões para o ano fiscal de 2026

Devido o fechamento do Estreito de Ormuz. A estimativa baseia-se no aumento dos trânsitos e leilões que facilitam a travessia da hidrovia interoceânica.

O Canal do Panamá espera que sua receita ultrapasse a previsão de US$ 5,2 bilhões para o ano fiscal de 2026, após o fechamento do Estreito de Ormuz ter impulsionado o trânsito de mais navios pela hidrovia que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, segundo a Bloomberg .

Ilya Espino de Marotta, o futuro administrador da Autoridade do Canal do Panamá, afirmou em entrevista que as receitas para o ano fiscal que termina em 30 de setembro serão “um pouco maiores” do que a estimativa inicial, impulsionadas pelo aumento das travessias e pelos pagamentos em leilões que permitem que alguns navios não precisem passar pela fila.

Vale lembrar que, em abril, um navio pagou US$ 4 milhões adicionais para obter passagem prioritária, enquanto os tempos de espera para travessias sem reserva aumentaram.

Aumento do tráfego — O trânsito de navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) pelo canal aumentou depois que comerciantes do Japão, China e Coreia recorreram a fornecedores dos EUA para substituir o fornecimento de produtores do Oriente Médio, como o Catar, afetados pela guerra no Irã. Esse fluxo foi ainda mais reforçado por um número maior de navios-tanque transportando petróleo bruto dos EUA com destino à Ásia.

—Durante o auge do fechamento do Estreito de Ormuz, o Canal do Panamá registrava entre 40 e 41 navios transitando diariamente, bem acima da média usual de 34 a 35— afirmou —Espino de Marotta. Desde então, o fluxo se estabilizou entre 36 e 38 navios por dia. No entanto, as reservas para junho e julho permanecem robustas, o que deve se traduzir em maiores receitas —acrescentou.

—Atualmente, o canal recebe, em média, um navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) por dia, visto que os fornecedores americanos continuam enviando remessas para a Ásia, apesar do acordo que reabriu o Estreito de Ormuz. Esse comércio praticamente desapareceu nos últimos anos, quando a Europa absorveu grande parte do fornecimento americano após a invasão da Ucrânia pela Rússia — explicou ele.

Planos de expansão — Por outro lado, Espino de Marotta explicou que ficará responsável por diversos projetos de grande escala, incluindo uma nova barragem e reservatório, dois portos e um gasoduto para gás liquefeito de petróleo (GLP), com um custo total estimado em cerca de US$ 8,5 bilhões.

Vale lembrar que, no ano passado, Donald Trump ameaçou retomar o controle do Canal devido à alegada interferência chinesa na hidrovia interoceânica. Em janeiro, a Suprema Corte do Panamá anulou o contrato concedido à CK Hutchison Holdings, empresa sediada em Hong Kong, para operar os portos de Cristóbal e Balboa, em extremidades opostas do Canal do Panamá. O governo panamenho, liderado pelo presidente José Raúl Mulino, assumiu o controle de ambos os terminais e concedeu sua operação provisória à APM Terminals, divisão portuária da Maersk, e à TIL, braço portuário da MSC.

A Autoridade do Canal do Panamá está atualmente pré-selecionando licitantes para o reservatório e para novos terminais portuários — distintos daqueles anteriormente operados pela CK Hutchison — e espera que ambos os projetos comecem a ser desenvolvidos no final de 2027 ou início de 2028, disse Espino de Marotta.

— A autoridade também está em negociações com a indústria de energia para finalizar os detalhes do gasoduto, incluindo os tipos de hidrocarbonetos que ele transportará, e espera concluir todos os projetos até 2032. O financiamento para a barragem já está garantido, e o canal provavelmente dependerá de mercados internacionais e empréstimos de organizações multilaterais para financiar parte dos portos e do gasoduto —complementou. | MM