yuri-abreu

23/06/2026

Da Zona Cerealista de SP ao convite para visitar as maiores fabricantes de creatina do mundo na China

O que eu vi de dentro nas fábricas que abastecem o mercado de suplementos globalmente.

Em seis intensos dias na China, visitei duas das maiores fábricas de creatina, consideradas as mais robustas e estruturadas do mundo. Fui o primeiro empresário brasileiro do setor a ter esse acesso e voltei com uma perspectiva que mudou a forma como enxergo o mercado em que construí minha empresa.

Comecei a Soldiers Nutrition sem a pretensão de ser a marca e o grupo que é hoje. Na época, meu objetivo era ter uma maneira de pagar as contas. Ponto.

Eu comprava creatina a granel na Zona Cerealista de São Paulo, embalava na casa da minha mãe, selava os pacotes com uma faca quente, e entregava de moto, porta a porta.

Primeiro, para os amigos da academia. Depois, pela internet, quando começaram a chegar pedidos de outros estados. Era artesanal, era simples, e era o que eu tinha — e o que dava pra fazer.

Hoje, a Soldiers fatura quase R$ 300 milhões por ano, estruturei um grupo que contempla outras marcas no portfólio, incluindo uma marca de vestuário, indo além da suplementação. A operação cresceu muito e no ano passado inauguramos nossa fábrica própria, de mais de 10 mil metros quadrados, onde tivemos a honra de sermos a primeira indústria do ramo a receber a visita técnica do vice-diretor da Segunda Diretoria da Anvisa. E ele saiu visivelmente surpreso, tecendo elogios a tudo que pôde verificar.

O mesmo produto que eu embalava à mão na casa da minha mãe é hoje umas das creatinas mais vendidas no Brasil. São mais de 4 milhões de unidades comercializadas, liderando as vendas nos principais marketplaces do país.

Mas crescer rápido traz uma responsabilidade que eu levo a sério: saber exatamente o que você está comprando e como é feito. Foi por isso que fui à China.

Não fui como turista. Fui a convite dos nossos fornecedores, algo que não aconteceu com nenhuma outra marca brasileira do setor. Isso é reflexo do bom relacionamento que construímos ao longo dos anos, e abriu uma porta que permanece fechada para a maioria dos concorrentes.

Foram dias movimentados, percorrendo diferentes cidades com reuniões e visitas às maiores fábricas de creatina do mundo, que são responsáveis por uma fatia significativa do abastecimento global do ingrediente.

O que encontrei lá superou qualquer expectativa.

Automação que o Brasil ainda não viu — As fábricas chinesas que produzem creatina operam em um nível de automação que, honestamente, é difícil de descrever sem parecer exagero. O maquinário está anos à frente do que vemos por aqui. E olha que na minha empresa a tecnologia é de ponta.

Todo o processo produtivo é robotizado. Quatro pessoas, por exemplo, são suficientes para operar tecnologias que, em outro contexto, exigiriam dezenas de trabalhadores.

Para quem, como eu, conhece de perto o esforço que é montar uma operação industrial no Brasil, com toda a complexidade regulatória, tributária e logística que isso implica, ver aquela estrutura funcionando foi, ao mesmo tempo, impressionante e revelador.

Não é por acaso que a China domina a produção de matérias-primas para suplementos. Eles investiram pesado em escala e tecnologia, enquanto o resto do mundo ainda debatia como entrar nesse mercado.

A cultura de trabalho que encontrei lá também impressiona. O ritmo é intenso, a dedicação é total, a mentalidade é de longo prazo. Reconheci algo que dia me é muito familiar, porque hoje mantenho uma rotina bem movimentada entre estar no escritório, reuniões, novos negócios, mentorias e, muitas das vezes, tudo isso acontece em um único.

Um detalhe que surpreende: os chineses não consomem creatina Existe uma ironia interessante nessa história toda. O país que produz boa parte da creatina consumida no mundo não tem, internamente, uma cultura de suplementação como a nossa.

Na China, esse mercado simplesmente não existe da forma que conhecemos no Brasil. O foco é exportação e o Brasil é um dos destinos mais relevantes.

Tanto que os próprios fornecedores queriam nos conhecer pessoalmente. Queriam saber “quem é a Soldiers, a empresa brasileira que compra tanto com a gente?”. Isso diz algo sobre o tamanho do que construímos e sobre a responsabilidade que vem junto.

O que essa viagem representa pra mim e pro mercado brasileiro — Fui à China para confirmar o que já acreditava: a creatina que coloca o nome da Soldiers no mercado é produzida com rigor, em instalações de padrão mundial, por fornecedores que tratam a nossa parceria com seriedade.

Mas voltei com algo a mais. Voltei com a clareza de que transparência não é diferencial, é obrigação.

Com o consumidor cada vez mais informado e exigente, saber de onde vem o que eu vendo não é detalhe. É fundamento.

Da faca quente na casa da minha mãe às fábricas robotizadas no interior da China, o produto mudou de escala. Mas o compromisso com quem confia na Soldiers continua o mesmo e com a régua cada vez mais alta.

Por: Yuri Abreu, fundador e CEO da Soldiers Nutrition.