Em evento do IBP, Adriano Lima apontou biocombustíveis, infraestrutura logística e recursos energéticos como diferenciais brasileiros na corrida pela descarbonização do transporte marítimo.
A descarbonização do transporte marítimo deve ser encarada não apenas como uma agenda ambiental, mas como uma oportunidade estratégica para fortalecer a competitividade da cadeia logística e energética brasileira.
A avaliação foi feita por Adriano Lima, diretor de Sustentabilidade da Vast Infraestrutura e coordenador do Grupo de Trabalho de Descarbonização Marítima do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), durante o evento “Diálogos de Energia: O futuro da energia em São Paulo – Caminhos para a competitividade e o desenvolvimento sustentável”, realizado no dia 09 de junho (terça-feira), em São Paulo. O encontro foi promovido pelo IBP, em parceria com a InvestSP e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).
Durante o debate, o executivo destacou que o tema vai além da redução das emissões dos navios e impacta diretamente uma das principais cadeias exportadoras do país.
—Quando falamos da exportação de petróleo brasileiro, estamos falando de uma cadeia que depende profundamente do transporte marítimo. Portanto, discutir a descarbonização marítima é discutir a competitividade futura de uma das principais cadeias exportadoras do país—afirmou Adriano.
Segundo o diretor, a transformação em curso é impulsionada simultaneamente por fatores regulatórios, comerciais e financeiros, como as metas da Organização Marítima Internacional (IMO) e as exigências crescentes de embarcadores e investidores.
O diretor da Vast destacou que o Brasil reúne condições únicas para assumir protagonismo nesse cenário, por combinar relevância logística, produção de petróleo, liderança em biocombustíveis e uma matriz energética competitiva.
—Poucos países possuem simultaneamente relevância logística, recursos naturais e potencial energético para participar dessa transformação. O Brasil não deve enxergar esse movimento apenas como uma obrigação. Trata-se de uma oportunidade de desenvolvimento industrial, logístico e energético. O país pode não apenas abastecer navios, mas contribuir para abastecer a transição energética global—disse.
Segundo Adriano, o setor caminha para um cenário com múltiplas rotas tecnológicas, e o desafio será posicionar o Brasil para capturar valor ao longo dessa transformação.
A infraestrutura tem papel central nesse processo, seja por meio da eficiência logística, da redução das emissões das operações atuais ou da preparação para os combustíveis da transição energética.
Nesse contexto, a Vast aposta em três frentes: eficiência operacional, com o uso de navios de grande porte (VLCCs), que reduzem a intensidade de emissões por barril exportado; descarbonização das operações, por meio de iniciativas como o uso de HVO (diesel verde) e a avaliação de novas soluções para redução das emissões portuárias; e preparação da infraestrutura para os combustíveis da transição.
Em 2025, a companhia realizou, no Terminal de Líquidos do Açu (TLA), o primeiro abastecimento com HVO do setor marítimo brasileiro. O terminal também foi projetado para armazenar e movimentar combustíveis marítimos e produtos de menor intensidade de carbono, como biocombustíveis, SAF, e-metanol e amônia verde.
—A transição energética dependerá menos de anúncios e mais de infraestrutura efetivamente disponível. Capital, tecnologia e interesse existem. O principal desafio agora é reduzir as incertezas para investimentos de longo prazo e criar as condições necessárias para que essa transformação ganhe escala—concluiu.
Vast Infraestrutura — A Vast Infraestrutura, empresa do Grupo Prumo, é líder no transbordo de petróleo no Brasil e oferece infraestrutura e soluções logísticas para a movimentação de líquidos de forma segura, limpa, eficiente e sustentável. Com atividades iniciadas em 2016, o terminal de petróleo da companhia (T-Oil) já realizou mais de 1.300 operações de transbordo de petróleo e responde por cerca de um terço de toda a exportação de petróleo brasileira.
A Vast também vem ampliando seu portfólio de serviços por meio do desenvolvimento do Terminal de Líquidos do Açu (TLA), projeto que contribuirá para ampliar a infraestrutura logística disponível para a movimentação e armazenagem de líquidos no Brasil. A companhia já assinou contratos de longo prazo com a Vibra e a efen para utilização do terminal e de seu parque de tancagem, cujas obras seguem em andamento com previsão de início das operações no final de 2026.
Concebido para atender aos mercados de derivados de petróleo, químicos e combustíveis de baixo carbono, o TLA integra a estratégia da Vast de apoiar a transição energética, incluindo iniciativas voltadas à movimentação de biocombustíveis e ao desenvolvimento de soluções para combustíveis do futuro, como o e-metanol.