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04/06/2026

Fio nacional como vantagem competitiva em tempos de importação crescente

Os números da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) para 2026 não deixam margem para otimismo fácil. O setor têxtil nacional deve crescer apenas 1,1% enquanto as importações avançam 5,1%. No segmento de vestuário, o volume importado cresceu 13,1% em toneladas em 2025, impulsionado por produtos da China, Índia, Bangladesh e Vietnã, em ritmo mais de seis vezes superior ao crescimento do varejo brasileiro. É uma pressão real, e ela chega, antes de tudo, pela porta do custo.

O argumento do fio importado começa e termina no preço. E não é um argumento desprezível. Em um mercado pressionado por margens estreitas, a diferença no insumo pode parecer a saída mais racional. Mas essa conta raramente fecha quando se consideram os custos que vêm junto com a dependência de fornecedores estrangeiros.

O primeiro deles é a rastreabilidade. O fio importado chega, em geral, sem cadeia de origem verificável. Com regulamentações de ESG se tornando exigências de mercado, e não apenas de compliance, isso representa um risco crescente para marcas que precisam prestar contas de toda a cadeia produtiva. O que não tem origem documentada não tem argumento de venda sustentável.

O segundo risco é a irregularidade de entrega. Atrasos em portos, variações cambiais, bloqueios logísticos e flutuações de demanda global tornam o planejamento de produção imprevisível. O custo do estoque de segurança, ou do atraso de uma coleção inteira, não aparece no preço do fio, mas aparece no resultado do mês.

O terceiro ponto é o suporte técnico. Quando há uma não conformidade no fio, seja variação de título, resistência fora do padrão ou comportamento inesperado no tingimento, o fornecedor do outro lado do mundo raramente consegue ser ágil o suficiente para não comprometer o lote em andamento. Suporte próximo não é um detalhe de relacionamento; é uma garantia operacional.

O algodão 100% nacional produzido pela Incofios é cultivado, fiado e controlado dentro do Brasil. Isso significa origem certificada, contato direto com a equipe técnica que conhece a realidade do cliente e um prazo de entrega que não depende de um navio em Xangai. São variáveis que o preço do fio importado não elimina, apenas adia.

O momento do mercado é contraditório para quem olha só a superfície: as importações crescem, os volumes são expressivos, e a tentação de competir exclusivamente no preço é grande. Mas há confeccionistas e marcas que enxergam nesse cenário exatamente o oposto, uma oportunidade de se diferenciar pela confiabilidade da cadeia. Fio com origem rastreável, entrega regular e suporte próximo não é um custo a mais. É o argumento que o produto importado simplesmente não consegue oferecer.

Em um setor onde a pressão de preço vem de fora, o valor vem de dentro. E o fio nacional está no centro dessa construção.

Por: Fernando Conti, gerente Comercial da Incofios. Com mais de 20 anos de experiência na área comercial, Fernando Conti integra a equipe da Incofios há 16 anos. Tem formação técnica em Têxtil, é bacharel em Administração e Marketing, possui pós-graduação em Gestão Estratégica Empresarial e MBA em Gestão Comercial.