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20/05/2026

Lucro bancário cai 5,8% com empresas migrando para mercado de capitais, aponta especialista

— O empresário não quer mais ficar refém de uma única linha de crédito bancário quando ele pode securitizar seus próprios recebíveis com taxas competitivas e de forma ágil—diz analista de mercado.

O mercado de crédito corporativo no Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um sinal de alerta para as instituições tradicionais e uma forte sinalização de mudança estrutural. Pela primeira vez após oito trimestres seguidos de expansão, o lucro líquido contábil somado dos quatro maiores bancos privados do país, Itaú, Bradesco, Santander e BTG Pactual, registrou um recuo de 5,83%, totalizando R$ 25,263 bilhões. Quando o Banco do Brasil é incluído na amostra, a queda consolidada é ainda mais expressiva, atingindo 10,8% e somando R$ 28,353 bilhões. Esse recuo acende o debate sobre o espaço que os grandes conglomerados financeiros vêm perdendo no financiamento das empresas brasileiras. Do outro lado da balança, o mercado de FIDCs vive uma realidade oposta, registrando uma expansão de 38% no volume de emissões no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse descompasso evidencia que o apetite por capital continua forte, mas as empresas estão deixando os balcões bancários para buscar recursos diretamente no mercado de capitais.

A principal resposta para essa fuga dos balcões tradicionais em direção ao mercado de capitais está na expansão dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que surgem como uma solução eficiente de liquidez e flexibilidade para as companhias. Enquanto os grandes bancos adotam critérios de concessão mais rígidos, os FIDCs oferecem estruturas customizadas, capazes de antecipar recebíveis e moldar as garantias conforme a realidade operacional de cada negócio. Para Vicente Guimarães, diretor de RI do Grupo IOX, essa migração reflete uma maturidade operacional do mercado financeiro brasileiro. —Os FIDCs ganharam tração porque resolvem o problema do tempo e da burocracia na ponta da empresa tomadora. O empresário não quer mais ficar refém de uma única linha de crédito bancário quando ele pode securitizar seus próprios recebíveis com taxas competitivas e de forma ágil — explica Guimarães. Essa eficiência justifica os números recentes do crédito privado, com um crescimento de 22,5% no volume de emissões no mesmo período, movimentando R$ 192,8 bilhões em ofertas.

O aprofundamento desse movimento revela uma transformação profunda na base de investidores e no tamanho dessa indústria de ativos estruturados no Brasil. Atualmente, o setor de fundos estruturados já ultrapassa a marca histórica de R$ 800 bilhões em patrimônio líquido, impulsionado por um movimento expressivo de atração de capital, visto que a base de cotistas simplesmente dobrou ao longo de 2025. A projeção para o encerramento de 2026 é que esse montante supere com folga o patamar de R$ 1 trilhão, consolidando o segmento como um pilar central do financiamento corporativo nacional. Essa injeção de liquidez é alimentada tanto por investidores institucionais quanto por pessoas físicas, que buscam nos fundos de direitos creditórios uma alternativa de rentabilidade real diante da volatilidade da renda variável. A consolidação dessa infraestrutura financeira, apoiada por ecossistemas integrados de originação e análise de crédito, descentraliza o risco do sistema financeiro tradicional e distribui a rentabilidade de forma direta para quem financia o crescimento das empresas, reduzindo significativamente a dependência histórica do middle market em relação aos grandes bancos comerciais.

Sob a ótica macroeconômica, o recuo nos lucros dos grandes bancos e o avanço vigoroso do crédito privado ocorrem em um cenário de juros persistentemente elevados, pressionados pelas decisões do Copom e pelas incertezas do Federal Reserve em relação à inflação global. Com a taxa Selic em patamar restritivo, o crédito bancário tradicional se torna caro para as empresas, ao mesmo tempo em que os investidores demandam prêmios mais altos para alocar seus recursos, o que favorece os títulos de dívida corporativa e os fundos estruturados. Esse ambiente de volatilidade cambial e pressões inflacionárias externas faz com que as corporações prefiram alongar seus perfis de endividamento e otimizar suas estruturas de capital fora do balanço dos bancos tradicionais. Diante desse panorama complexo, Guimarães aponta que a dinâmica do mercado nacional mudou permanentemente. —O cenário macroeconômico atual exige eficiência extrema na alocação de recursos. A descentralização do crédito e o fortalecimento dos FIDCs deixaram de ser uma tendência temporária para se tornarem uma importante engrenagem de financiamento da atividade econômica no país —conclui.

Grupo Iox — Criado em 2004, o Grupo IOX consolidou-se ao longo de 20 anos de história como um dos protagonistas do mercado de crédito no Brasil. O que começou com foco em pequenos negócios no Sudeste evoluiu para uma atuação nacional, atendendo médias e grandes empresas em diferentes setores da economia. Hoje, o grupo acumula mais de R$ 30 bilhões investidos e operados ao longo de sua trajetória, refletindo escala, consistência e capacidade de execução em ciclos distintos do mercado.

Com uma carteira ativa superior a R$ 3,7 bilhões, o Grupo IOX atua como parceiro estratégico tanto de empresas que buscam soluções de crédito sob medida quanto de investidores em busca de retornos atrativos com risco ajustado. A combinação de especialização técnica, governança e leitura aprofundada da economia real sustenta a expansão do grupo e reforça seu posicionamento como um dos players mais relevantes do crédito privado brasileiro. | www.iox.com.vc