Alta de 17% frente a 2025. Em 12 meses, lucro bate novo recorde, com R$ 15,6 bilhões. Ativos totais se aproximam de R$ 1 trilhão, atingindo R$ 995 bilhões, maior valor nominal da história, crescendo mais de 45% desde 2022. Carteira de crédito alcança R$ 678,2 bilhões, alta de 14% em relação a 2025 e maior patamar desde 2016. Carteira de participações societárias soma R$ 110,3 bilhões, com rendimento de R$ 74,7 bilhões desde 2022. Patrimônio Líquido atinge recorde histórico, com crescimento de mais de 47% desde 2022. Consultas, aprovações e desembolsos no primeiro trimestre de 2026 crescem de 37% a 65% frente ao primeiro trimestre de 2025. Crescimento nos desembolsos setoriais, com destaque para aumento de 67% na indústria.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou seus resultados no dia 12 de maio (terça-feira), em São Paulo, em coletiva de imprensa com a presença do presidente do Banco, Aloizio Mercadante, e dos diretores Alexandre Abreu, Nelson Barbosa, Tereza Campello, Maria Fernanda Coelho e Jean Uema.
Para Mercadante, o Banco vem numa trajetória de crescimento “muito forte, consistente e de qualidade”. —Isso tem a ver com a percepção dos empresários e do mercado em relação às entregas do BNDES: cada vez temos mais projetos chegando— comemorou. Mercadante sinalizou a criação de oficinas do Banco pelo país para auxiliar e agilizar o crédito para novos clientes, com projetos mais alinhados às diretrizes do BNDES.
—As consultas, aprovações e desembolsos cresceram fortemente nesse trimestre, apesar de todos os desafios que tivemos nesse período —afirmou, lembrando o impacto das guerras pelo mundo nas economia do Brasil e global. —Em relação ao BNDES, os dados são inquestionáveis e o mais importante é o crescimento com qualidade. Estamos chegando com um trilhão de ativos, a inadimplência de longe a menor do mercado e o lucro recorrente, um resultado do nosso trabalho, recorde histórico. é um resultado muito consistente e promissor porque quando temos carteira e ativos significa que temos fôlego, estamos prontos para os desafios que teremos pela frente para continuar nessa trajetória—.
—Em injeção de crédito que o BNDES promoveu neste trimestre – a gente tem aqui as aprovações de crédito do BNDES e aquilo que o BNDES atuou como garantidor, o fundo FGI, garantindo operações de crédito liberado pelos bancos pela rede bancária estatal e privada — temos R$ 66,5 bilhões, o que comparado com o mesmo período do ano passado é um incremento de 21% —destacou Alexandres Abreu. —Quando comparo esse mesmo número com o primeiro trimestre de 2022, esse crescimento é de praticamente 400%, cinco vezes mais. Essa é a contribuição que o BNDES deu para o crédito no Brasil—.
No período, as consultas somaram R$ 84,4 bilhões, crescimento de 65% sobre 2025 e de 490% sobre 2022.
Considerando somente operações para entes públicos, principalmente estados e municípios, entre janeiro de 2023 e março de 2026 foram aprovados R$ 41 bilhões em novas operações, montante que representa 7,3 vezes as operações realizadas entre 2019 e 2022. Os recursos se destinaram, principalmente, a projetos de impacto social e climático, como mobilidade urbana, infraestrutura logística, adaptação climática e resiliência.
Para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) as aprovações de crédito somaram R$ 29 bilhões, o que representa um aumento de 120% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 333% sobre 2022. As garantias prestadas por fundos garantidores em operações realizadas por agentes financeiros alcançaram R$ 20,8 bilhões, totalizando o volume de R$ 49,8 bilhões de apoio a tais empresas, aumento de 44% comparado ao primeiro trimestre de 2025 e de 592% a igual período de 2022.
—O BNDES tem uma estratégia muito clara, que vem sendo implementada desde 2023, voltada para o crescimento regional, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, para que a gente possa diminuir a assimetria que ainda existe— observou a diretora Maria Fernanda Coelho. — Em relação ao crédito e ao investimento para essas regiões, temos atuado de forma estratégica com as micro, pequenas e médias empresas. Essa é também uma demanda tanto do Consórcio Nordeste, quanto do Consórcio da Amazônia Legal. Temos o programa BNDES Mais Perto de Você, onde a gente articula as federações das indústrias e todo setor produtivo — comércio, serviço, indústrias, agropecuária — e leva informações em relação aos nossos produtos e serviços. Isso já aconteceu em Roraima, no Amapá, em Rondônia e nos outros estados— complementa.
A inadimplência de 0,046% (90 dias) permanece expressivamente inferior à do Sistema Financeiro Nacional (4,33% geral e 0,60% para grandes empresas em março de 2026), evidenciando a solidez da carteira de crédito do BNDES.
Lucro líquido — O lucro líquido recorrente de R$ 3,1 bilhões representa um aumento de 17% em relação ao primeiro trimestre de 2025 sendo que, no acumulado dos últimos 12 meses (R$ 15,6 bilhões) é o maior da história, representando crescimento de 22% em relação a 2022 (R$ 12,5 bilhões).
Destaca-se que o resultado financeiro do BNDES foi beneficiado pelos ganhos de crédito, oriundos do crescimento dos ativos como um todo.
Ativos — Em 31 de março de 2026, os ativos totais do Sistema BNDES somaram R$ 995 bilhões, aumento de R$ 32,2 bilhões (3,3%) em relação a dezembro de 2025, especialmente pelo crescimento de R$ 23,9 bilhões da carteira de participações societárias e de R$ 14,7 bilhões da carteira de crédito expandida. O resultado de 2026 representa alta de 45% sobre 2022 (R$ 684 bilhões).
Os financiamentos de créditos, repasses, debêntures e outros ativos de concessão de crédito, que compõem a carteira de crédito expandida, atingiram o montante de R$ 678 bilhões em 31 de março de 2026 (2,2% acima de dezembro de 2025), influenciado pela apropriação de juros e atualização monetária e pela integralização de debêntures. O montante é R$ 235 bilhões maior que o primeiro trimestre de 2022.
A carteira de participações societárias totalizou R$ 110,3 bilhões, aumento de 27,7% em relação à posição de dezembro 2025 pela valorização dos investimentos em empresas não coligadas. Petrobras, JBS, Axia Energia (Eletrobras) e Copel seguem como principais empresas investidas em termos de carteira total.
Desde janeiro de 2023, a carteira variou R$ 47,6 bilhões (incluindo compras de R$ 6,7 bilhões), foram vendidos R$ 6,4 bilhões e recebidos R$ 27,4 bilhões de proventos.
Fontes de recursos — Em 31 de março de 2026, saldo do FAT era de R$ 489 bilhões, representando a parcela mais significativa da estrutura de funding do BNDES (51,4% dos passivos onerosos da instituição), com discreto aumento de R$ 3,5 bilhões em relação ao saldo em 31 de dezembro de 2025.
O valor devido pelo BNDES ao Tesouro Nacional e ao mercado de captações domésticas (principalmente LCA e LCD) totalizou R$ 36 bilhões e R$ 28 bilhões em 31 de março de 2026, respectivamente, mesmos patamares de 31 de dezembro de 2025.
O passivo com captações externas atingiu R$ 44 bilhões em 31 de março de 2026, com acréscimo de 9,6% no trimestre. Os recursos oriundos das captações de R$ 2,7 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), de R$ 1,3 bilhão da Japan International Cooperation Agency (Jica), de R$ 1,0 bilhão da Corporação Andina de Fomento (CAF) e de R$ 1,0 bilhão do Japan Bank for International Cooperation (Jbic) foram parcialmente compensados por efeitos de variação cambial de R$ 2,0 bilhões e por R$ 0,4 bilhão de amortizações de principal e juros.
Patrimônio líquido — O patrimônio líquido atingiu R$ 192 bilhões, em 31 de março de 2026, aumento de R$ 19,7 bilhões frente ao encerramento de 2025 em virtude do lucro líquido (incluindo vendas de ações) de R$ 3,9 bilhões no trimestre, e do efeito positivo do ajuste a valor de mercado de ativos (principalmente ações e debêntures) de R$ 15,8 bilhões, líquido de tributos.
Índice de Basileia — O BNDES mantém índices de capital sólidos bem acima do mínimo regulatório. Em 31 de março de 2026, o Índice de Basileia atingiu 24,1% (25,2% em dezembro de 2025), mantendo situação confortável com relação do limite de 10,5% exigido pelo Banco Central. O decréscimo observado em relação ao apurado em dezembro de 2025 reflete o aumento dos ativos ponderados pelo risco, principalmente pela valorização da carteira de ações, em proporção superior ao crescimento do patrimônio de referência, relacionado com as variações do patrimônio líquido mencionadas.