Durante o período, os Novos Negócios mantiveram a estabilidade de relevância na geração de receita.
A Valid, multinacional brasileira de soluções de identificação segura, em seus resultados do primeiro trimestre de 2026, obteve receita líquida de R$ 447 milhões, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sigla em inglês) de R$ 114 milhões e lucro líquido de R$ 56 milhões. Entre os destaques do período, estão a participação de 15% dos Novos Negócios na receita geral da Companhia, em linha com os trimestres anteriores, e a sua saúde financeira – a companhia segue com forte posição de caixa líquido e, nos últimos 12 meses, converteu 72% do Ebitda em caixa.
O CEO da Valid, Ilson Bressan, destaca que o plano estratégico da Companhia consolida a possibilidade de seguir investindo em suas teses de mercado enquanto mantém uma saudável posição de caixa. “Antecipamos o pré-pagamento de dívidas mais caras, mantivemos os investimentos nas iniciativas digitais sem recorrer a capital externo e seguimos com o programa de recompra de ações, porque acreditamos que o mercado ainda não reflete integralmente o valor que estamos construindo”, afirma.
No período, conforme aponta o CEO, a empresa recomprou 226.700 ações, no montante de R$ 4,8 milhões. Em outros movimentos financeiros, a Valid aprovou a distribuição de R$ 14,2 milhões em dividendos — equivalentes a R$ 0,18 por ação — e a venda dos ativos da operação de “Agro” da Valid Link, por R$ 4,5 milhões. O objetivo dessa transação está ligado ao foco estratégico nas frentes de maior competitividade e diferencial da Companhia.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, houve crescimento de 10% de Ebitda. O mesmo período registrou queda em Receita (-10,7%) e no Lucro Líquido (-24,3%), puxada por um processo deliberado de transformação de portfólio e por fatores externos. A Medida Provisória 1.327, que simplificou o processo de renovação de CNHs, impactou diretamente o volume de emissões de habilitações no país, com reflexos nas operações de identidade. Em paralelo, com Meios de Pagamento, a companhia seguiu reduzindo exposição à Argentina e à pressão de preços no Brasil. Já em Mobile, câmbio desfavorável e sazonalidade pressionaram a receita.
—A Valid vive um processo de transformação que não é linear. Estamos migrando uma companhia de quase 70 anos, com 20 deles listado em bolsa, de um modelo baseado em produtos físicos de alta escala para uma plataforma digital de identidade com receita recorrente e margens crescentes. Esse tipo de transição nunca acontece sem turbulência. O que nos cabe é atravessá-la sem perder o foco, e é exatamente isso que fizemos neste trimestre— pontua Bressan.
Para 2026, a Valid acredita que a digitalização de serviços públicos e privados, o combate à fraude e a crescente demanda por segurança e identidade digital continuam sendo vetores estruturais de crescimento, estando posicionada para capturar essas oportunidades com responsabilidade, disciplina e visão de longo prazo.
CIN bate recorde e Pay avança em margem — A Valid registrou forte desempenho na vertical de ID & Gov. Digital, com receita de R$ 249 milhões no primeiro trimestre de 2026, Ebitda de R$ 84,5 milhões e margem de 34,0% — expansão de 2,7 p.p. na comparação anual. O destaque do período foi a Carteira de Identidade Nacional (CIN), que atingiu receita recorde de R$ 88 milhões, avanço de 44% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Ao final do trimestre, o Brasil contabilizava mais de 50 milhões de CINs emitidas — cerca de 23% da população —, com a Valid responsável por aproximadamente 75% desse volume total. O crescimento da CIN não apenas reduz a dependência histórica da CNH como vetor de receita como amplia a previsibilidade do fluxo de receitas da vertical.
O Selo D’água Digital também registrou expansão expressiva. Com o primeiro trimestre completo de operação no Estado de São Paulo — iniciada em novembro de 2025 —, foram 710 milhões de selos emitidos no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 313% na comparação anual. A Valid passa a atuar com a solução em cinco estados brasileiros: Ceará, Alagoas, Pernambuco, Goiás e São Paulo, reforçando seu posicionamento em soluções voltadas à segurança e ao combate à evasão fiscal.
Na vertical Mobile, a receita totalizou R$ 108 milhões no trimestre, com Ebitda de R$ 19 milhões e margem de 17,9% — expansão de oito pontos percentuais na comparação anual. O volume de SIM Cards alcançou 63 milhões de unidades, crescimento de 27,2% frente ao primeiro trimestre de 2025, evidenciando a estratégia de ampliação de participação de mercado ainda que com pressão sobre o preço médio.
Já a vertical Pay registrou receita de R$ 90 milhões, reflexo das pressões já mencionadas na Argentina e no Brasil. O Ebitda, no entanto, avançou para R$ 10,5 milhões, com margem de 11,7% — expansão de seis pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre de 2025 —, resultado do avanço no plano de adequação operacional na Argentina, com redução de quadro e otimização de estoques. A geração de caixa operacional no primeiro trimestre de 2026 foi de R$ 40 milhões, representando 35% do Ebitda trimestral. Nos últimos 12 meses, a conversão de Ebitda para caixa atingiu 72%, reforçando a capacidade da companhia de gerar valor mesmo em períodos de maior pressão.