Receita cresce 6,1%, com destaque para o desempenho sólido da Divisão Madeira e melhora no negócio de Metais e Louças.
A Dexco encerrou o primeiro trimestre de 2026 com ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sigla em inglês)ajustado e recorrente de R$ 478 milhões, alta de 38,3% na comparação anual. O resultado reflete a evolução operacional e a capacidade da companhia de captar ganhos de eficiência em um ambiente de mercado ainda desafiador. A receita líquida somou R$ 2 bilhões, crescimento de 6,1%.
A companhia registrou lucro líquido recorrente de R$ 72 milhões, com a margem Ebitda atingindo 23,7%, um avanço de 5,5 pontos percentuais sobre o primeiro trimestre de 2025.
—O trimestre demonstra uma execução disciplinada, com avanço em produtividade e captura de valor. Seguimos focados no que está sob nosso controle, diante de um cenário macroeconômico que ainda exige atenção—afirma o CEO, Raul Guaragna.
O período foi marcado por forte geração de caixa operacional, fruto da melhoria do Ebitda, da otimização do capital de giro e do encerramento do ciclo de investimentos mais pesados. Esse movimento contribuiu para a redução da alavancagem, com a relação dívida líquida/Ebitda atingindo 2,99x ao fim do trimestre. A Dexco também reforçou sua liquidez com a conclusão da emissão de CPRs (operação efetuada no final de 2025) adicionando R$ 296 milhões ao caixa da companhia.
—Avançamos na desalavancagem com base em geração de caixa e disciplina financeira. Seguimos preparados para enfrentar um ambiente de custos ainda pressionado nos próximos meses— destaca a CFO, Lucianna Raffaini.
A Divisão Madeira, com as marcas Duratex e Durafloor, registrou receita líquida recorrente de R$ 1,39 bilhão, alta de 8,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025, e Ebitda de R$ 442 milhões, crescimento de 26,3%. O desempenho foi impulsionado principalmente pela evolução de preços, pela melhoria do mix de produtos e por ganhos de eficiência operacional, mesmo em um cenário setorial ainda desafiador.
—O negócio de madeira segue consistente. Para o 2T26, teremos pressões de custos em insumos como a ureia e no frete global, influenciadas pelos conflitos no Oriente Médio. Nossa resposta será manter a disciplina comercial e o foco em produtos de maior valor agregado para preservar as margens—reforça Guaragna.
A LD Celulose, joint venture entre a Dexco e a austríaca Lenzing, registrou Ebitda ajustado e recorrente de R$ 368 milhões (100% da operação) no primeiro trimestre. O volume expedido cresceu 13,9%, refletindo elevada eficiência operacional e estabilidade produtiva da unidade, que operou em plena capacidade. O resultado foi impactado pela queda dos preços da celulose solúvel e pela variação cambial, fatores externos ao controle da operação, parcialmente compensados pela alta eficiência produtiva e diluição de custos.
—Embora o cenário macroeconômico, com o dólar médio em patamares inferiores aos do ano passado e queda nos preços da celulose solúvel, pressione a conversão dos resultados, a unidade mantém um custo de caixa extremamente competitivo e alta eficiência operacional, o que a posiciona para capturar valor quando o ciclo de preços globais se tornar mais favorável— afirma Lucianna.
A divisão de Metais e Louças, representada pela marca Deca, apresentou melhora nos resultados, com Ebitda de R$ 40 milhões e margem de 8,7%, refletindo a recomposição de preços, a evolução do mix e ganhos de eficiência operacional, mesmo em um cenário de leve retração de demanda e pressão de custos, especialmente do cobre.
—Observamos uma melhora gradual na Deca, resultado de ajustes estratégicos e recomposição de preços. Ainda assim, o mercado permanece sensível, e seguimos acompanhando a demanda de perto para equilibrar volume e rentabilidade, especialmente diante da volatilidade das commodities— pontua a CFO da Dexco.
Já a divisão de Revestimentos, representada pelas marcas Ceusa, Portinari e Castelatto, continua inserida em um ambiente setorial desafiador, marcado por excesso de capacidade, pressão de preços e demanda ainda enfraquecida. Apesar disso, houve melhora nas margens operacionais, impulsionada por iniciativas de produtividade e controle de despesas.
Gestão estratégica e investimentos — A agenda de gestão de capital foi um pilar central no trimestre. A combinação entre a conclusão de operações de liability management em 2025 e a forte geração de caixa no período contribuiu para a redução da alavancagem e o alongamento dos prazos. No primeiro trimestre de 2026, a companhia encerrou o período com prazo médio de aproximadamente 5,3 anos para suas obrigações financeiras e custo médio de 104,6% do CDI, mantendo uma estrutura equilibrada entre curto e longo prazo.
Para os próximos trimestres, a companhia mantém postura cautelosa diante de pressões adicionais de custos, especialmente em commodities e frete.
A estratégia segue centrada em disciplina comercial, ganhos de produtividade e gestão eficiente da capacidade produtiva, com foco na preservação da rentabilidade e na continuidade da geração de caixa.
—Seguimos atentos ao cenário e atuando de forma antecipada, com ajustes de preço, e continuamos focados em eficiência para mitigar os impactos de custos e sustentar a evolução dos resultados ao longo dos próximos trimestres— conclui o CEO, Raul Guaragna.