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28/04/2026

IPCA sobe pela 7ª vez e amplia dúvida sobre queda da Selic, apontam economistas

—O mercado está otimista demais ao projetar Selic em 11% já em 2027, porque essa trajetória depende de fatores fora do controle da política monetária,como cenário externo e ajuste fiscal — analisa André Matos, CEO da MA7 Negócios.

—O Focus desta semana reforça um cenário de pressão persistente sobre a inflação e revisão contínua das expectativas.A projeção do IPCA para 2026 avançou para 4,86%, na sétima alta consecutiva, ampliando a distância em relação ao teto da meta. Esse movimento, mesmo diante de um câmbio mais apreciado, reforça que a inflação segue resiliente e com componentes estruturais ainda pressionados. A manutenção da Selic em 13% reflete exatamente essa leitura do Banco Central, de que ainda não há espaço para uma flexibilização mais agressiva. O nível atual de juros continua sendo necessário para manter o controle das expectativas e evitar uma desancoragem, principalmente em um ambiente de crescimento moderado. Por outro lado, já é um patamar que encarece o crédito e reduz a velocidade da economia. Existe um certo excesso de otimismo no mercado em relação à trajetória da Selic, especialmente quando se considera a persistência inflacionária. A tendência é de cortes mais graduais e condicionados a uma melhora mais consistente dos dados — indica Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

—O Focus desta semana mostra que o cenário continua se deteriorando na ponta inflacionária. A projeção do IPCA para 2026 subiu novamente, agora para 4,86%, 7º alta consecutiva e ainda mais distante do teto da meta, com a inflação medida em janelas de 12 meses suavizada apontando 4,09%. Ao mesmo tempo, o mercado consolidou a Selic em 13% no fim de 2026 e em 11% em 2027, sinalizando que o ciclo de cortes será muito mais lento do que se imaginava em janeiro. Diante desse quadro, com IGP-M projetado em 4,80%, dívida líquida em 69,90% do PIB e resultado primário negativo em 0,50% do PIB, o atual nível de juros, em 14,75%, ainda é necessário, e talvez por mais tempo do que parte do mercado quer admitir. A inflação de serviços segue resistente, o mercado de trabalho continua aquecido e o canal fiscal não dá folga ao Banco Central. O risco real é o oposto, o mercado está otimista demais ao precificar Selic em 11% já em 2027, porque essa trajetória depende de 2 variáveis fora do alcance da política monetária, a desescalada no Oriente Médio e a entrega concreta do ajuste fiscal. Sem isso, a curva longa de juros não vão ceder, e qualquer corte mais agressivo agora arriscaria desancorar de vez as expectativas, custando muito mais lá na frente — ressalta André Matos, CEO da MA7 Negócios.

—A atualização do Focus reforça um quadro de desinflação mais lento e irregular do que o esperado, em que a inflação de serviços continua exercendo papel central e a atividade econômica, embora moderada, não gera alívio suficiente para a convergência rápida dos preços. Esse quadro reforça a percepção de que o atual patamar de juros permanece necessário para evitar uma deterioração adicional das expectativas, especialmente em um ambiente em que fatores fiscais e externos seguem adicionando incerteza ao cenário doméstico. O ponto de tensão está na trajetória implícita, já que o mercado projeta um ciclo de flexibilização relativamente célere apesar de não haver sinais consistentes de convergência inflacionária, o que sugere otimismo prematuro na precificação da Selic e compressão de prêmio na curva, implicando manutenção de preferência por pós-fixados e inflação implícita elevada como proteção, além de reforçar a necessidade de seletividade em crédito diante de juros reais ainda restritivos e impacto assimétrico sobre emissores mais alavancados — enfatiza Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos.

—A revisão da inflação para 4,86% em 2026 reforça que o processo de desinflação está mais lento do que o esperado. Mesmo com o câmbio mais favorável, a inflação segue pressionada, o que exige uma postura mais cautelosa da política monetária. A Selic projetada em 13,00% ainda é necessária para garantir estabilidade e previsibilidade, principalmente em um ambiente em que as expectativas ainda não estão plenamente ancoradas. Por outro lado, esse nível de juros já impõe um aperto relevante nas condições financeiras, tornando o crédito mais seletivo e elevando o custo para empresas. O mercado parece precificar um cenário mais benigno do que o atual, ao projetar cortes mais rápidos da Selic. Na prática, o Banco Central deve manter um ritmo mais gradual, dependente de evidências concretas de desaceleração inflacionária — aponta Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

—A atualização do Focus reforça um cenário macroeconômico que exige cautela. A inflação projetada para 2026 subiu para 4,86%, consolidando uma sequência de revisões para cima, enquanto o crescimento segue praticamente estável em 1,85%. Mesmo com o câmbio em trajetória de queda, para R$ 5,25, a dinâmica inflacionária continua pressionada, o que indica que o problema não é apenas externo, mas também doméstico, especialmente ligado a serviços e inércia inflacionária. Nesse contexto, a Selic projetada em 13,00% ainda é necessária do ponto de vista técnico, porque o Banco Central precisa preservar a credibilidade e garantir a convergência das expectativas. Ao mesmo tempo, já é um nível claramente restritivo para a atividade econômica, impactando decisões de investimento e consumo. O mercado, na minha leitura, está relativamente otimista ao antecipar um ciclo mais acelerado de cortes. Os dados ainda não mostram uma desaceleração consistente da inflação que permita essa flexibilização com segurança — salienta João Kepler, CEO da Equity Group.

—A elevação da projeção do IPCA para 4,86% em 2026 é um sinal de que a inflação ainda não está sob controle pleno, mesmo com a contribuição positiva do câmbio. Esse movimento reforça a necessidade de manutenção de uma política monetária mais restritiva, com a Selic em 13,00% ao ano. Do ponto de vista técnico, esse nível de juros ainda é necessário para garantir a convergência da inflação e preservar a credibilidade do Banco Central. No entanto, já produz efeitos relevantes sobre o crescimento e o mercado de capitais, especialmente no custo de financiamento e na precificação de ativos. O mercado demonstra certo otimismo ao antecipar uma queda mais acelerada da Selic, mas os dados ainda não sustentam esse cenário. A tendência é de um ciclo de cortes mais lento, condicionado a uma melhora consistente e sustentada da inflação—enfatiza Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações.