Alta de 596% em relação ao trimestre anterior e, 166% na comparação com o primeiro trimestre de 2025.
A Usiminas divulgou os seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2026 no dia 24 de abril (sexta-feira), cujos dados mostram avanços nos principais indicadores, alcançados principalmente em função da melhoria do mix de produtos, da redução de custos e do fortalecimento da competitividade da companhia. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sigla em inglês) ajustado consolidado alcançou R$ 653 milhões, um crescimento de 56% em relação ao quarto trimestre de 2025 (R$ 417 milhões) e queda de 11% em relação ao primeiro trimestre de 2025 (R$ 733 milhões). A margem Ebitda ficou em 11%, ante 7% no trimestre anterior e em linha com o primeiro trimestre de 2025.
O lucro líquido atingiu R$ 896 milhões, um crescimento de 596% em relação ao trimestre anterior (R$ 129 milhões) e aumento de 166% na comparação com o primeiro trimestre de 2025 (R$ 337 milhões), refletindo a evolução do resultado operacional e do resultado financeiro, beneficiado por ganhos cambiais líquidos no período. Já a receita líquida alcançou R$ 5,9 bilhões, redução de 5% em relação ao quarto trimestre de 2025 (R$ 6,2 bilhões) e de 14% frente ao primeiro trimestre de 2025 (R$ 6,9 bilhões), refletindo a queda nas Unidades de Siderurgia e de Mineração.
A Usiminas encerrou o trimestre com caixa líquido de R$ 391 milhões e alavancagem de -0,20x (dívida líquida/Ebitda), reafirmando a solidez do balanço patrimonial e disciplina financeira. O fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 84 milhões, mesmo com Capex de R$ 285 milhões no período.
Para o presidente da Usiminas, Marcelo Chara, os resultados são reflexo do compromisso da equipe em gerar valor sustentável. —Estamos trabalhando fortemente para melhorar o retorno para os nossos stakeholders, por meio da busca contínua por eficiência operacional, disciplina na alocação de capital, otimização do mix de produtos e fortalecimento das relações comerciais —afirma.
Para os próximos trimestres, Chara pontua que o cenário tende a ser desafiador, principalmente pelos efeitos adversos da Guerra do Irã na economia global e brasileira, devido ao aumento expressivo do preço do petróleo e do gás natural, aumento da inflação e queda mais lenta das taxas de juros, além do risco de disrupção nas cadeias de suprimentos, em particular no transporte marítimo de mercadorias.

—Apesar deste cenário complexo, para o próximo trimestre temos uma expectativa de resultados operacionais consolidados relativamente estáveis. Na Siderurgia o volume de vendas deve permanecer no mesmo patamar, se mantendo a dinâmica positiva no segmento automotivo e desafiadora nos segmentos comerciais, pelo alto nível de importação observado no primeiro trimestre de 2026. Na Mineração, esperamos recuperação no volume de vendas e aumento dos custos logísticos, pelos maiores preços do diesel e do frete marítimo —sinaliza o presidente.
Medidas antidumping — O primeiro trimestre de 2026 foi marcado por uma mudança na dinâmica comercial do aço no Brasil. Em fevereiro, o governo brasileiro aplicou direitos antidumping sobre as importações de aços laminados a frio e de aços revestidos. Essas ações começaram a alterar o ambiente competitivo, sinalizando maior defesa à indústria doméstica frente a práticas comerciais desleais.
Diante da perspectiva dessas mudanças, os importadores reagiram internalizando um volume expressivo de aço no mês de fevereiro, o que elevou temporariamente os níveis de estoque de material importado no mercado brasileiro. A expectativa é que esses estoques se normalizem nos próximos meses.
Além das medidas já implementadas, está em fase final a investigação de laminados a quente da China. —Estamos confiantes com a finalização dentro da data divulgada de julho de 2026. É importante dar seguimento às medidas de defesa comercial contra práticas desleais, considerando que essas medidas são complementares, uma vez que o antidumping é exclusivo da China, mas já há importações de aços a preços subsidiados de outros países da Ásia — afirma Marcelo Chara.
Unidades de Negócio: Siderurgia— O Ebitda ajustado foi de R$ 544 milhões, crescimento de 140% frente ao período anterior, impulsionado por um aumento de 4,9% na receita líquida por tonelada — reflexo de melhores preços e mix de vendas, com destaque para o aumento nas vendas ao segmento automotivo — e pela redução de 1,8% no Custo de Produtos Vendidos por Tonelada (CPV/t), beneficiada pela desvalorização do dólar frente ao real.
A produção de aço bruto foi de 729 mil toneladas, 7% inferior em relação ao quarto trimestre de 2025 (785 mil toneladas) e 6% abaixo do primeiro trimestre de 2025 (773 mil toneladas). Foram registradas 1.007 mil toneladas vendidas no primeiro trimestre de 2026, redução de 7% em relação ao quarto trimestre de 2025 (1.081 mil toneladas) e de 8% na comparação com o primeiro trimestre de 2025 (1.093 mil toneladas).
Mineração — O Ebitda ajustado alcançou R$ 111 milhões nos primeiros três meses do ano, representando uma redução de 40,1% em relação ao quarto trimestre de 2025 (R$ 185 milhões), bem como queda na comparação com o primeiro trimestre de 2025 (R$ 125 milhões).
O volume de produção alcançou 1,9 milhão de toneladas, uma redução de 18% em relação ao quarto trimestre de 2025 e de 10% frente ao primeiro trimestre de 2025. O desempenho no último trimestre foi impactado por chuvas mais intensas e contínuas, acima do trimestre anterior, que alteraram as características do material processado e reduziram a eficiência operacional. Além disso, houve ajustes operacionais para priorizar áreas de maior produtividade.
Investimentos — Continuam em andamento os projetos prioritários para a empresa, como a planta de PCI (Pulverized Coal Injection), com finalização prevista para o segundo semestre de 2026, mas com benefícios já sendo capturados ao longo primeiro trimestre; a reconstrução e reparo a quente das baterias de coque e a construção do novo gasômetro.