Episódio com preparo de carne de paca pelo casal presidencial levanta críticas e reforça alerta sobre proteção à fauna brasileira.
Um vídeo publicado nas redes sociais no dia 05 de abril (domingo) colocou o casal presidencial no centro de críticas e reacendeu o debate sobre a proteção da fauna silvestre no Brasil. Nas imagens, a primeira-dama Janja aparece preparando carne de paca, enquanto o presidente Lula elogia o prato, afirmando que os pedaços do animal “estão divinos”.
A paca, considerada o segundo maior roedor do país, é uma espécie herbívora com papel relevante na dispersão de sementes e na regeneração de florestas. Sua presença contribui diretamente para o equilíbrio ambiental, o que reforça a importância de sua preservação. Especialistas e defensores da causa animal destacam que, mesmo em contextos legalizados, o consumo de animais silvestres levanta questionamentos éticos e ambientais.
— Foi extremamente infeliz, preocupante a publicação. Não só a publicação, mas a prática de consumir um animal da nossa fauna, que vem sofrendo uma enorme pressão, seja pela caça, seja pelo desenvolvimento urbano — afirma Vânia Plaza Nunes, diretora-técnica do Fórum Animal.
A repercussão negativa foi imediata. Após centenas de comentários críticos, Janja se justificou, afirmando que a carne foi “presente de um produtor legalizado” e que, —desde que proveniente de criadouros autorizados pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a carne de paca pode ser comercializada em nosso país—.
Campanhas de conscientização — Ainda que a legalidade da origem não esteja em discussão, o episódio levanta preocupações sobre o impacto simbólico desse tipo de comportamento. Organizações e ativistas apontam que a exposição pública do consumo de animais silvestres pode enfraquecer campanhas de conscientização e contribuir para a naturalização de práticas associadas à caça e ao tráfico.
Dados recorrentes mostram que, semanalmente, diversas espécies como pacas, antas, jacarés e tartarugas são vítimas de captura ilegal. Muitas dessas ações têm como destino o consumo de carne, alimentando uma cadeia que ameaça a biodiversidade brasileira.
Diante desse cenário, o caso reacende um debate mais amplo sobre o papel de figuras públicas na promoção de valores ligados à conservação ambiental. Para especialistas, — não basta apenas cumprir a legislação vigente, é fundamental fortalecer uma cultura de proteção à fauna e combate à exploração de espécies silvestres.
A discussão segue nas redes sociais, onde usuários questionam os impactos desse tipo de exposição e reforçam a necessidade de preservar a vida silvestre em todas as suas formas. | https://forumanimal.org e, redes sociais.