O National Automobile Dealers Association (NADA) 2026, principal encontro global do varejo automotivo, aconteceu há poucas semanas e reforçou uma percepção a todos que tiveram a oportunidade de estar lá: o futuro do setor não será definido apenas por volume de vendas, mas pela capacidade de integrar tecnologia, dados e experiência ao longo de toda a jornada do consumidor.
Um dos debates centrais, sem dúvidas, foi o uso da inteligência artificial agora e no futuro. Estamos entrando em uma era em que agentes de Inteligência Artificial, tanto de empresas, quanto dos próprios consumidores, passam a interagir entre si para recomendar veículos, agendar serviços e até concluir transações. Na prática, parte relevante da jornada tende a acontecer de forma automatizada e antes mesmo do contato humano.
Esse movimento reposiciona completamente a concessionária física e reforça a motivação da criação do SóCarrão, o maior portal de classificados automotivos do Sul do Brasil. Quando o criamos em 2003, anunciar carros na internet era um negócio totalmente inovador e apenas o início de uma jornada. Agora vemos que esse papel tem se transformado e que o ambiente virtual passa a ser cada vez mais o centro da transação, e a loja passa a atuar como um “ponto de experiência”, onde o cliente valida decisões já construídas no ambiente digital.
Outro conceito que ganhou força no NADA foi o de “one-stop shop”: plataformas capazes de concentrar toda a jornada do cliente em um único ambiente. Isso porque reduzir fricção e aumentar a eficiência do processo passa a ser tão relevante quanto o produto em si. É nessa direção que os marketplaces vêm evoluindo, e nós aqui no Brasil também estamos nessa busca.
No SóCarrão acompanhamos de perto o comportamento digital do consumidor automotivo há mais de 20 anos e já é possível observar sinais claros dessa transformação. A busca por conveniência, transparência e agilidade cresce de forma consistente. Enquanto isso, jornadas fragmentadas perdem espaço. Isso reforça que a integração entre tecnologia, dados e experiência deixou de ser tendência e passou a ser condição básica de competitividade.
E finalmente chego em um ponto muito especial e que teve destaque no evento: a visão internacional sobre o Brasil. Para investidores, o chamado atraso tecnológico em relação a mercados mais maduros representa atualmente uma janela de oportunidade. Ou seja, temos chance de obter avanços mais rápidos e estruturados até mesmo com potencial de posicionar o país como um hub de soluções para o setor automotivo nas próximas décadas.
Mas há de se lembrar que a tecnologia sozinha não resolve. Um dos principais aprendizados que fica com o NADA 2026 é que o diferencial competitivo estará na combinação entre ferramentas avançadas, dados bem estruturados e times preparados para operar esse novo cenário.
Olhando para 2026, o desafio do mercado brasileiro será acelerar essa transformação com consistência. Além de vender mais, será preciso vender melhor: com inteligência, integração e foco na experiência. Esse é, talvez, o principal recado do NADA para o Brasil: uma oportunidade clara de protagonismo. Quem embarca nessa jornada junto com o SóCarrão?
• Por: Jefferson Rocha, CEO do SóCarrão.