O empreendimento em Barra do Furado voltado para reciclagem naval e apoio offshore tem previsão de início das obras ainda este ano.
O projeto do Complexo Logístico Farol de Barra do Furado, localizado na divisa entre Quissamã e Campos dos Goytacazes, no litoral norte do Rio de Janeiro, será retomado após quase 15 anos de paralisação — O avanço foi interrompido após a crise econômica entre 2014 e 2016 e os impactos da Operação Lava-Jato no setor de petróleo e gás—. Com investimento estimado em R$ 850 milhões, o empreendimento prevê a construção de um terminal portuário e um estaleiro voltado ao desmantelamento e reciclagem de embarcações, cuja operaração por acontecer entre 2027 e 2028.
A expectativa é que as obras sejam iniciadas ainda em 2026, com lançamento da pedra fundamental programado para esta segunda quinzena de março. O projeto é conduzido pela BR Offshore, empresa criada especificamente para viabilizar o complexo logístico.
A área é de um milhão de metros quadrados — na entrada do Canal das Flechas, construído na década de 1940 para conectar a Lagoa Feia ao mar — terá um estaleiro dedicado ao desmantelamento de embarcações e uma base de apoio às atividades offshore, que poderá atender também às futuras usinas eólicas no mar.
Um novo parceiro financeiro — A reativação do projeto ocorre com a entrada do ‘Banco Fator’ como investidor. A instituição participará por meio da ‘Fator Empreendimentos e Participações’, com participação minoritária, além de liderar a estruturação financeira junto a um pool de bancos.
Manutenção à reciclagem naval — Inicialmente planejado para manutenção e reparo de embarcações de apoio offshore, o espaço será agora dedicado ao desmantelamento e reciclagem de navios e plataformas.
O novo desenho do projeto elimina o estaleiro de manutenção e prioriza atividades ligadas à economia circular e à sustentabilidade industrial.
Mercado em expansão impulsiona projeto — A decisão de focar na reciclagem naval acompanha o crescimento global da demanda por desmantelamento de embarcações. A estimativa é que, até 2035, cerca de 3,7 mil navios precisem ser reciclados no mundo,— duas vezes mais o volume atual.
Esse movimento pode gerar investimentos de até US$ 9,9 bilhões no setor. Estudos indicam ainda que apenas o descomissionamento de plataformas offshore deve movimentar entre US$ 14,5 bilhões e US$ 16 bilhões até o fim da década.
Fomento e empregos — Além de impulsionar o setor portuário e naval, o projeto prevê a geração de cerca de 800 empregos diretos e até 3,2 mil indiretos quando estiver em operação.
Dragagem — A dragagem do Canal das Flechas, pode beneficiar outras atividades econômicas da região, incluindo a pesca.
Marco Regulatório — O setor ainda depende da criação de um ‘Marco Regulatório’ específico para a reciclagem de embarcações no Brasil. A regulamentação é considerada essencial para ampliar a competitividade dos estaleiros nacionais e atrair demandas internacionais.
O Projeto de Lei 1584/2021 (PL da Reciclagem Naval, que visa regular o desmantelamento de navios e plataformas com foco na sustentabilidade) tramita para instituir regras de desmantelamento, com foco na adequação à Convenção Internacional de Hong Kong (em vigor desde 26 de junho de 2025). — O alinhamento da lei que busca segurança jurídica e ambiental. — Adiantando que o Estado do Rio de Janeiro já possui diretrizes específicas (Lei nº 10.028/2023) para o descomissionamento de plataformas, impulsionando estaleiros locais.