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10/03/2026

Guerra no Oriente Médio leva mercado a reduzir ritmo de cortes da Selic, dizem especialistas

—A guerra no Oriente Médio mexe diretamente com o termômetro das expectativas porque o petróleo disparou e já virou novo foco de risco inflacionário global. Se esse choque de energia persistir, ele pode contaminar combustíveis, fretes e custos de produção — prevê João Kepler, CEO da Equity Group.

—O Focus indica que o ciclo de cortes da Selic existe, mas não significa volta ao dinheiro barato. Com inflação de 3,91% e Selic projetada em 12,13% para 2026, o mercado aponta para uma flexibilização moderada. Para startups, isso reforça a necessidade de eficiência, tração e fundamentos sólidos. A guerra no Oriente Médio aumenta a aversão a risco global e pode pressionar inflação via petróleo. Isso tende a impactar o custo de capital e o apetite por ativos de crescimento, tornando o ambiente mais seletivo para captação — analisa Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest.

— O Focus desta semana mostra um mercado menos otimista com a velocidade do alívio monetário. A projeção da Selic para o fim de 2026 subiu de 12,00% para 12,13%, enquanto o IPCA de 2026 ficou em 3,91%, o PIB em 1,82% e o câmbio em R$ 5,42. Isso sugere um ciclo de cortes ainda provável, mas mais curto, mais gradual e mais dependente do cenário externo do que se imaginava há poucas semanas. Para startups e empresas em expansão, a mensagem é clara: o custo de capital tende a cair, mas não a ponto de devolver rapidamente o ambiente de liquidez farta. O capital continua seletivo e vai premiar governança, eficiência operacional e crescimento com disciplina. A guerra no Oriente Médio mexe diretamente com o termômetro das expectativas porque o petróleo disparou e já virou novo foco de risco inflacionário global. Se esse choque de energia persistir, ele pode contaminar combustíveis, fretes e custos de produção, o que dificulta a convergência inflacionária e reduz a margem para o Banco Central cortar juros com mais intensidade. Para o empreendedor, isso significa um cenário em que estratégia financeira e gestão de caixa seguem tão importantes quanto crescimento— ressalta João Kepler, CEO da Equity Group.

—As projeções do Boletim Focus indicam que o ciclo de cortes da Selic segue em curso, mas com um ritmo mais cauteloso. A expectativa para a taxa básica em 2026 voltou a subir levemente, o que sugere que o mercado já trabalha com juros elevados por mais tempo e menor espaço para reduções mais agressivas no curto prazo. Embora a inflação projetada permaneça relativamente ancorada, o ambiente externo mais adverso alterou o balanço de riscos. A guerra no Oriente Médio, especialmente pelo impacto sobre o preço do petróleo, tende a aumentar a volatilidade e as incertezas sobre a trajetória da inflação. Esse tipo de choque não aparece imediatamente nas projeções do Focus, mas eleva o risco de pressões inflacionárias à frente, principalmente via combustíveis, custos logísticos e câmbio. Por isso, mesmo com expectativas ainda controladas, o cenário reforça a necessidade de maior prudência na condução da política monetária — adianta Peterson Rizzo, Gerente de R.I da Multiplike.

—O Boletim Focus passa um recado relevante para o mercado de FIDCs: o juro deve cair, mas permanecer em nível restritivo por mais tempo. A revisão da Selic de 2026 para 12,13%, mesmo com inflação em 3,91%, mostra que o mercado ainda vê desinflação, mas com uma trajetória menos linear. Em outras palavras, o ciclo de cortes não saiu do radar, porém tende a ser calibrado com mais cautela. Para o crédito estruturado, esse ambiente continua favorável, porque mantém a renda fixa atrativa e sustenta a demanda por instrumentos que entreguem retorno com estrutura, garantias e risco bem precificado. A guerra no Oriente Médio entra nessa equação pelo canal mais sensível da inflação, a energia. Com o petróleo em forte alta, aumenta o risco de repasse para transporte, logística e cadeia produtiva, o que pode afetar empresas cedentes e, por consequência, a qualidade dos recebíveis. O Focus ainda não reflete um choque inflacionário mais forte, mas o mercado passa a monitorar esse risco com mais atenção. Em cenários assim, a diferença está na originação criteriosa e na capacidade de montar estruturas resilientes à volatilidade macro — sustenta Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

—O Focus mostra uma economia em desaceleração organizada, mas ainda sem espaço para imaginar um ciclo de cortes agressivo na Selic. A alta da projeção de 2026 para 12,13%, com IPCA estável em 3,91%, indica que o mercado continua vendo queda de juros, porém em ritmo mais prudente. Isso sugere um ambiente em que planejamento patrimonial e decisões de longo prazo ganham ainda mais valor, porque o dinheiro deve continuar caro o suficiente para exigir estratégia, mas já com sinais de melhora gradual nas condições financeiras ao longo do tempo. A guerra no Oriente Médio pode influenciar o Focus principalmente pela pressão sobre petróleo e energia. Se esse choque externo continuar, ele tende a afetar expectativas de inflação e tornar o Banco Central ainda mais cuidadoso. Isso não muda a direção do ciclo, que ainda aponta para cortes, mas pode mudar a inclinação, deixando a trajetória mais lenta e sujeita a interrupções. Em um cenário assim, a melhor resposta é buscar previsibilidade, diversificação e ativos que combinem proteção patrimonial com geração consistente de renda — sugere Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

—O Boletim Focus mostra um cenário de inflação ainda próxima da meta no médio prazo e crescimento moderado da economia. Esse conjunto de projeções sugere que o ciclo de cortes da Selic tende a ser gradual, com o Banco Central mantendo cautela para não comprometer o processo de desinflação. Ao mesmo tempo, o conflito no Oriente Médio adiciona um fator de risco às expectativas monitoradas pelo Focus. Tensões geopolíticas podem pressionar commodities, energia e câmbio, o que acaba influenciando as projeções de inflação. Por isso, mesmo com espaço para redução de juros, o cenário exige atenção, pois choques externos podem limitar a velocidade dos cortes ao longo do tempo — adianta André Matos, CEO da MA7 Negócios.

— O Focus mostra um processo de queda de juros mais controlado. A projeção da Selic de 2026 subiu para 12,13%, com inflação em 3,91% e PIB de 1,82%, indicando que o corte deve ocorrer, mas sem um ciclo amplo de flexibilização. Para o crédito estruturado, isso mantém a demanda por capital fora do sistema bancário tradicional. A guerra no Oriente Médio pode pressionar inflação via petróleo e energia. Se esse choque persistir, ele tende a limitar a intensidade dos cortes de juros e aumentar a importância de estruturas de crédito com análise rigorosa de risco — prevê Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

—A expectativa de caminho da Selic subiu um pouco em relação à semana anterior, sugerindo que o mercado passou a precificar um ciclo de cortes mais lento e menos acentuado do que vinha projetando anteriormente. Isso evidencia que, ainda que a inflação não esteja se materializando de forma mais elevada, existe um prêmio de cautela incorporado nas projeções, decorrente de fatores que ampliam a percepção de risco no horizonte de política monetária. Importante ressaltar, que a escalada da guerra no Oriente Médio é um fator de risco que pode influenciar essas expectativas monitoradas pelo Focus, justamente porque conflitos geopolíticos tendem a pressionar preços de commodities, em especial energia, e introduzem volatilidade no cenário de oferta global. Mesmo que, por ora, esse efeito não esteja se refletindo em revisões significativas de inflação pelo mercado doméstico, a perspectiva de choque externo mantém os agentes mais cautelosos na forma de projetar cortes de juros. Em outras palavras, a guerra no Oriente Médio adiciona um prêmio de risco que dificulta a consolidação de um ciclo de cortes mais rápido na Selic, porque qualquer aceleração do conflito poderia, em teoria, levar a maior pressão de custos e afetar o balanço macroeconômico — avalia Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

—O Focus reforça que o mercado entrou numa fase de transição. A inflação esperada para 2026 está em 3,91%, mas a Selic projetada subiu para 12,13%, indicando que os cortes devem acontecer de forma mais gradual. Não é um cenário de dinheiro barato, e sim de normalização lenta, que exige disciplina, diversificação e visão de longo prazo do investidor. A guerra no Oriente Médio adiciona volatilidade ao cenário porque o petróleo mais caro pode pressionar as expectativas de inflação. Se esse movimento persistir, ele tende a afetar juros futuros e decisões de alocação, reforçando a importância de carteiras diversificadas — indica Fabio Murad, Economista e CEO da Super-ETF Educação.