A Stella Tecnologia e o Comando da Aeronáutica assinaram um Protocolo de Intenções que estabelece as bases para cooperação técnica e institucional no desenvolvimento de Sistemas Aéreos Remotamente Pilotados (SARP) e drones de aplicação dual, com foco em Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), Busca e Salvamento (SAR), comunicações aeroespaciais e capacidades associadas.
O Protocolo foi assinado nesta quinta-feira (05/02) pelo Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Aeronáutica, e por Gilberto André Buffara Junior, Presidente da Stella Tecnologia, em uma cerimônia realizada na nova sede do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (Incaer), com a presença de Oficiais-Generais do Alto-Comando da Aeronáutica e demais Oficiais-Generais da FAB.
Esta é a segunda parceria firmada entre a Força Aérea e a empresa. Nesta nova etapa, os trabalhos estão previstos para um período de 60 meses, com possibilidade de prorrogação. A cooperação anterior foi estabelecida em 2023 e teve como foco a definição coordenada de conceitos relacionados a sistemas e veículos aéreos não tripulados, além da condução de pesquisas técnicas sobre o tema.
O acordo firmado nesta quinta-feira cria um marco institucional para estudos técnicos, reuniões especializadas, intercâmbio de informações e eventual formalização de projetos específicos, sempre em conformidade com a legislação vigente, regras de confidencialidade e proteção da propriedade intelectual. Entre outros eixos de atuação, estão contemplados:
• desenvolvimento de plataformas SARP IVR com enlaces além da linha de visada e integração de sensores avançados, incluindo aplicações de inteligência artificial;
• avaliação de capacidades de lançamento de cargas com controle e precisão;
• desenvolvimento de sistemas aéreos remotamente pilotados de ataque único (drone kamikaze), com prioridade para soluções de propulsão nacionais e exploração de alternativas energéticas eficientes.
A cooperação será conduzida em regime de colaboração mútua, sem transferência direta de recursos financeiros entre as partes, com planejamento conjunto, acompanhamento institucional e alinhamento às diretrizes estratégicas da Aeronáutica e da política nacional de inovação.
Na avaliação do Comandante da Aeronáutica, o fortalecimento da indústria aeroespacial brasileira depende do apoio das Forças Armadas, com impacto direto na ampliação da capacidade operacional do setor. —Nós temos tudo para criar resultados duradouros e já começamos isso. Dando continuidade, juntando as três Forças e priorizando o material nacional, vamos muito longe. Nós temos muita capacidade e as Forças têm que priorizar esse material. Acho que estamos fazendo isso bem neste momento — afirmou o brigadeiro Damasceno.

Para Gilberto André Buffara Junior, a assinatura representa um passo concreto na consolidação da capacidade industrial brasileira. —Este Protocolo materializa uma relação de confiança construída com base em engenharia, execução e entrega. Nosso compromisso é transformar projetos complexos em capacidades reais, com tecnologia nacional, disciplina técnica e foco absoluto nos interesses estratégicos do Brasil—.
O executivo também destacou os desafios enfrentados pelo setor no Brasil e ressaltou a importância do apoio institucional da Defesa para o fortalecimento da indústria nacional. —Talvez, precisemos mais da Defesa, mais do que em qualquer momento da história recente. Então, acho que esse é um grande passo. Muito obrigado por apoiar a indústria nacional, a nossa iniciativa — afirmou.
A parceria reforça a estratégia de fortalecimento da base industrial e tecnológica de defesa, reduzindo dependências externas, estimulando o desenvolvimento nacional de tecnologias críticas e reafirmando a posição da Stella Tecnologia como protagonista no desenvolvimento de plataformas aéreas não tripuladas de alto desempenho.
Nova sede do Incaer — A assinatura do Protocolo ocorreu na sala de reuniões da nova sede do Incaer, espaço conhecido internamente como Nacele, em referência simbólica ao núcleo estrutural que sustenta e impulsiona sistemas aeronáuticos. O ambiente integra o conjunto de áreas restauradas do Instituto e foi concebido para sediar encontros institucionais de alto nível, conectando história, identidade e visão de futuro da Aeronáutica.
Inaugurada em janeiro, a nova sede do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica marca um novo capítulo na preservação da memória, da cultura e da identidade institucional da Força Aérea Brasileira. Criado em 1986 e anteriormente sediado na histórica Estação de Hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o Incaer passou a operar em Brasília em um hangar histórico restaurado, sob a direção do tenente-brigadeiro do Ar Vincent Dang, ampliando sua integração ao Comando da Aeronáutica e o alcance de suas atividades culturais, acadêmicas e institucionais.
Para Buffara, o espaço reforça o significado estratégico do momento. —Assinar este Protocolo em um ambiente que preserva a memória da Força Aérea Brasileira e, ao mesmo tempo, está voltado à reflexão estratégica e à inovação tecnológica dá ainda mais sentido ao compromisso que estamos assumindo com o país—afirmou.
Prestigiaram a cerimônia de assinatura os brigadeiros Vincent Dang, diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (Incaer), Ary Soares Mesquita, chefe do Gabinete do comandante da Aeronáutica (Gabaer), Walcyr Josué de Castilho Araújo, chefe do Estado-Maior da Aeronáutica (Emaer), Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Júnior, comandante-geral do Pessoal (Comgep), e Fábio Luís Morau, chefe da Sexta Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica (Emaer).
Drone e turbina nacionais — Recentemente, a Stella Tecnologia também anunciou o sucesso do voo de testes do Albatroz Vortex, aeronave não tripulada de alta performance desenvolvida integralmente no Brasil, equipada com uma turbina a jato nacional desenvolvida pela Aero Concepts. O ensaio, realizado na Base Aérea de Santa Cruz (RJ), validou o funcionamento do sistema propulsivo em condições reais de voo e a integração entre a turbina e a plataforma aérea, um dos principais desafios tecnológicos dessa classe de sistemas.
O Albatroz Vortex, com peso máximo de decolagem de aproximadamente 150 kg, amplia significativamente o envelope operacional da família de drones da Stella ao incorporar propulsão a jato, permitindo maiores velocidades, operação em altitudes elevadas e novas possibilidades de aplicação. Esse marco posiciona o Brasil entre um seleto grupo de países capazes de desenvolver e integrar motores a jato a sistemas aéreos não tripulados, fortalecendo a autonomia tecnológica nacional.
Segundo Gilberto Buffara, os resultados recentes demonstram a maturidade da indústria nacional quando há apoio institucional das Forças Armadas. —A indústria brasileira vem apresentando excelentes resultados quando conta com o apoio das Forças Armadas. Esse esforço conjunto fortalece a soberania nacional, reduz dependências externas e transforma conhecimento, engenharia e inovação em capacidades estratégicas reais para o Brasil—destacou.
Stella Tecnologia — Fundada em 2015, a Stella Tecnologia é uma Empresa Estratégica de Defesa (EED), referência no desenvolvimento, fabricação e operação de Sistemas Aéreos Não Tripulados (SANT) de última geração. Com arquitetura modular e integração de sensores avançados de inteligência (ISR), a empresa atende a missões críticas nos setores de defesa e indústria, oferecendo soluções de alto desempenho, precisão e confiabilidade operacional em cenários táticos e estratégicos.
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