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04/02/2026

Estatais têm déficit de R$ 5,1 bilhões em 2025, dentro da meta prevista na LDO

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) coloca na conta de investimentos e pagamentos de dividendos das estatais. Juntos, investimento e pagamento de dividendos somaram R$ 6,7 bilhões em 2025.

O resultado primário das 19 empresas que são consideradas para apuração do Resultado Fiscal das Empresas Estatais Federais indicou um déficit de R$ 5,1 bilhões, valor inferior ao déficit de R$ 6,2 bilhões autorizado na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Além de ficar dentro do limite estabelecido, o déficit está em linha com o resultado primário das estatais federais apurado pelo Banco Central, que somou R$ 5,1 bilhões e que considera 20 empresas —as mesmas 19 acompanhadas pelo governo e mais ENBParù.

Destaque para as empresas  Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea. O resultado das empresas estatais já está afetando as contas públicas. Por conta do rombo acima do autorizado, o governo foi obrigado a bloquear R$ 3 bilhões no orçamento em 2025. São recursos que poderiam ser liberados para outras áreas.

Déficit — O déficit registrado em 2025 foi fortemente influenciado por investimentos e pagamento de dividendos. Em 2025, as 20 empresas da estatística do Banco Central investiram juntas R$ 5,1 bilhões e pagaram, até junho do mesmo ano, R$ 1,6 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio. Investimentos e dividendos refletem situações positivas, mas entram na contabilidade fiscal como despesas, impactando negativamente o resultado primário.

De acordo com o MGI, o déficit de R$ 5,1 bilhões do conjunto das estatais federais foi fortemente influenciado pelo resultado da Emgepron, cujo déficit foi de R$ 2,8 bilhões, valor explicado pelo forte investimento de R$ 2,6 bilhões feito pela empresa em 2025. Apesar do déficit fiscal, a estatal, que está desenvolvendo o projeto de construção de fragatas, lucrou R$ 254 milhões no acumulado até setembro.

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) têm ponderado que, para empresas não dependentes de recursos do Tesouro, como as 20 consideradas no cálculo do resultado primário, é importante avaliá-las pelo resultado contábil, pois é ele que retrata de forma mais apropriada a saúde financeira das empresas.

Empresas lucrativas podem ter déficit, por exemplo, quando elas estão em um ciclo de investimentos, pagam dividendos ou executam um programa de demissão voluntária, entre outras situações.

Além da Emgepron, podemos destacar como exemplo dessa situação a Hemobrás, com lucro de R$ 99,8 milhões até o terceiro trimestre e déficit primário de R$ 118,7 milhões no ano, também explicado por investimentos de R$ 110,1 milhões na construção da maior fábrica de hemoderivados da América Latina, em Pernambuco;

Entre as quatro empresas com déficit fiscal e prejuízo, encontram-se os Correios, empresa cuja diretoria colocou em operação um profundo plano de reestruturação. Nas outras três, a soma do prejuízo acumulado nesse ano soma R$ 25 milhões.