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03/02/2026

Reforma Tributária pressiona empresas a atualizar sistemas e processos, destaca EloGroup

Atualização de ERPs, novo leiaute fiscal e prazo curto de transição estão entre os principais entraves para 2026.

A adaptação das empresas brasileiras à reforma tributária em curso tem sido marcada por desafios técnicos e operacionais, sobretudo em razão da necessidade de atualização de sistemas, adequação ao novo leiaute fiscal e cumprimento de prazos apertados de transição. A avaliação é da consultoria EloGroup, que tem ampliado sua atuação nesse tema desde o segundo semestre do ano passado.

Segundo a empresa, o núcleo dedicado à reforma tributária registrou aumento significativo de demanda nos últimos meses, à medida que companhias de diferentes setores passaram a buscar apoio para implementar as mudanças exigidas pelo novo modelo.

De acordo com o economista e sócio da consultoria de transformação de negócios EloGroup, Marcello Ponce, a incorporação dos novos campos de IBS e CBS nos sistemas de faturamento tem sido um dos principais gargalos. —As empresas vêm enfrentando desafios técnicos para atualizar sistemas de faturamento (ERP, emissores de NF-e e NFS-e) e incorporar os novos campos exigidos nas notas fiscais. Houve necessidade de adequar um volume expressivo de novos campos nos documentos fiscais, exigindo mudanças relevantes de software, integrações e infraestrutura tecnológica —afirma.

No setor de serviços, a transição para a Nota Fiscal de Serviço eletrônica unificada também expôs diferenças no ritmo de adesão e na maturidade tecnológica entre os municípios. Em alguns casos, isso resultou em instabilidades pontuais ou lentidão na emissão de notas no início da implantação, exigindo maior esforço de acompanhamento e adaptação operacional por parte das empresas junto aos entes locais.

Para 2026, a EloGroup aponta que o principal desafio será consolidar os ajustes em um ambiente de transição. Nesse período, o preenchimento dos campos de IBS e CBS passa a ser obrigatório nos documentos fiscais, sem cobrança dos novos tributos e com caráter orientativo nos primeiros meses. A recomendação é que as empresas utilizem esse intervalo para testar, ajustar e estabilizar sistemas e processos.

Outro ponto crítico é a estabilização da emissão de documentos fiscais eletrônicos. As companhias precisam garantir a continuidade da NF-e e da NFS-e com os novos campos, acompanhando ajustes das plataformas governamentais, especialmente no caso da NFS-e nacional, e mantendo diálogo com as administrações tributárias locais. Planos de contingência seguem relevantes para mitigar impactos no faturamento em situações de instabilidade sistêmica.

—Mesmo sem impacto financeiro direto em 2026, o cumprimento consistente das novas obrigações acessórias exigirá disciplina. As empresas deverão assegurar o correto preenchimento das informações relativas ao IBS e à CBS e a entrega das declarações associadas, à medida que forem disponibilizadas, mantendo elevados padrões de governança fiscal durante o período de teste —explica Ponce.

O ano também marca o início da convivência entre o modelo tributário atual e o novo. As empresas terão de administrar uma dupla apuração, mantendo o recolhimento dos tributos vigentes enquanto registram o IBS e a CBS de forma informativa. Essa sobreposição exige controles internos robustos, segregação adequada de bases de cálculo e atualização das rotinas de escrituração.

Além disso, será necessário investir em capacitação contínua e ajustes operacionais ao longo de 2026. Eventuais erros de parametrização ou classificação deverão ser corrigidos com agilidade, e a integração entre áreas internas será essencial para assegurar fluidez operacional e maturidade dos processos até 2027.

Embora 2026 não envolva recolhimento de IBS e CBS, o período deve ser utilizado para analisar os dados gerados e avaliar cenários potenciais de impacto financeiro a partir de 2027, quando a CBS entrará em vigor e o Imposto Seletivo será introduzido. As empresas poderão usar essas informações para revisar estratégias de precificação, margens e contratos de longo prazo, inclusive com o poder público.

Por fim, a EloGroup destaca a importância do acompanhamento regulatório contínuo. Ainda há temas em detalhamento, como regras específicas para determinados setores, plataformas digitais e aspectos do Imposto Seletivo, que exigirão atenção constante. A capacidade de monitorar atos normativos e ajustar processos de forma ágil será determinante para uma transição bem-sucedida e com segurança jurídica.

EloGroup — A EloGroup é uma consultoria de transformação de negócios que atua da estratégia ao delivery, alavancada por Tecnologia e Inteligência Artificial. Em operação desde 2007, conta com mais de 800 colaboradores que trabalham no Brasil e internacionalmente para solucionar desafios em diferentes indústrias. Também é parceira-membro da Cordence Worldwide, uma aliança global de consultorias independentes que opera em 19 países — nas Américas, Ásia, Europa e Oriente Médio.